sábado, 21 de janeiro de 2012

Não sei o que desgosta a minha alma doente - Fernando Pessoa

Não sei o que desgosta
A minha alma doente.
Uma dor suposta
Dói-me realmente.

Como um barco absorto
Em se naufragar
À vista do porto
E num calmo mar.

Por meu ser me afundo,
P'ra longe da vista.
Durmo o incerto mundo.

Fernando Pessoa

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