segunda-feira, 26 de março de 2012

Autopiedade, fuja dessa armadilha - Patricia Gebrim


Tem coisa pior do que gente que só vive se lamentando? Como amebas gigantes, reclamam de tudo e de todos, como se o mundo fosse o responsável por seu infortúnio. Caracterizados como vítimas, falam mole e se arrastam para lá e para cá como se não tivessem forma, deixando um rastro melequento por onde passam. Falta-lhes energia no mesmo tanto em que lhes sobra criatividade para encontrar responsáveis por seu terrível destino. Claro, o culpado é sempre “o outro”! O outro que o enganou, que o traiu, que o aviltou. O outro que o tratou mal por anos. O outro que mentiu, manipulou, ludibriou.

Não que não possa acontecer, afinal o mundo está cheio de “outros” sem escrúpulos. Mas, por mais que o outro tenha sua parcela de responsabilidade, de que adianta ficar interminavelmente se arrastando por entre os cacos de algo que um dia você acreditou ser real? O máximo que conseguirá será continuar se ferindo, cortar os pés, adiar ainda mais a sua capacidade de caminhar pleno e ereto por sua própria vida. Pense por um momento naqueles momentos em que tudo deu errado. Tenha sido você roubado, traído ou enganado; acredite, não vai ajudar nada entregar-se à tristeza e a autocomiseração. De que vai adiantar passar tempo demais chorando pelos cantos e se sentindo a maior vítima de todo o universo?

Não!

Se isso aconteceu, se você se deu mal, chore sim. Algumas coisas são realmente difíceis e nos pegam pelas entranhas. Chore uma noite inteira se precisar. Uma semana, por todas as horas de cada dia. Sinta toda a pena do mundo de si mesmo. Acabe com seu estoque de lágrimas...

Mas depois se levante! Erga a cabeça e tente perceber qual foi a sua parte nessa experiência tão horrorosa. Em que momento você desrespeitou os sinais, fingiu que não viu? Em que momento você foi impulsivo demais, ansioso demais, cego demais, crédulo demais, ingênuo demais? Em que momento você simplesmente não avaliou a situação como poderia? Não importa o quanto tenha se ferido com a situação, chega uma hora em que você tem que se erguer, sacudir a poeira, aprender com o que aconteceu e seguir em frente! Assuma a sua parte nessa criação e transforme o poço de lamentações pessoais em uma fogueira.

Que a fogueira seja bem quente! Antes sentir raiva do que afogar-se nas próprias mágoas.

Existe uma raiva que chamo de raiva boa. Essa raiva é uma energia que nos sacode por dentro e nos ajuda a seguir em frente. Que faz com que lutemos pelo que de verdade importa, por nós mesmos, por nossa dignidade. A raiva de que falo não é aquela que voltamos de forma imatura contra as pessoas. Não se trata de agredir ninguém! Trata-se daquela raiva que nos motiva, que nos move e nos tira de situações difíceis ou perigosas. Nos faz retomar a nós mesmos, reunir os pedacinhos e nos reconstruir de forma mais verdadeira.

A raiva boa nos transforma de um pedaço disforme de argila meio aguado em uma obra de arte vibrante, cheia de personalidade e vida!

Se você estiver se sentindo como a argila, sentindo pena de si mesmo, escorregando em lamúrias, derretendo-se, sem conseguir sequer ficar em pé; esquente o forno agora mesmo!

Acenda as labaredas da vida e permita que o fogo opere em você sua alquimia, transformando o cobre em ouro, a argila em arte e a autopiedade em uma vibrante capacidade de reinventar a si mesmo!

Renasça.
Patricia Gebrim

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