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domingo, 23 de fevereiro de 2014

É possível ser generoso sem ser lesado pelo outro? - Patricia Gebrim

Eu sonho com um momento planetário onde exista mais amor. Onde as pessoas se lembrem que possuem taças douradas que transbordam de seus peitos.

Hoje em dia estamos todos doentes. Doentes de alma. Doentes de esquecimento. Nos esquecemos daquilo que é fundamental. Nos esquecemos que somos todos divinos e que dentro de nós existe algo que vale mais do que o maior diamante do mundo, maior do que o que quer que exista de mais valioso no mundo... 

Dentro de nós existe o nosso próprio Ser... belo, dourado e infinito.
Dentro de nosso peito existe uma taça de onde brota um rio de interminável vida, acreditem. Nós poderíamos alimentar infinitos planetas com essa energia, somos prósperos e ricos em nossa essência, todos nós. Mas como não sabemos disso, tudo o que somos capazes de sentir é um vazio assustador no peito, e para preencher esse vazio que tanto nos angustia, como se fôssemos viciados em drogas, fazemos qualquer coisa. Usamos e lesamos as outras pessoas ... como se pudéssemos preencher o buraco dessa forma. 
No fundo as pessoas se sentem vazias e acreditam que a única forma de obter algo é retirando isso de outro alguém.
Olho ao redor e cada mais vejo que se tornaram comuns as relações baseadas no uso, movidas por intenções meramente egoístas, onde o tratamento que as pessoas oferecem ao outro depende do que esse outro possa lhes oferecer. Hoje é comum que as pessoas tratem bem a quem pode lhes trazer algum tipo de ganho, seja o acesso a pessoas influentes, a cargos, ingressos VIP, ou o que quer que seja. 
Vejo o tempo todo que as pessoas riem para quem não querem, adulam quem não merece, permitem quem deveria ser impedido; tudo em troca de ganhos pessoais. E assim se dissemina uma rede nociva de sangue-sugas profissionais, validados por cada um de nós, que lhes oferecemos de bom grado um bom tanto de nosso sangue em troca de ... sei lá o quê? 
_ Fui generoso e acabei sendo usado!_ eu já ouvi isso tantas vezes. Se aconteceu a você não se sinta mal. Às vezes acontece, mesmo aos mais atentos. Os nobres de coração têm a frágil ilusão de que todos são como eles, tornando-se presas fáceis aos predadores, sugadores profissionais. E generosamente permitem que suas riquezas sejam roubadas, suas casas invadidas, suas vidas profanadas. Quando se dão conta do ocorrido resta ainda a vergonha por ter-se deixado enganar.
Ouçam generosos: Sejam inocentes, sim; mas é urgente que percam a ingenuidade!
Se você é uma dessas pessoas generosas que vivem sendo lesadas, compreenda de uma vez por todas: nem todas as pessoas merecem aquilo que você tem para dar. Aprenda a diferenciar os verdadeiramente necessitados dos vampiros profissionais. Aprenda a observar um pouco mais as pessoas antes de lhes oferecer seu melhor, antes de abrir o peito em suave entrega. Dê de si mesmo sim, mas “apenas a quem lhe merecer”. Repito, pois é urgente que você compreenda: NEM TODOS MERECEM O SEU MELHOR. Alguns merecerão só um pouquinho, outros nada merecerão.
Aprenda que neste planeta existe tanto o bem quanto o mal. Você precisa estar atento e saber diferenciá-los. Não espere que o mal apareça vestindo roupa vermelhas, adornado com tridentes e chifres, segurando uma plaquinha com a palavra “diabo”! Muitas vezes o mal se veste de gentil cordeirinho. Muitas vezes o mal nem mesmo é consciente de sua maldade, nem por isso deixando de ser maldoso. Muitas vezes uma pessoa lhe faz mal por pura inconsciência, mas até mesmo dessas pessoas é preciso que você aprenda a se defender. (Você ficaria na frente de uma criancinha de 2 anos de idade que estivesse com uma arma carregada nas mãos querendo brincar de mocinho e bandido com você?)
De seu peito verte o néctar da vida, a cada instante, num fluir ininterrupto que pode instantaneamente trazer calor e nutrição. Mas saiba a quem oferecer desse néctar. Saiba cuidar de si mesmo em primeiro lugar. Não permita mais que as pessoas lhe roubem o que existe para ser doado de bom grado. 
Você não ajudará a ninguém permitindo que isso aconteça! 
Pelo contrário, ao se permitir ser lesado ou profanado você ajuda aquela pessoa a acreditar que você tem algo que ela não tem. Isso não é verdade.
Todos nós possuímos essa riqueza dentro de nós. 
Quando compreendermos isso, não fará mais sentido algum tentarmos roubar nada de outro alguém.
Quando compreendermos isso os jogos do “egoísta que lesa” e do “generoso que se permite ser lesado” deixarão de fazer sentido e todos estaremos livres para viver relações mais sadias, que incluirão trocas equilibradas, respeito e amor.


