Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Não Digas Nada !!! Nem Mesmo a Verdade

Versos e Poesias
Não Digas Nada!!!   Nem mesmo a verdade   Há tanta suavidade em nada se dizer   E tudo se entender -    Tudo metade   De sentir e de ver...   Não Digas Nada!!!  Deixa esquecer
Não Digas Nada !!!!
Não Digas Nada!!!  
Nem mesmo a verdade 
Há tanta suavidade em nada se dizer 
E tudo se entender -  
Tudo metade 
De sentir e de ver... 
Não Digas Nada!!! 
Deixa esquecer  
Talvez que amanhã 
Em outra paisagem 
Digas que foi vã 
Toda essa viagem 
Até onde quis 
Ser quem me agrada... 
Mas ali fui feliz 
Não Digas Nada.   
Fernando Pessoa In "Cancioneiro"  

Livro Cancioneiro

Livro Cancioneiro - Fernando Pessoa 

sábado, 29 de setembro de 2018

Versos e Poesias - Fernando Pessoa

Eu Amo Tudo Que Foi

"Eu Amo tudo o Que Foi Tudo o que já não é A dor que já me não dói A antiga e errônea fé O ontem que a dor deixou, O que deixou alegria Só porque foi, e voou E hoje é já outro dia."
"Eu Amo tudo o Que Foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."
Fernando Pessoa In Poesias Inéditas

Livro Poesias Inéditas 

Livro Poesias Inéditas - Fernando Pessoa

terça-feira, 15 de maio de 2018

Mensagem de Boa Noite

Boa Noite !!!!


A Mensagem de Boa Noite de Hoje É de Fernando Pessoa que foi um Poeta e Escritor Português,Hoje considerado um dos maiores Poetas da língua Portuguesa e da Literatura Universal. Em um dos seus milhares de escritos ele escreveu assim:
Noite em joão Pessoa no litoral
Nem sempre um ponto final é um ponto final. É possível, sempre, começar um novo parágrafo, por isso Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca! Se o achar, segure-o

terça-feira, 21 de julho de 2015

Frases e Citações - Alberto Caieiro

O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar, saber ver quando se vê e nem pensar quando se vê, nem ver quando se pensa. Mas isso - tristes de nós que fazemos a alma vestida - isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender...
Alberto Caieiro

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Acordar - Fernando Pessoa

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja.

A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...

Deita-me às mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palácios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.

Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também..

Álvaro de Campos, um dos heterônimos de

Fernando Pessoa

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O mundo rui - Fernando Pessoa

O mundo rui a meu redor, escombro a escombro.
Os meus sentidos oscilam, bandeira rota ao vento.
Que sombra de que o sol enche de frio e de assombro
A estrada vazia do conseguimento?

Busca um porto longe uma nau desconhecida
E esse é todo o sentido da minha vida.

Por um mar azul nocturno, estrelado no fundo,
Segue a sua rota a nau exterior ao mundo.

Mas o sentido de tudo está fechado no pasmo
Que exala a chama negra que acende em meu entusiasmo

Súbitas confissões de outro que eu fui outrora
Antes da vida e viu Deus e eu não o sou agora.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 22 de abril de 2013

E, ó vento vago - Fernando Pessoa

E, ó vento vago
Das solidões,
Minha alma é um lago
De indecisões.

Ergue-a em ondas
De iras ou de ais,
Vento que rondas
Os pinheirais!

                            Fernando Pessoa

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Na véspera - Fernando Pessoa

Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranquilidade a que nem sabe escolher ombros
Por tudo isto, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberado a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre.
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranquilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fitando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita!
É a véspera de não partir nunca!

Álvaro de Campos, um dos heterônimos de

Fernando Pessoa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Se eu morrer novo - Fernando Pessoa


Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.
Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.
Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela unica grande razão -
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraido.

Alberto Caeiro,um dos heterônimos de

Fernando Pessoa

sábado, 15 de dezembro de 2012

Que coisa distante - Fernando Pessoa

Que coisa distante
Está perto de mim?
Que brisa fragrante
Me vem neste instante
De ignoto jardim?

Se alguém mo dissesse,
Não quisera crer.
Mas sinto-o, e é esse
O ar bom que me tece
Visões sem as ver.

Não sei se é dormindo
Ou alheado que estou:
Sei que estou sentindo
A boca sorrindo
Aos sonhos que sou.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

As nuvens são sombrias - Fernando Pessoa



As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.

Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.

