sexta-feira, 30 de março de 2012

O comum e o extraordinário - Elisabeth Cavalcante

No início de nossas vidas, somos geralmente direcionados para buscar a excelência, sermos sempre os melhores entre os melhores, pois somente deste modo poderemos sair vencedores num mundo altamente competitivo.

Esta premissa nos leva à ilusão de que é necessário que nos transformemos em seres perfeitos, onde a fragilidade, a dúvida e a incerteza jamais tenham lugar.

Ocorre que o erro, a experimentação e as tentativas, são as únicas maneiras de descobrirmos o caminho onde nos sentiremos felizes e integrados com nossa real natureza.

Entretanto, a insegurança gerada pelo excesso de cobrança paralisa e faz com que nos sintamos incapazes sempre que não obtivermos o topo, o lugar mais valioso, de acordo com os valores do mundo.

O ego, que é direcionado por esta ilusão, faz com que muitos seres humanos não consigam valorizar suas pequenas conquistas, por considerá-las inúteis para obter o reconhecimento alheio.

Enquanto seguirmos determinando nosso valor pelos parâmetros exteriores, será difícil atingir um estado de paz, harmonia e equilíbrio, que nos permita experimentar a felicidade a cada dia, simplesmente usufruindo das inúmeras maravilhas existentes no mundo.

Seguiremos ansiosos, depressivos e insatisfeitos, tentando preencher um vazio que nunca se completa, pois tem como diretriz a conquista de coisas absolutamente ilusórias.

É tempo de, finalmente, reconhecermos que o mais extraordinário objetivo da vida é vivê-la em plenitude, desfrutando de cada momento com total entrega, 
e a consciência acerca do valor intrínseco que todos possuímos, não por alcançarmos conquistas extraordinárias, mas pelo simples fato de sermos expressões individualizadas do divino. 

Elisabeth Cavalcante