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sábado, 5 de outubro de 2024

15 Citações de Adélia Prado: Sonho, Cotidiano e a Espiritualidade.

Poetisa Adélia Prado

Adélia Prado
é uma das vozes mais singulares da literatura brasileira. 

Poetisa, escritora e ensaísta, ela nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, em 13 de dezembro de 1935. 

Sua obra se destaca pela sensibilidade com que trata os temas cotidianos, mesclando com maestria a vida comum com o sublime. 

 Adélia é uma defensora do sentimento, da espiritualidade e da beleza nas pequenas coisas. 

Ela nos ensina que o extraordinário reside no trivial e que a poesia pode ser encontrada em cada detalhe da vida.

15 Citações de Adélia Prado: Reflexões Poéticas sobre o Cotidiano e a Existência

Adélia Prado é conhecida por suas observações delicadas e profundas sobre o mundo. 

As citações a seguir refletem seu olhar singular sobre a vida, o amor, o medo, e a espiritualidade. 

Cada citação é um convite para refletir e contemplar o que há de mais humano em nós.


Poetisa Adélia Prado com uma citação em destaque.

1. "A borboleta pousada ou é Deus ou é nada."
Obra: Poesia Reunida

Adélia Prado frequentemente revela sua espiritualidade através de imagens da natureza. 

Nessa citação, ela sugere que uma borboleta, criatura aparentemente simples, pode representar o divino ou o vazio absoluto. 

A dualidade presente na visão da autora mostra como o ordinário pode conter significados transcendentes.

2. "O modo como pousa a cabeça para um retrato é o da que, afinal, aceitou ser dispensável."
Obra: Bagagem

A aceitação da mortalidade e a transitoriedade da vida são temas recorrentes na obra de Adélia. 

Nessa frase, ela nos lembra que, ao fim, todos somos dispensáveis, e é essa aceitação que nos concede a serenidade necessária para seguir em frente.

3. "Quem entender a linguagem entende Deus cujo filho é o Verbo."
Obra: Bagagem

A relação entre a linguagem e o divino é central na poesia de Adélia Prado. 

Aqui, ela sugere que a compreensão das palavras e da linguagem é uma forma de conexão com o sagrado, uma maneira de entender a essência de Deus.


Poetisa Adélia Prado com uma citação em destaque.

4. "O sonho encheu a noite, extravasou pro meu dia, encheu minha vida e é dele que eu vou viver porque sonho não morre."
Obra: Bagagem

Para Adélia Prado, os sonhos são eternos, uma fonte inesgotável de vida e propósito. 

Eles ultrapassam os limites do sono e invadem a vida cotidiana, nutrindo-a com significado e esperança. 

Essa citação celebra a persistência dos sonhos em nos guiar e preencher nossos dias.

5. "Há sempre uma razão, embora não haja nenhuma explicação."

Adélia destaca a complexidade da vida com esta citação. 

Nem tudo pode ser explicado, mas há uma razão oculta nas coisas que nos acontecem. 

É uma reflexão sobre a necessidade de aceitar o mistério e a irracionalidade que muitas vezes permeiam a existência.

6. "Entre paciência e fama quero as duas, pra envelhecer vergada de motivos."
Obra: Bagagem

Aqui, Adélia revela sua ambição paradoxal: ela quer paciência e fama, mas para viver uma vida plena, cheia de motivos e experiências. 

Sua busca não é pelo sucesso superficial, mas por uma vida rica em significado, em histórias para contar.

7. "Minha mãe achava estudo a coisa mais linda do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento."
Obra: Poesia Reunida

Nesta citação, Adélia coloca o sentimento acima da intelectualidade. 

Ela nos lembra que o que realmente importa na vida não é o conhecimento ou os títulos, mas a capacidade de sentir profundamente. 

O sentimento é o que nos conecta verdadeiramente uns aos outros.

8. "Louvado seja, porque eu quero morrer, mas tenho medo, e ainda espero pelo prometido."
Entrevista: TV Câmara, Sempre Um Papo; 25/01/2009

A dualidade entre o desejo de morrer e o medo da morte é um tema complexo. 

Aqui, Adélia expressa o dilema humano de querer descansar, mas também de temer o desconhecido. 

