domingo, 8 de julho de 2012

Ciúme de você, ciúme de você - Clarissa Corrêa


Já vi ciúme de todos os tipos, raças, crenças e classes sociais. Ciúme de livro, de roupa, de bichinho de estimação, de mãe, de irmão, de pai, de amiga, de namorado/noivo/marido, de amante, de música.
Já escutei tudo que você pode imaginar a respeito do ciúme. Que ele é tempero de relação. Que ele é prejudicial. Que ele arrasa relacionamentos. Que ele sufoca. Que ele é coisa de gente insegura. Que ele não é saudável.
As opiniões se dividem. E se confrontam. Até acho que as opiniões ficam com ciúme uma da outra. Não sei você, mas vou falar por mim: sou ciumenta até dizer chega. Quando era pequena, tinha ciúme do meu irmão. Ele é dois anos mais velho e sempre achei que ele era mais inteligente, esperto e legal. Isso porque ele era na dele e eu era brigona. Ele sempre soube o que quis, fez escolhas cedo. Fiz as minhas mais tarde, já que demorei algum tempo para decidir o que eu queria da vida. Achava isso um erro. Por isso, tinha ciúme de uma coisa que eu nem entendia direito. Quando cresci que esse ciuminho era bobo e não fazia o menor sentido. E que tudo bem se a gente não sabe hoje, agora, neste momento o que quer. Ninguém é obrigado a ter todas as respostas em um potinho.
É, o ciúme faz isso com a gente. Ficamos burros, meio cegos, quase loucos. Pode parecer banal o que vou dizer, mas nada nos prejudica se tiver um limite. O excesso é que nos mata lentamente. Se eu tivesse duas doses de ciúme e duas pedrinhas de gelo, tudo bem. Mas de vez em quando meu ciúme transborda. Fico totalmente alcoolizada. Ele toma conta de mim, vira neurose, obsessão. Então, me dou conta, respiro fundo, tento me aquietar e penso: para. Para com isso. Para e pensa. Para e olha. Para já! Dou uma auto-chacoalhada (de vez em quando a gente precisa).
Não dá pra deixar ele tomar conta. Mesmo porque não existe exorcismo para ciúme (se existe ninguém me avisou). Não dá pra dar trela para o danado. Ele é o diabinho que fica dentro da cabeça da gente. Se der corda, ferrou. Ele faz a gente pensar besteira, além de dar Biotônico Fontoura para os pensamentos ruins. Quando a gente vai ver uma coisa que era pequena se transformou em gigante. Num piscar de olhos. Num simples pensamento bobo. O que era inofensivo vira patologia. O que era um sussurro vira gritaria. O que era pra ser simples pode virar uma baixaria sem tamanho.
A gente tem que ficar atento. Quando o ciúme começa a atrapalhar a relação com os outros, quando interfere no dia a dia, quando nos causa prejuízos diversos é bom procurar ajuda. Um terapeuta floral, psicólogo, psiquiatra, sei lá. Qualquer pessoa que ofereça auxílio. E traga alguma paz. Porque a gente precisa de serenidade para viver. Já basta toda a insanidade desse mundo.
 Clarissa Corrêa
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