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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Versos e Poesias - Vinícius de Moraes

Dialética

"É claro que a Vida é Boa  E a Alegria, a única indizível Emoção  É claro que te acho Linda  Em ti Bendigo o Amor das coisas simples  É claro que Te Amo E tenho tudo para ser Feliz  Mas acontece que eu Sou Triste..."
"É claro que a Vida é Boa 
E a Alegria, a única indizível Emoção 
É claro que te acho Linda 
Em ti Bendigo o Amor das coisas simples 
É claro que Te Amo
E tenho tudo para ser Feliz 
Mas acontece que eu Sou Triste..."
Vinícius de Moraes  

sábado, 22 de setembro de 2018

Quando a Luz dos Olhos Meus...

Luz dos Olhos Meus - Vinícius de Moraes
Quando a luz dos olhos meus  E a Luz dos Olhos Teus Resolvem se encontrar Ai que bom que isso é meu Deus Que frio que me dá o encontro desse olhar
"Quando a luz dos olhos meus
E a Luz dos Olhos Teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a Luz dos Olhos Teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu Amor, juro por Deus me sinto incendiar

Meu Amor, juro por Deus
Que a Luz dos Olhos Meus já não pode esperar
Quero a Luz dos Olhos Meus
Na Luz dos Olhos Teus sem mais lará-lará
Pela Luz dos Olhos Teus
Eu acho Meu Amor que só se pode achar
Que a Luz dos Olhos Meus precisa se casar."


Vinícius de Moraes

quarta-feira, 6 de março de 2013

A partida - Vinícius de Moraes

Quero ir-me embora pra estrela 
Que vi luzindo no céu 
Na várzea do setestrelo. 
Sairei de casa à tarde 
Na hora crepuscular 
Em minha rua deserta 
Nem uma janela aberta 
Ninguém para me espiar 
De vivo verei apenas 
Duas mulheres serenas 
Me acenando devagar. 
Será meu corpo sozinho 
Que há de me acompanhar 
Que a alma estará vagando 
Entre os amigos, num bar. 
Ninguém ficará chorando 
Que mãe já não terei mais 
E a mulher que outrora tinha 
Mais que ser minha mulher 
É mãe de uma filha minha. 
Irei embora sozinho 
Sem angústia nem pesar 
Antes contente da vida 
Que não pedi, tão sofrida 
Mas não perdi por ganhar. 
Verei a cidade morta 
Ir ficando para trás 
E em frente se abrirem campos 
Em flores e pirilampos 
Como a miragem de tantos 
Que tremeluzem no alto. 
Num ponto qualquer da treva 
Um vento me envolverá 
Sentirei a voz molhada 
Da noite que vem do mar 
Chegar-me-ão falas tristes 
Como a querer me entristar 
Mas não serei mais lembrança 
Nada me surpreenderá: 
Passarei lúcido e frio 
Compreensivo e singular 
Como um cadáver num rio 
E quando, de algum lugar 
Chegar-me o apelo vazio 
De uma mulher a chorar 
Só então me voltarei 
Mas nem adeus lhe darei 
No oco raio estelar 
Libertado subirei.


Vinícius de Moraes

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Soneto de carnaval - Vinicius de Moraes

Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento 
Pensar nele é morrer de desventura 
Não pensar é matar meu pensamento. 

Seu mais doce desejo se amargura 
Todo o instante perdido é um sofrimento 
Cada beijo lembrado uma tortura 
Um ciúme do próprio ciumento. 

E vivemos partindo, ela de mim 
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos 
Para a grande partida que há no fim 

De toda a vida e todo o amor humanos: 
Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo 
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.


Vinicius de Moraes

sábado, 15 de dezembro de 2012

Poética - Vinicius de Moraes


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinicius de Moraes

domingo, 25 de novembro de 2012

O eleito - Vinícius de Moraes

Quando eu era menor na grande moradia
De minha avó materna e de meu pobre avô
Muitas vezes senti, como alguém que sonhou
Pesar sobre meu corpo o olhar da minha tia

Miserável, na frente mesmo dos avós
Que, velhos, sem amor, conversavam comigo
Deixava-me molhar de um riso de mendigo 
Tremendo à comoção de uma volúpia atroz.

Na penumbra da sala lívida, amarela
Que te viu, minha mãe, antes de mãe, ser filha
Faminto como um cão no cio, sem família 
Tocava sob a mesa a perna quente dela.

Ficava assim, as mãos geladas, os pés úmidos
Sem forças para olhar aquela mulher feia
Que tinha pêlos oleosos sob a meia
E esmagava na blusa os belos seios túmidos.

A náusea de mim mesmo abria-me a garganta 
Tão forte quanto o mal que me engrossava o sangue
E era como se eu fosse alguma coisa exangue
E como se ela fosse alguma coisa santa.