Ao mesmo tempo, ela manifesta sua esperança no "prometido" — a vida eterna ou um sentido maior para a existência.

9. "Explicação é para o corpo do morto, de sua alma eu sei."
Obra: Bagagem

Adélia nos ensina que a explicação lógica pertence ao mundo físico. 

A alma, por outro lado, é intuitiva e inefável. 

A compreensão da alma não se dá por explicações racionais, mas por uma sabedoria silenciosa, sentida.


Poetisa Adélia Prado com uma citação em destaque.


10. "Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito."
Obra: Poesia Reunida

Ser feliz é uma tarefa que exige dedicação e esforço, sugere Adélia Prado. 

A felicidade não é uma conquista passiva; ela demanda trabalho, atenção e disposição. 

Esta citação nos lembra que viver plenamente requer envolvimento total com a vida.


Poetisa Adélia Prado com uma citação em destaque.

11. "O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível."
Obra: Poesia Reunida

A memória, para Adélia, é o que torna o amor eterno. 

Mesmo quando uma pessoa não está mais fisicamente presente, a lembrança do que ela foi mantém seu amor vivo. 

Este sentimento de eternidade é um dos temas mais tocantes na sua obra. 

12. "Não quero faca nem queijo. Quero a fome."
Obra: Poesia Reunida

Adélia Prado aqui expressa o desejo pelo que é mais essencial: a fome. 

Ela rejeita as facilidades da vida e anseia pela busca, pelo desejo. 

A fome, nesse contexto, simboliza a paixão pela vida, o impulso que nos mantém em movimento e nos faz querer mais.

13. "E não canso de esperar; mais hoje, mais amanhã, qualquer coisa esplêndida acontece."
Obra: O Coração Disparado

A esperança é uma constante na obra de Adélia Prado. 

Ela nos ensina a perseverar, a continuar esperando, pois algo esplêndido sempre está para acontecer. 

É um lembrete de que a vida é cheia de surpresas e que o amanhã sempre pode trazer novas alegrias.

14. "Para o desejo do meu coração, o mar é uma gota."
Obra: Poesia Reunida

Nesta citação, Adélia expressa a imensidão do desejo humano. 

O que para outros pode ser vasto e intransponível, para o coração desejoso é apenas uma pequena gota. 

O desejo aqui é ilimitado, inextinguível.

15. "A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda, foi inventada para ser calada."
Obra: Bagagem

Adélia Prado sugere que as palavras, por mais importantes que sejam, são apenas um disfarce para algo mais profundo e inefável. 

Elas foram criadas para ocultar, não para revelar totalmente. A verdadeira essência das coisas é silenciosa, além da linguagem.

Conclusão

As palavras de Adélia Prado têm o poder de transformar o trivial em algo sublime. 

Através de suas citações, somos convidados a refletir sobre o amor, a espiritualidade, a memória e a vida cotidiana com uma sensibilidade única. 

Sua poesia é um lembrete constante de que o extraordinário está nas pequenas coisas e que o sentimento, mais do que o conhecimento, é o que define nossa experiência de vida.

Veja Também:


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Verso do Livro O Coração Disparado - Adélia Prado

Verso do Livro O Coração Disparado - Adélia Prado

Verso do Livro:

"Eu não sei o que é,
mas sei que existe 
um grão de salvação
escondido nas coisas 
deste mundo."
__________________________________________

Livro:

Verso do Livro O Coração Disparado - Adélia Prado

domingo, 19 de abril de 2020

sexta-feira, 10 de abril de 2020

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Podei a Roseira no Momento Certo e Viajei Muitos Dias...

Versos e Poesias

Meditação à Beira de um Poema
Podei a roseira no momento certo e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira
constelada,
os botões,
Alguns já com rosa- pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com os limites do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizam-se
diante do recorrente milagre.
maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro 
 
Adélia Prado In Oráculos de Maio


Livro Oráculos de Maio - Adélia Prado

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tempo - Adélia Prado


A mim que desde a infância venho vindo
como se o meu destino
fosse o exato destino de uma estrela
apelam incríveis coisas:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.
Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem
amaria chamar-se Eliud Jonathan.
Neste exato momento do dia vinte de julho
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome.