Patricia Gebrim

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Se eu sei o que devo fazer, por que não faço? - Patricia Gebrim

"Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente do que foi lá atrás"Muitas vezes em nossas vidas sabemos exatamente como deveríamos agir ou nos comportar, e ainda assim nos sentimos incapazes de fazer o que deve ser feito. 

Como se fios invisíveis nos amarrassem e aprisionassem, limitando nossos movimentos, só nos resta a sensação de impotência, um gosto amargo de frustração e a repetição de cenas já conhecidas que nos impedem de ir em direção à felicidade.
Como se fôssemos prisioneiros de nós mesmos, ficamos lá, paralisados, embora tudo em nós grite:

- Mova-se!

Quem já se sentiu assim sabe o quanto é difícil.

- Se sabemos que devemos nos mover, por que não seguimos adiante?

É a pergunta que não nos deixa dormir em paz.

É claro que se fôssemos seres puramente racionais, nada disso aconteceria. É facil resolver as coisas no campo da teoria e daquilo que é meramente racional:

- Esse relacionamento lhe faz mal? Então deixe-o e busque algo mais saudável... Parece simples não?

Mas o fato é que não somos só uma cabeça que pensa e analisa. Somos também seres emocionais, como se dentro de nós existisse um lago feito das mais diversas emoções. A nossa cabeça pensante é como uma pedra lá no meio do lago, muitas vezes parcialmente submersa, outras vezes totalmente coberta pelas emoções, a ponto de nem mesmo conseguirmos enxergá-la.

Lago das emoções 

O lago das emoções começa a surgir muito cedo na vida, a partir de nossas primeiras interações com o mundo que nos cerca. Esse lago é formado por tudo o que sentimos, desde a infância até hoje. Assim, diferentemente do lado racional que se baseia em analisar a compreensão dos fatos, num entendimento lógico do mundo; o nosso lado emocional é feito de uma mistura confusa de sentimentos. Lá no seu lago está o que você sentiu quando alguém brigou com você pela primeira vez na vida, está o seu medo do escuro, a raiva do coleguinha que grudou chiclete no seu cabelo, a tristeza que sentiu quando seu gatinho morreu, a alegria de andar na sua bicicleta nova e tantos outros sentimentos. A partir desses sentimentos, sem se dar conta, você foi aprendendo a reagir ao mundo.

O saudável seria que razão e emoção conversassem entre si e que ambas tivessem espaço em nossas vidas, em nossas decisões. Mas se o lago transborda, se a sua razão se torna uma pedra submersa, lá no fundo, tão no fundo que você mal consegue ver... então a emoção se tornará a condutora de sua vida. E a sua emoção irá sempre pelo caminho já demarcado anteriormente. Como um rio, que segue sempre pelo leito escavado na terra, a água flui por onde já passou muitas vezes, instituindo a repetição como regra em nossas vidas. E assim ficamos lá, repetindo, repetindo, repetindo.