Meus sonhos de beleza e meus votos de ideal
Debandavam como asas tristes e malferidas
Meu sonho era beijar as nádegas partidas
Ao desvendar o nu daquele ser fatal.

Com mãos fantásticas eu via-me, anjo impuro
Ereto na treva, o ventre despido a meio
Feroz, a mastigar-lhe a carne azul do seio
Sentindo-me ferir no seu corpete duro.

Por fim, sem poder mais, contendo à toa o hausto
Do gozo, corria a chorar para o banheiro
Onde, entre vômitos, o olfato aberto ao cheiro
Acre, masturbava-me até ficar exausto.

Quem jamais poderá dizer o medo louco
O indizível pavor de voltar que me vinha
De transpor a porta, olhar minha avó velhinha
E meu finado avô, que adormecera um pouco.

E entretanto, cheio de angústia, delicado
De angústia, voltava, abria de manso a porta
Incapaz de ferir aquela paz já morta
Com a mais leve emoção de me sentir culpado.

Pobre criança! que Deus implacável fizera
Que perdesse tão cedo as ilusões mais belas 
Tu que devias ir viajando entre as estrelas
A cantar e a correr tonto de primavera?!

Vinicius de Moraes

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A máscara da noite - Vinícius de Moraes

Sim, essa tarde conhece todos os meus pensamentos 
Todos os meus segredos e todos os meus patéticos anseios 
Sob esse céu como uma visão azul de incenso 
As estrelas são perfumes passados que me chegam... 

Sim! essa tarde que eu não conheço é uma mulher que me chama 
E eis que é uma cidade apenas, uma cidade dourada de astros 
Aves, folhas silenciosas, sons perdidos em cores 
Nuvens como velas abertas para o tempo... 

Não sei, toda essa evocação perdida, toda essa música perdida 
É como um pressentimento de inocência, como um apelo... 
Mas para que buscar se a forma ficou no gesto esvanecida 
E se a poesia ficou dormindo nos braços de outrora... 

Como saber se é tarde, se haverá manhã para o crepúsculo 
Nesse entorpecimento, neste filtro mágico de lágrimas? 
Orvalho, orvalho! desce sobre os meus olhos, sobre o meu sexo 
Faz-se surgir diamante dentro do sol! 

Lembro-me!... como se fosse a hora da memória 
Outras tardes, outras janelas, outras criaturas na alma 
O olhar abandonado de um lago e o frêmito de um vento 
Seios crescendo para o poente como salmos... 

Oh, a doce tarde! Sobre mares de gelo ardentes de revérbero 
Vagam placidamente navios fantásticos de prata 
E em grandes castelos cor de ouro, anjos azuis serenos 
Tangem sinos de cristal que vibram na imensa transparência! 

Eu sinto que essa tarde está me vendo, que essa serenidade está me vendo 
Que o momento da criação está me vendo neste instante doloroso de sossego em mim mesmo 
Oh criação que estás me vendo, surge e beija-me os olhos 
Afaga-me os cabelos, canta uma canção para eu dormir! 

És bem tu, máscara da noite, com tua carne rósea 
Com teus longos xales campestres e com teus cânticos 
És bem tu! ouço teus faunos pontilhando as águas de sons de flautas 
Em longas escalas cromáticas fragrantes... 

Ah, meu verso tem palpitações dulcíssimas! - primaveras! 
Sonhos bucólicos nunca sonhados pelo desespero 
Visões de rios plácidos e matas adormecidas 
Sobre o panorama crucificado e monstruoso dos telhados! 

Por que vens, noite? por que não adormeces o teu crepe 
Por que não te esvais - espectro - nesse perfume tenro de rosas? 
Deixa que a tarde envolva eternamente a face dos deuses 
Noite, dolorosa noite, misteriosa noite! 

Oh tarde, máscara da noite, tu és a presciência 
Só tu conheces e acolhes todos os meus pensamentos 
O teu céu, a tua luz, a tua calma 
São a palavra da morte e do sonho em mim!


Vinícius de Moraes

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Poética II - Vinícius de Moraes

Com as lágrimas do tempo
E o cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O riso - Vinícius de Moraes


Aquele riso foi o canto célebre
Da primeira estrela, em vão.
Milagre de primavera intacta
No sepulcro de neve
Rosa aberta ao vento, breve
Muito breve...

Não, aquele riso foi o canto célebre
Alta melodia imóvel
Gorjeio de fonte núbil
Apenas brotada, na treva...
Fonte de lábios (hora
Extremamente mágica do silêncio das aves).