Adélia Prado

domingo, 22 de abril de 2012

A imagem refletida - Adélia Prado

Vem de antes do sol

A luz que em tua pupila me desenha.
Aceito amar-me assim
Refletida no olhar com que me vês.

Ó ventura beijar-te,

espelho que premido não estilhaça
e mais brilha porque chora
e choro de amor radia.
Adélia Prado

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Frases e Citações - Adélia Prado


"Fui dormir umas vezes tão feliz, que, se 
soubesse minha força, levitava. 
Em outras, tanta foi a tristeza que fiz versos."
Adélia Prado

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O amor no éter - Adélia Prado

Há dentro de mim uma paisagem 
entre meio-dia e duas horas da tarde. 
Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água,  
entram e não neste lugar de memória, 
uma lagoa rasa com caniço na margem. 
Habito nele, quando os desejos do corpo, 
a metafísica, exclamam: 
como és bonito! 
Quero escrever-te até encontrar 
onde segregas tanto sentimento. 
Pensas em mim, teu meio-riso secreto 
atravessa mar e montanha, 
me sobressalta em arrepios, 
o amor sobre o natural. 
O corpo é leve como a alma, 
os minerais voam como borboletas. 
Tudo deste lugar 
entre meio-dia e duas horas da tarde.

Adélia Prado

domingo, 8 de abril de 2012

Leitura - Adélia Prado


Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras,
As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha
de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas
fora do seu tempo desejadas.
Ao longo do muro eram talhas de barro.
Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo
que lá fora o mundo havia parado de calor.
Depois encontrei meu pai, que me fez festa
e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria,
os lábios de novo e a cara circulados de sangue,
caçava o que fazer pra gastar sua alegria:
onde está meu formão, minha vara de pescar,
cadê minha pinga, meu vidro de café?
Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera.

Adélia Prado

domingo, 11 de março de 2012

Corridinho - Adélia Prado


O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.
Adélia Prado

domingo, 4 de março de 2012

Frases e Citações - Adélia Prado

''Meu Deus, me dá cinco anos.
Me dá um pé de fedegoso com formiga preta, me dá um Natal e sua véspera, o ressonar das pessoas no quartinho.
Me dá a negrinha Fia pra eu brincar, me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe. 
Me dá minha mãe, alegria sã e medo remediável,
me dá a mão, me cura de ser grande,
ó meu Deus, meu pai, meu pai.''

Adélia Prado

Meditação à beira de uma roseira - Adélia Prado

Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira
constelada,
os botões,
alguns já com rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com os limites do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizam-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.

Adélia Prado

sábado, 3 de março de 2012

Frases e Citações - Adélia Prado

O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge o meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco. Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida.

Adélia Prado

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Frases e Citações - Adélia Prado


"Eu tenho a esperança que nada se perde, tudo alguma coisa gera... O que parece morto, aduba... O que parece estático, espera."

Adélia Prado

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Dolores - Adélia Prado

Hoje me deu tristeza,
sofri três tipos de medo
acrecido do fato irreversível:
não sou mais jovem.
Discuti política, feminismo,
a pertinência da reforma penal,
mas ao fim dos assuntos
tirava do bolso meu caquinho de espelho
e enchia os olhos de lágrimas:
não sou mais jovem.
As ciências não me deram socorro,
não tenho por definitivo consolo
o respeito dos moços.
Fui no Livro Sagrado
buscar perdão pra minha carne soberba
e lá estava escrito:
"Foi pela fé que também Sara, apesar da idade avançada,
se tornou capaz de ter uma descendência..."
Se alguém me fixasse, insisti ainda,
num quadro, numa poesia...
e fossem objetos de beleza os meus músculos frouxos...
Mas não quero. Exijo a sorte comum das mulheres nos tanques,
das que jamais verão seu nome impresso e no entanto
sustentaram os pilares do mundo, porque mesmo viúvas dignas
não recusam casamento, antes acham sexo agradável,
condição para a normal alegria de amarrar uma tira no cabelo
e varrer a casa de manhã.

Uma tal esperança imploro a Deus.

Adélia Prado

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