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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Aprender sem julgar - Ana Cristina Vargas

Do mal nascerá o bem, isso está na natureza. Quando saboreamos uma deliciosa fruta, não lembramos a semente lançada ao esterco que apodreceu nas entranhas da terra e lutou para vir à luz. Esquecemos as raízes que se alimentam de detritos. Não associamos a fruta deliciosa com o estrume. Esse passado é relegado, mas é assim que a natureza opera, são as transformações necessárias. Quem esquece isso se perde no orgulho.

As leis da natureza regem as ocorrências da vida moral e espiritual.

Pessoas que negam a unidade da Criação creem-se seres à parte, criam conceitos e explicações que incutem culpa e menosprezo, rotulam sentimentos e vivências alheias destituídos de compreensão, agem como se fossem inquisidores da moral. Esquecem que tudo se transforma. Condenam sem pensar, o que é pior quando alimentam preconceitos ou ideias que são jaulas de tortura para os que os cercam, e renunciam ao livre exame, em que deveriam dizer: "Quem sou eu para contestar o fulano?". Isso é falta de amor a si mesmo.  É esquecer o próprio valor e que as nossas verdades, capacidades e sentimentos são uma experiência pessoal, intransferível.

O que vem de fora precisa ser confrontado em nosso íntimo, discutido e debatido, selecionado; deve-se reter o que é bom. Viver orientações que nos distanciam da nossa verdade é sofrimento e ilusão. Sócrates dizia: ?O homem livre não deve ser obrigado a aprender como se fosse escravo. As lições que se fazem entrar à força na alma nela não permanecerão?.


Ana Cristina Vargas

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Vidas pré-cozidas - Ana Cristina Vargas

Há dias em que alguns fatos chamam a atenção. Não são novos, ao contrário, são repetidos; lembro que conversei com uma pessoa deprimida.
Tratava-se de uma mulher de 35 anos, com invejável formação acadêmica, mas que não exercia nenhuma das profissões nas quais era habilitada.
Foi casada, há dois anos divorciou-se, sem filhos, bonita e sozinha. Declarou-me que seu desespero era não saber quem era, nem sequer do que gostava. Relatou-me fatos, nos quais era possível perceber que sempre fizera o "esperado", como se cumprisse a programação para qual tinha sido educada.
Uma programação bem ampla, mas que excluía a opção: ser feliz. Não é um caso raro. Ela havia deixado que programassem a sua vida.
Era vítima de si mesma, da falta de uma saudável rebeldia.

Saí daquele encontro pensando nos sentimentos relatados, nas emoções à flor da pele e em desalinho com as idéias ou na falta delas.
Fui ao supermercado ainda pensando na conversa, deparei-me com um enorme balcão refrigerado, em que se costuma encontrar produtos pré-cozidos ou pré-prontos, ou seja, uma variedade de alimentos.
Analisei a quantidade de coisas encontradas pré-prontas, as quais, aliás, aprecio, mas que poderiam conter o lembrete: "O Ministério da Felicidade recomenda seu uso com moderação".

O ministério é fictício, mas o fato é que encontramos quase tudo pré-cozido. Pode-se ingerir desde alimentos até um estilo de vida pré-pronto, pré-pensado, pré-sonhado e isso é altamente prejudicial,
pois resulta em não saber pensar, sonhar e crer por conta própria. Assim, logo faltará força interior e sobrará desconhecimento da própria vontade e do seu poder. Buscarão alguém que venda, pré-pronta, uma vida com garantias de felicidade e que atenda a todas suas exigências e da sociedade.

Esse produto não existe, eis o problema! Existe uma infância pré-pronta, e isso é triste. Compramos bonequinhas, cujo nome é uma grife e já vem com uma história pronta.
Isso não desenvolve a criatividade nem estimula a imaginação, base de uma vida interior futura.
É um sonho pré-cozido, ingerido muito cedo, que impõe aparência, incentiva o ter e a aquisição de colecionáveis. Jogos eletrônicos programados substituem os amigos e as brincadeiras feitas do "nada" ou do muito pouco, como quando uma bola e alguns tijolos viram um grande estádio. As crianças crescem, mas a vida continua com a mesma característica: a de não ser pré-pronta .

Descobrem que o preço de um sonho pré-elaborado, por outra pessoa, é alto demais, é o preço da felicidade, da realização, da individualidade que não foi descoberta, e sim,
encoberta por sonhos pré-prontos, geradores de uma existência pré-cozida, pouco nutritiva para a alma, pois não existimos quando vivemos atendendo a comandos alheios, não importando de onde venham.
Por melhores que sejam as intenções, deixar os outros escolherem por nós é um péssimo caminho. Atender às expectativas alheias pode implicar a perda da segurança pessoal. Há quem viva em aflição, por conta do famoso "o que os outros irão pensar".

Esse "os outros" é um monstro temibilíssimo, bem mais que o bicho papão ou a bruxa malvada, pois quem crê nele, não se livra dos seus mil olhos.
Vigilância externa 24 horas ninguém aguenta, é tortura! A espiritualidade ensina que somos livres e autores de nossa própria vida. Vida que não nos é dada pré-elaborada, para que assim possamos construí-la, sob os sentimentos de felicidade ou infelicidade, mas dia a dia, e de acordo com: nossas crenças; valores; modo de pensar, de sentir e de entender a vida. Liberdade é uma lei natural, fora dela há sofrimento. Seu paralelo é a responsabilidade. É simplesmente divino descobrir-nos como seres livres e responsáveis por nós mesmos, por nossa felicidade e, portanto, como senhores de nossas escolhas. 


Recuse uma vida pré-cozida. Descubra seus talentos e faça sua vida original.
 Ana Cristina Vargas