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terça-feira, 7 de julho de 2020

sexta-feira, 26 de junho de 2020

segunda-feira, 4 de maio de 2020

A Vida é Viver

A Vida é Viver
Frase:

"Porque nada do que foi feito satisfaz a Vida, nada enche a Vida. A Vida é Viver."
__________

sábado, 18 de janeiro de 2020

Outra Parte de Mim

“Uma Parte de Mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma Parte de Mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma Parte de Mim pesa, pondera: outra parte delira.”  Ferreira Gullar
Verso:
Uma Parte de Mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma Parte de Mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma Parte de Mim pesa, pondera: outra parte delira.”
Ferreira Gullar

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Quando Você For Embora

Versos e Poesias 

Quando você for se embora, moça branca como a neve, me leve.
Cantiga Para Não Morrer  - Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve. 

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração. 

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar. 

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Ferreira Gullar

terça-feira, 10 de julho de 2012

O que se foi - Ferreira Gullar

O que se foi se foi.
Se algo ainda perdura
é só a amarga marca
na paisagem escura.

Se o que se foi regressa,
traz um erro fatal:
falta-lhe simplesmente
ser real.

Portanto, o que se foi,
se volta, é feito morte.

Então por que me faz
o coração bater tão forte? 

                                       Ferreira Gullar

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Digo sim - Ferreira Gullar


Poderia dizer 
que a vida é bela, e muito, 
e que a revolução caminha com pés de flor 
nos campos do meu país, 
com pés de borracha 
nas grandes cidades brasileiras 
e que meu coração 
é um sol de esperanças entre pulmões 
e nuvens

Poderia dizer que meu povo 
é uma festa só na voz de 
Clara Nunes 
no rodar 
das cabrochas no carnaval 
da Avenida. 
Mas não. O poeta mente.

A vida nós amassamos em sangue 
e samba 
enquanto gira inteira a noite 
sobre a pátria desigual. A vida 
nós a fazemos nossa 
alegre e triste, cantando 
em meio à fome 
e dizendo sim 
- em meio à violência e a solidão dizendo 
sim - 
pelo espanto de beleza 
pela fama de Tereza 
pelo meu filho perdido 
neste vasto continente 
por Vianinha ferido 
pelo nosso irmão caído

pelo amor e o que ele nega 
pelo que dá e que cega 
pelo que virá enfim, 
não digo que a vida é bela 
tampouco me nego a ela: 
- digo sim

Ferreira Gullar

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Estranheza do mundo - Ferreira Gullar

Olho a árvore e indago: está aí para quê?
O mundo é sem sentido
quanto mais vasto é.
Esta pedra esta folha
este mar sem tamanho
fecham-se em si,
me repelem.
Pervago em um mundo estranho.
Mas em meio à estranheza
do mundo, descubro
uma nova beleza
com que me deslumbro:
é teu doce sorriso
é tua pele macia
são teus olhos brilhando
é essa tua alegria.
Olho a árvore e já
não pergunto "para quê"?
A estranheza do mundo
se dissipa em você.

Ferreira Gullar

sábado, 24 de março de 2012

As armadilhas - Ferreira Gullar


No mundo há muitas armadilhas
e o que é armadilha pode ser refúgio
e o que é refúgio pode ser armadilha

Tua janela, por exemplo,
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos quase, Tomás Bequimão 
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)

No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida pouca
que a vida né louca
E por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para  acabar com tudo, já
que a vida é louca?

Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
que não sabe
que afoito se estranha à vida e quer
a vida
e busca o sol, a bola, fascinado vê
o avião e indaga e indaga.

A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.
E não te mataste, essa é a verdade.

Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula de Gagárin foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais
te matar
e aguentarás até o fim.

O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que podiam sozinhos
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje

A estrela mente
o mar sofisma. De fato,
o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.

Ferreira Gullar In Novos Poemas

terça-feira, 20 de março de 2012

Doída alegria - Ferreira Gullar

Durante anos
foi a minha constante companhia
aonde eu estava
ele vinha
e ronronando
em meu colo se acolhia

Até que um dia...

Faz anos já que a casa está vazia

Mas eis que
inesperado
ele de novo chega
e se deita a meu lado

Não me atrevo
a olhá-lo
pois é melhor não vê-lo
que não vê-lo

Nada pergunto
apenas vivo
a doída ilusão
de tê-lo junto

Ferreira Gullar

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cantiga para não morrer - Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.



Ferreira Gullar

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aprendizado - Ferreira Gullar

Do mesmo modo que te abriste à alegria 
abre-te agora ao sofrimento 
que é fruto dela 
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo 
que da alegria foste 
ao fundo 
e te perdeste nela 
e te achaste 
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas 
e em tua carne vaporize 
toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta. 

Ferreira Gullar

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A vida bate - Ferreira Gullar

Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino
ó verdade, ó fome
de vida!
O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
Mas vista
de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
carnadura de pânico: as
pessoas que vão e vêm
que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
sangue urbano
movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheias de vozes
e ruínas . És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos
carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração,
eu sei,
a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.
Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que me sustenta
esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina.

Ferreira Gullar

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um pouco antes - Ferreira Gullar

Quando já não for possível encontrar-me
em nenhum ponto da cidade
ou do planeta
pensa
ao veres no horizonte
sobre o mar de Copacabana
uma nesga azul de céu
pensa que resta alguma coisa de mim
por aqui
Não te custará nada imaginar
que estou sorrindo ainda naquela nesga
azul celeste
pouco antes de dissipar-me para sempre

Ferreira Gullar

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