E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há.
Fernando Pessoa

domingo, 25 de novembro de 2012

Bendito Seja o mesmo Sol de outras Terras - Fernando Pessoa

Bendito seja o mesmo sol de outras terras 
Que faz meus irmãos todos os homens 
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham 
como eu, 
E, nesse puro momento 
Todo limpo e sensível 
Regressam lacrimosamente 
E com um suspiro que mal sentem 
Ao homem verdadeiro e primitivo 
Que via o Sol nascer e ainda o não adorava. 
Porque isso é natural — mais natural 
Que adorar o ouro e Deus 
E a arte e a moral ... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXVIII" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Uns, com os olhos postos no passado - Fernando Pessoa

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto -
A segurança nossa?  Este é o dia, 
Esta é a hora, este o momento, isto 
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos.  No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos.  Colhe 
o dia, porque és ele.
Fernando Pessoa

sábado, 10 de novembro de 2012

A esperança como um Fósforo inda aceso - Fernando Pessoa

A esperança como um fósforo inda aceso, 
Deixei no chão, e entardeceu no chão ileso. 
A falha social do meu destino 
Reconheci, como um mendigo preso. 

Cada dia me traz com que esperar 
O que dia nenhum poderá dar. 
Cada dia me cansa da esperança... 
Mas viver é esperar e se cansar. 

O prometido nunca será dado 
Porque no prometer cumpriu-se o fado. 
O que se espera, se a esperança é gosto, 
Gastou-se no esperá-lo, e está acabado. 

Quanta acha vingança contra o fado 
Nem deu o verso que a dissesse, e o dado 
Rolou da mesa abaixo, oculta a carta, 
Nem o buscou o jogador cansado. 


Fernando Pessoa

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tenho dó das estrelas - Fernando Pessoa


Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo...
Tenho dó delas.

Não haverá um cansaço
Das coisas.
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?

Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir...

Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão —
Qualquer coisa assim
Como um perdão? 

Fernando Pessoa

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Entre o luar e a folhagem - Fernando Pessoa

Entre o luar e a folhagem,
Entre o sossego e o arvoredo,
Entre o ser noite e haver aragem
Passa um segredo.
Segue-o minha alma na passagem.

Tênue lembrança ou saudade,
Princípio ou fim do que não foi,
Não tem lugar, não tem verdade.
Atrai e dói.

Segue-o meu ser em liberdade.

Vazio encanto ébrio de si,
Tristeza ou alegria o traz?
O que sou dele a quem sorri?
Nada é nem faz.
Só de segui-lo me perdi.


Fernando Pessoa

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Eu desejei tantas vezes que este arremedo de amor - Fernando Pessoa

Eu desejei tantas vezes que este arremedo de amor
Entre nós findasse agora.
Mas nem para mim mesmo consigo fingir
Que uma vez chegado este fim eu chegaria a uma felicidade plena.

Tudo é também partida.
Nosso dia mais feliz também nos torna um dia mais velhos.
Para alcançar as estrelas, temos que ter também a escuridão.
A hora mais fresca é também a mais fria.

Não ouso hesitar em aceitar
Sua carta de separação, no entanto, desejo
Com vago sentimento de ciúme que mal posso rejeitar

Que nos caberia ainda um caminho diferente.
Adeus! Será que devo sorrir diante disso, ou não?
O sentimento agora perde-se em meus pensamentos.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Cessa o teu canto - Fernando Pessoa


Cessa o teu canto! 

Cessa, que, enquanto 
O ouvi, ouvia 
Uma outra voz 
Com que vindo 
Nos interstícios 
Do brando encanto 
Com que o teu canto 
Vinha até nós. 

Ouvi-te e ouvi-a 
No mesmo tempo 
E diferentes 
Juntas cantar. 
E a melodia 
Que não havia. 
Se agora a lembro, 
Faz-me chorar. 

Fernando Pessoa in 'Cancioneiro'

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O quê? Valho mais que uma flor - Fernando Pessoa

O quê? Valho mais que uma flor
Porque ela não sabe que tem cor e eu sei,
Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei,
Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?
Mas o que tem uma coisa com a outra
Para que seja superior ou inferior a ela?
Sim tenho consciência da planta e ela não a tem de mim.
Mas se a forma da consciência é ter consciência, que há nisso?
A planta, se falasse, podia dizer-me: E o teu perfume?
Podia dizer-me: Tu tens consciência porque ter consciência é uma qualidade humana
E só não tenho uma porque sou flor senão seria homem.
Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor...

Mas para que me comparo com uma flor, se eu sou eu
E a flor é a flor?

Ah, não comparemos coisa nenhuma, olhemos.
Deixemos análises, metáforas, símiles.
Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa.
Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela.
Cada coisa só lembra o que é
E só é o que nada mais é.
Separa-a de todas as outras o facto de que é ela.
(Tudo é nada sem outra coisa que não é).


Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quando vier a Primavera - Fernando Pessoa


Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa
in Poemas Inconjuntos