Para que você entenda de forma prática, imagine que quando criança você sempre tenha se sentido menosprezado por seus coleguinhas na escola. Você aprendeu lá atrás a sentir-se frágil, pequeno, indefeso e inferior. A sua emoção continuará fazendo com que você se "sinta" assim. Mesmo que hoje você tenha crescido, se tornado muito forte, capaz e mais poderoso do que qualquer um de seus ex-coleguinhas; se você se deixar guiar pela emoção, talvez evite entrar em situações de confronto, esperando perder, como acontecia no passado.

MEDO (BASEADO EM EXPERIÊNCIAS PASSADAS) + GENERALIZAÇÃO = PARALISIA

Em geral ficamos paralisados porque somos prisioneiros de um passado, de uma visão distorcida de nós mesmos que nega a verdade de nosso ser.

Ficamos paralisados porque sentimos medo. Pense por um instante:

- O que você teme?

Fora alguns medos que são inatos (presentes desde o nosso nascimento e que tem a função de preservar a nossa integridade física), a maioria de nossos medos relaciona-se às nossas experiências passadas (por exemplo, um dia você foi rejeitado ao tentar brincar com um grupo de coleguinhas, e a partir daí se retraiu e passou a temer se expor em relações sociais).

Nossas emoções tendem a generalizar indevidamente as experiências que vivemos. Assim, o medo somado às generalizações acabam nos aprisionando.

- "Um dia foi assim , logo... acontecerá assim novamente!"

Para sair dessa prisão precisamos correr o risco de testar a vida novamente. Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente do que foi lá atrás.

É o seu racional que pode lhe ajudar a enxergar quem você é hoje. O seu racional poderá lhe fazer raciocinar, perceber que hoje você é um adulto bem diferente daquela criança que foi. O seu racional pode lhe mostrar fatos que comprovem sua capacidade e pode instigar você a testar o mundo com base no presente, e não no passado.

Assim, se você se encontra paralisado em alguma situação da sua vida, faça uma lista prática de todos os medos que consegue associar a essa questão, e depois, racionalmente, perceba se existem experiências passadas associadas a eles. Avalie se esses medos são reais ou são generalizações de experiências passadas. E enfrente-os! Comece pelos mais fáceis, até que vá se sentindo mais seguro e confiante. 

Você é capaz de mudar sua vida. Não desista. Mova-se!


Patricia Gebrim

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fugir do negativismo pode mudar a vida - Patricia Gebrim

Eu não sei se você já reparou, mas às vezes parece que todo mundo ao nosso redor começa a enxergar tudo cinza.

De repente, reclamar da vida virou consenso geral. As pessoas reclamam do trânsito, da correria, da crise, do tempo, de tudo. E se não percebemos, acabamos entrando para o time, colaborando para expandir ainda mais essa onda sombria que vai cobrindo nossas cabeças, nublando a luz do sol.

Não se trata de fingir que as coisas não acontecem, mas de que adianta ficar reproduzindo essa visão negativa do mundo, como se fôssemos um gravador mal -assombrado recriando o arrastar de correntes fantasmagóricas por onde quer que passemos?

As nossas palavras, e os nossos pensamentos são como sementes. A partir do momento em que as trazemos para fora, semeamos o terreno ao nosso redor. Num primeiro momento as sementes ficam lá quietas, como se estivessem mortas, como se não tivessem vida própria. Mas elas têm! Na medida em que continuamos alimentando-as, elas crescem, ficam cada vez mais fortes, frutificam e povoam nossas vidas.

Preste muita atenção ao que você tem plantado ao seu redor, pois será com isso que você terá que conviver num futuro próximo, bem como as pessoas que vivem perto de você.

Não parece difícil entender que uma pessoa que tenha uma visão negativa de tudo acabe plantando um jardim sombrio ao seu redor. Nele florescem horrendas trepadeiras de tristeza, plantas rasteiras cheias de desânimo, vários tipos de ervas daninhas: inveja, ódio, ressentimento. E pior... o triste jardim, uma vez criado por nós, ganha vida própria. Pragas proliferam, espinhos surgem e ele vai se tornando cada vez mais intransponível à medida em que as plantas carnívoras ganham força e se alimentam de qualquer possibilidade de otimismo que ouse se aproximar.

