sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ciranda da memória - Letícia Thompson


O que é a nostalgia senão aquele sentimento que bate lá no fundo e nos faz voltar a tempos que ficaram, se não esquecidos, pelo menos guardados na nossa memória?
Daí o cérebro vai lá nos cantinhos mais profundos da nossa alma e buscam coisas simples e singelas do nosso passado para nos trazer de novo esse ar de criança feliz e arteira. 
Ah! Nossos tempos de criança!..
Tempos em que éramos felizes e não sabíamos; que acreditávamos em papai Noel e tínhamos medo de mula sem-cabeça; 
 tempo da inocência quando acreditávamos poder voar; quando nos sentávamos ao lado dos "mais velhos" e com os olhos arregalados ouvíamos as estórias (ou histórias - nunca nos perguntávamos sobre a veracidade dos fatos!); 
quando sonhávamos ser princesas e que um belo príncipe encantado viria nos fazer feliz para sempre; 
e comíamos doce sem pensar em engordar; fabricávamos nossos próprios brinquedos com latas, madeira e muita imaginação...
Sem telefone, pouca televisão (em preto e branco!) e nenhum computador.
Tempos de brincar de eu sou pobre, pobre, pobre e ainda assim se sentir feliz; de querer brincar de "Ciranda, cirandinha," "Samba-Lelê tá doente" e "Atirei o pau no gato" nos fins da tarde numa grande roda das crianças da vizinhança como se fôssemos uma grande família... 
e ficávamos "de mal" de vez em quando, mas isso passava logo nos jogos de bola ou de pique-esconde.
Subíamos em árvores para roubar manga e goiaba...
Menina brincava de boneca e menino de carrinho. E tínhamos nossos segredos de alta importância com nossa melhor amiga... e nosso coração já sabia bater escondido por aquele menino tímido... e os primeiros bilhetinhos com versos e corações?
E não compreendíamos por que aprender números e letras era tão importante, não nos preocupávamos com dinheiro e menos ainda com política...
Nossas maiores dores eram de joelhos ralados e tombos de bicicleta...
Tempos perdidos na nossa memória e que são revividos quando encontramos um amigo de infância que nos faz lembrar que aquela criança ainda mora dentro de nós.

Letícia Thompson