Oh, música entre pétalas
Não afugentes meu amor!
Mistério maior é o sono
Se de súbito não se ouve o riso na noite.
Vinícius de Moraes

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A perdida esperança - Vinícius de Moraes


De posse deste amor que é, no entanto, impossível
Este amor esperado e antigo como as pedras
Eu encouraçarei o meu corpo impassível
E à minha volta erguerei um alto muro de pedras.

E enquanto perdurar tua ausência, que é eterna
Por isso que és mulher, mesmo sendo só minha
Eu viverei trancado em mim como no inferno
Queimando minha carne até sua própria cinza.

Mas permanecerei imutável e austero
Certo de que, de amor, sei o que ninguém soube
Como uma estátua prisioneira de um castelo
A mirar sempre além do tempo que lhe coube.

E isento ficarei das antigas amadas
Que, pela Lua cheia, em rápidas sortidas
Ainda vêm me atirar flechas envenenadas
Para depois beber-me o sangue das feridas.

E assim serei intacto, e assim serei tranqüilo
E assim não sofrerei da angústia de revê-las
Quando, tristes e fiéis como lobas no cio
Se puserem a rondar meu castelo de estrelas.

E muito crescerei em alta melancolia
Todo o canto meu, como o de Orfeu pregresso
Será tão claro, de uma tão simples poesia
Que há de pacificar as feras do deserto.

Farto de saber ler, saberei ver nos astros
A brilharem no azul da abóbada no Oriente
E beijarei a terra, a caminhar de rastros
Quando a Lua no céu contar teu rosto ausente.

Eu te protegerei contra o Íncubo
Que te espreita por trás da Aurora acorrentada
E contra a legião dos monstros do Poente
Que te querem matar, ó impossível amada!
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Antes que a angústia desça é preciso partir - Vinícius de Moraes

Antes que a angústia desça é preciso partir 
Não importa para onde, não importa para longe de quem 
Ó como o mesmo céu sufoca e a mesma ventura mata! 

Abandonar o corpo gasto de sol e a alma gasta de sono 
Raspar os velhos sapatos na branca soleira da casa do tédio 
E surgir como um animal morno de silencioso passo. 

Nada a conhecer... Sim, são verdes as montanhas 
E quanta vaga expiação deixam os livros no pensamento 
E acima de tudo existe Deus serenamente inacessível. 

Mas viver, ah, viver é doloroso, é incompreensível 
Não se sabe quando!... não se sabe nunca... e quando sabe-se 
É para receber o golpe mortal da tragédia no mais fundo.


Vinícius de Moraes

domingo, 23 de setembro de 2012

A miragem - Vinícius de Moraes


Não direi que a tua visão desapareceu dos meus olhos sem vida
Nem que a tua presença se diluiu na névoa que veio.
Busquei inutilmente acorrentar-te a um passado de dores
Inutilmente.
Vieste - tua sombra sem carne me acompanha
Como o tédio da última volúpia.
Vieste - e contigo um vago desejo de uma volta inútil
E contigo uma vaga saudade…
És qualquer coisa que ficará na minha vida sem termo
Como uma aflição para todas as minhas alegrias.
Tu és a agonia de todas as posses
És o frio de toda a nudez
E vã será toda a tentativa de me libertar da tua lembrança.

Mas quando cessar em mim todo o desejo de vida
E quando eu não for mais que o cansaço da minha caminhada pela areia
Eu sinto que me terás como me tinhas no passado -
Sinto que me virás oferecer a água mentirosa
Da miragem.
Talvez num ímpeto eu prefira colar a boca à areia estéril
Num desejo de aniquilamento.
Mas não. Embora sabendo que nunca alcançarei a tua imagem
Que estará suspensa e me prometerá água
Embora sabendo que tu és a que foge
Eu me arrastarei para os teus braços.
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Namorados no mirante - Vinícius de Moraes


Eles eram mais antigos que o silêncio 

A perscrutar-se intimamente os sonhos 
Tal como duas súbitas estátuas 
Em que apenas o olhar restasse humano. 
Qualquer toque, por certo, desfaria 
Os seus corpos sem tempo em pura cinza. 
Remontavam às origens - a realidade 
Neles se fez, de substância, imagem. 
Dela a face era fria, a que o desejo 
Como um hictus, houvesse adormecido 
Dele apenas restava o eterno grito 
Da espécie - tudo mais tinha morrido. 
Caíam lentamente na voragem 
Como duas estrelas que gravitam 
Juntas para, depois, num grande abraço 
Rolarem pelo espaço e se perderem 
Transformadas no magma incandescente 
Que milênios mais tarde explode em amor 
E da matéria reproduz o tempo 
Nas galáxias da vida no infinito. 

Eles eram mais antigos que o silêncio... 