Assim, perpetuamos em nossa vida essa visão sombria do mundo, sem nos dar conta do quanto colaboramos para sua criação.

Não importa o que digam as pessoas ao seu redor, assuma a responsabilidade pelo seu jardim. Arranque, corajosamente, as ervas daninhas. Prefira o vazio fértil de uma terra virgem feita de silêncio à essa profusão de negatividades ao seu redor. Escolha o que quer perto de você, rodeie-se de beleza. A beleza nos reconecta à leveza fluida da nossa alma, nos dá asas de borboleta, enfeita nosso jardim. Escolha belas palavras e bons pensamentos, cada um deles será como sementes de flores lançadas sobre a terra ao seu redor. Em breve um campo florido surgirá, trazendo cor e perfume para a sua vida.

Você ainda terá um ganho adicional... amigos e bons relacionamentos. Afinal, quem não se sente atraído pela beleza de um jardim florido? E com as pessoas vêm oportunidades, e abertura na vida, e conforto, troca, carinho, amor. Não é tão difícil constatar que quando escolhemos olhar para o que de belo existe, atraímos mais beleza.

Assim, não siga a onda sombria que vem se espalhando, principalmente nos grandes centros urbanos, e que faz com que as pessoas obtenham um prazer mórbido em reclamar da vida. Mesmo sabendo que dificuldades existem, alimente o que de belo existe ao seu redor. Aguce seu olhar, não é tão difícil encontrar coisas boas para se falar ou pensar.

Seja um ponto luminoso na escuridão de nossos dias e perceba que essa simples mudança de enfoque pode mudar não só a sua vida, mas a de muitos a seu redor.

Patricia Gebrim

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O que fazer quando tudo dá errado em noss vida? - Patricia Gebrim


A vida é irônica às vezes... como se estivesse entediada, às vezes a vida nos prega peças, nos pega de surpresa. De um momento para outro, sem avisar, invade nossa casa, sacode tudo e de repente nos percebemos de pernas para o ar.

Num supetão nossos planos são frustrados, nossos sonhos são roubados e a gente fica lá, com cara de tacho, tentando encontrar alguma lógica no que parece não ter sentido algum.
São muitos os sentimentos que nos visitam nessa situação. Frustração, raiva, tristeza. Vem também um cansaço, afinal tínhamos dado o nosso melhor, tentando finalmente acertar! Tínhamos nos esmerado em fazer tudo certo, como manda o figurino, colocado em nossa vida as melhores intenções, cheios de planos de sucesso e felicidade. E de repente tudo ruiu bem em frente aos nosso olhos, mil pedacinhos espalhados aos nossos pés... uma vez mais.

Haja força para sermos capazes de levantar de novo, sem perder o senso de humor, haja coragem para sermos capazes de continuar, sem jogar a toalha, sem cair no tentador papel de vítima. Aliás, tem coisa mais chata do que gente que se vitimiza?
Quem não se lembra da pessimista hiena Hardy do desenho animado?:

Oh Céus... Oh vida... Oh azaaaar...

O que ajuda em momentos assim?
Vou lhes dizer... não é fácil, mas ajuda se formos capazes de concordar em mudar de rota sem perder a confiança na vida, se formos capazes de abrir mão de nosso roteiro tão milimetricamente planejado, se cedermos ao fato de que muitas vezes as coisas seguem por caminhos inesperados que não poderemos prever ou controlar. Se arriscarmos pensar que, talvez, exista um sentido escondido por trás dos cacos, por trás da aparente falta de sentido. Se formos capazes de fazer isso, talvez consigamos encontrar a força para recomeçar.
Momentos assim requerem jogo de cintura, criatividade, leveza. Mas nada disso vem se não tivermos sabedoria.

