quinta-feira, 19 de abril de 2012

Vai pro banco de reserva ou vai entrar em campo?!? - Rosana Braga

Para deixar de ser vítima é preciso compreender que só não há saída para quem escolhe a estagnação, prefere a insistência diante da dor, a recusa em transformar-se, em superar-se.

Acontece que muitos se revelam e correm para reforçar sua condição de sem saída quando algo acontece sem que tenha previsto. Provavelmente não se dão conta, mas pense comigo:
Quantas pessoas você já viu sofrendo indefinidamente ou se privando do amor por conta de uma traição que sofreu?
Quantas pessoas você já viu definhando de dor por conta de ter perdido seu amor?
Quantas pessoas você já viu se perdendo de si mesmo para o resto de sua vida porque o outro foi embora depois de 30 anos de casamento?
Quantas pessoas você já viu mergulhadas numa depressão violenta por conta de uma crise na relação, por terem sofrido perdas financeiras e materiais ou por se julgarem abandonadas?
Quantas pessoas você já viu que se recusam a se divertir, sair de casa, rir e ser feliz porque se consideram injustiçadas, seja por um defeito físico, seja por não corresponderem ao modelo de beleza ditado pela cultura em que vivem?

O que é isso senão uma revolta latente contra aquilo que não conseguiram controlar? O que é isso senão a imaturidade de se fazerem de vítimas e, ao mesmo tempo, arrogantes o suficiente para achar que podem decidir o futuro da humanidade o seu próprio futuro ou o das pessoas que amam?

Pelo amor de Deus, não estou dizendo que tudo isso seja fácil e simples de se superar e que os sentimentos experimentados não devam ser considerados. Estou apenas dizendo que há um tempo de sofrer, um tempo de aprender e um tempo para compreender que tudo isso faz parte da nossa condição humana. Precisamos voltar à vida depois da dor...

Não podemos controlar tudo! Não temos condições para isso! Olha só... as pessoas que amamos podem morrer a qualquer momento, podem nos trair a qualquer momento, podem deixar de nos amar a qualquer momento, sem que nada possamos fazer para mudar isso, exceto agir de modo coerente com nossos sentimentos.

A despeito de seus planos, algo inesperado pode acontecer. E isso não o faz mais ou menos vítima das imprevisibilidades da vida e do amor.
É o modo como cada um reage à imprevisibilidade que o faz mais maduro ou menos maduro, mais consciente ou menos consciente. E tem mais: é o modo resiliente e humano com que lidamos com estes imprevistos que reafirma o nosso compromisso dentro de uma relação.

Quando era adolescente, um fato terrível aconteceu, chocando a mim, meus amigos e todos os demais que souberam daquela tragédia. Minha melhor amiga tinha uma tia de 18 anos, linda, linda mesmo, sem exagero! Pois essa tia, ao brigar com o namorado, quis passar-lhe um corretivo. Sentindo-se rejeitada por ele, considerou injusta a briga e decidiu saltar do Viaduto do Chá, no centro da cidade de São Paulo.

Eu não sei qual era a intenção dela. Disseram que era apenas se machucar e provocar nele algum sentimento de culpa. A intenção dela pouco importa. O que importa é que ela não estava madura o bastante para aceitar que a atitude do namorado dela poderia não ser a que ela desejava. Esta foi a escolha dela! Esta foi a reação dela diante de uma circunstância que ela não esperava.

Você não é, certamente, ingênuo a ponto de acreditar que este é um caso isolado. Sabemos que milhares de pessoas cometem suicídio depois de brigar com o parceiro. Pode até parecerem reações descabidas, mas as pessoas cometem insanidades absurdas quando atuam feito coitadas. 

Veja bem: pessoas inconformadas, revoltadas e que não aceitam o fato de que não têm o controle sobre tudo existem aos montes, em toda a parte. Nós mesmos - eu e você - quantas vezes nos rebelamos quando o outro não age conforme esperávamos? 

Provavelmente você nunca cometeu tamanha insanidade, mas é bem possível que tenha se submetido a uma tortura mental, ao peso de uma culpa absurda, alimentando autocríticas para se ferir e tentar se convencer de que a vida é realmente muito injusta com você.

Mas o fato é que não importa o quanto você se sinta injustiçado, continuarão existindo mentiras, enganos, traições, mortes, desentendimentos, assim como não importa o quanto você se feche para a vida ou se rebele contra ela, continuarão existindo alegrias, outras oportunidades, grandes aprendizados e sempre (sempre!) uma razão para que a vida valha a pena.
E bastaria que você saísse do banco de reservas da vida e entrasse em campo para jogar pra valer... e teria de volta a esperança, a vida e o amor!



Rosana Braga
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