Vinícius de Moraes

domingo, 16 de setembro de 2012

O tempo nos parques - Vinícius de Moraes


O tempo nos parques é íntimo, inadiável, imparticipante, imarcescível.
Medita nas altas frondes, na última palma da palmeira
Na grande pedra intacta, o tempo nos parques.

O tempo nos parques cisma no olhar cego dos lagos
Dorme nas furnas, isola-se nos quiosques
Oculta-se no torso muscular dos fícus, o tempo nos parques.

O tempo nos parques gera o silêncio do piar dos pássaros
Do passar dos passos, da cor que se move ao longe.

É alto, antigo, presciente o tempo nos parques
É incorruptível; o prenúncio de uma aragem
A agonia de uma folha, o abrir-se de uma flor
Deixam um frêmito no espaço do tempo nos parques.

O tempo nos parques envolve de redomas invisíveis
Os que se amam; eterniza os anseios, petrifica
Os gestos, anestesia os sonhos, o tempo nos parques.

Nos homens dormentes, nas pontes que fogem, na franja
Dos chorões, na cúpula azul o tempo perdura
Nos parques; e a pequenina cutia surpreende
A imobilidade anterior desse tempo no mundo
Porque imóvel, elementar, autêntico, profundo
É o tempo nos parques.

Vinícius de Moraes

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O verbo no infinito - Vinícius de Moraes


Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...
Vinícius de Moraes

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Bom pastor - Vinícius de Moraes


Amo andar pelas tardes sem som, brandas, maravilhosas
Com riscos de andorinhas pelo céu.
Amo ir solitário pelos caminhos
Olhando a tarde parada no tempo
Parada no céu como um pássaro em vôo
E que vem de asas largas se abatendo.
Amo desvendar a vaga penumbra que desce
Amo sentir o ar sem movimento, a luz sem vida
Tudo interiorizado, tudo paralisado na oração calma...
Amo andar nessas tardes...
Sinto-me penetrando o sereno vazio de tudo
Como um raio de luz.
Cresço, projeto-me ao infinito, agitando
Para consolar as árvores angustiadas
E acalmar os pinheiros moribundos.
Desço aos vales como uma sombra de montanha
Buscando poesia nos rios parados.
Sou como o bom-pastor da natureza
Que recolhe a alma do seu rebanho
No agasalho da sua alma...E amo voltar
Quando tudo não é mais que uma saudade
Do momento suspenso que foi...
Amo voltar quando a noite palpita
Nas primeiras estrelas claras...
Amo vir com a aragem que começa a descer das montanhas
Trazendo cheiros agrestes de selva...
E pelos caminhos já percorridos,voltando com a noite
Amo sonhar...
Vinícius de Moares 
Rio de Janeiro, 1933

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Como dizia o Poeta - Vinícius de Moraes

Como dizia o poeta 
Quem já passou por essa vida e não viveu 
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu 
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu 
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não 
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão 
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir 
Eu francamente já não quero nem saber 
De quem não vai porque tem medo de sofrer 
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão 
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.


Vinícius de Moraes

domingo, 15 de julho de 2012

Frases e Citações - Vinícius de Moraes



."...Deveria chamar-te claridade
Pelo modo espontâneo
Franco e aberto
Com que encheste de COR
meu mundo escuro..."

Vinicius de Moraes

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Soneto ao inverno - Vinícius de Moraes

Inverno, doce inverno das manhãs
Translúcidas, tardias e distantes
Propício ao sentimento das irmãs
E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfiguras as maçãs
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas
Alma do céu? o amor das coisas várias
Fez-te migrar – inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias
Preservador de santas e de estrelas...
Que importa a noite lúgubre escondê-las?

Vinícius de Moraes

domingo, 1 de julho de 2012

Inatingível - Vinícius de Moraes


O QUE SOU EU, gritei um dia para o infinito 
E o meu grito subiu, subiu sempre 
Até se diluir na distância. 
Um pássaro no alto planou vôo 
E mergulhou no espaço.
Eu segui porque tinha que seguir 
Com as mãos na boca, em concha 
Gritando para o infinito a minha dúvida.
Mas a noite espiava a minha dúvida 
E eu me deitei à beira do caminho 
Vendo o vulto dos outros que passavam 
Na esperança da aurora. 
Eu continuo à beira do caminho 
Vendo a luz do infinito 
Que responde ao peregrino a imensa dúvida.
Eu estou moribundo à beira do caminho. 
O dia já passou milhões de vezes 
E se aproxima a noite do desfecho. 
Morrerei gritando a minha ânsia 
Clamando a crueldade do infinito 
E os pássaros cantarão quando o dia chegar 
E eu já hei de estar morto à beira do caminho

Vinícius de Moraes