Sem sabedoria levamos tudo a sério demais. Por isso se diz que os sábios se aproximam das crianças. Pois, tal como as crianças, os sábios sabem que neste mundo nada é definitivo. Os sábios, tal como as crianças, encaram os imprevistos da vida como uma chance de brincar de algo diferente. Muitas vezes, sem sabedoria, nos fixamos no momento presente e esquecemos de que aquele momento é apenas um pedacinho de um quadro muito maior. Nos esquecemos de que, muitas vezes, o que parecia um verdadeiro desastre era, na verdade, um movimento protetor, nos empurrando em direção a um lugar muito melhor.

Acredite no que digo ou não, a verdade é que só lhe restam duas opções.
Desistir, como fazia a hiena do desenho, que sempre dizia : “ isso não vai dar certo!”.
Ou bater a poeira e recomeçar. Com sabedoria. Para onde tiver de ser. Para onde a vida nos permitir continuar a caminhar!
Sempre existe um caminho a ser trilhado, e acreditem, o importante não é chegar a algum lugar específico, e sim sermos capazes de manter a alegria ao caminhar, seja lá para onde for!
Patricia Gebrim

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Expectativa de perfeição destrói o relacionamento - Patricia Gebrim

Perfeição só existe em filmes e em contos de fadas. Quanto tempo ainda levaremos para compreender isso? 


Os relacionamentos são um espaço de crescimento, existem para trazer à tona, em cada um dos parceiros, aquilo que precisa ser transformado, melhorado, curado. Assim, pressupõe-se que um relacionamento precise ser necessariamente imperfeito para cumprir sua função.

Uma relação perfeita, sem atritos, sem discordâncias, de nada serviria no sentido de proporcionar um espaço evolutivo onde cada um dos parceiros acabará por se transformar em alguém melhor.

Parece óbvio, mas não é o que se observa no dia a dia. Olho ao redor e vejo nos casais o desejo imaturo de encontrar no relacionamento um espaço feito unicamente de leveza, prazer e divertimento. É verdade que no começo costuma ser assim. Mas na medida em que a relação se aprofunda, começam a vir à tona aspectos mais profundos, muitas vezes sombrios, de cada um dos parceiros.

Não é difícil amar nossa luz, nossa alegria, nossas partes mais belas. Difícil mesmo é amar uma pessoa por inteiro. Luz e sombra. Qualidades e defeitos. Amar o SER, de verdade, a carne nua e crua, que é o material de que somos feitos, todos nós. Não há um único ser humano perfeito circulando por aí. Somos todos falhos, com áreas a serem transformadas, com desafios que os relacionamentos trazem à tona. O momento do surgimento da sombra é quando a maior parte dos relacionamentos entra em uma espiral autodestrutiva.

A boa qualidade de um relacionamento é diretamente proporcional à capacidade de seus integrantes de aceitarem, acolherem e lidarem com os aspectos sombrios que, cedo ou tarde, aparecerão. É aí que podemos ver se o tão alardeado amor existia de verdade.

Não é fácil lidar com a sombra. “Nossa sombra é feita de pensamentos, emoções e impulsos que julgamos excessivamente dolorosos, constrangedores ou desagradáveis de aceitar. Portanto, em vez de lidar com eles, nós os reprimimos -- e os lacramos em alguma parte de nossa psique (mente), para que não seja preciso sentir o peso e a vergonha que carregamos por conta deles.”fonte: o livro O Efeito da Sombra, Deepak Chopra.

No entanto, não há como estabelecer um relacionamento profundo e duradouro sem que esse espaço onde moram as sombras seja tocado. Inevitavelmente, cedo ou tarde, as sombras surgirão, como fantasmas, a assombrar o relacionamento. Nesse momento há que se fazer uma escolha. Ou os parceiros se unem na tarefa de exorcizar a sombra, ou se permitem ser afastados por ela. Uma relação profunda e verdadeira precisará, necessariamente, passar pelo enfrentamento dessa etapa.

Assim, afirmo que o verdadeiro amor não é para todos. Há que se ter coragem e força para enfrentar a nossa própria escuridão. Há que se ter olhos capazes de atravessar a escuridão alheia em busca da luz que mora dentro desse ser humano, divino e imperfeito, com o qual nos relacionamos. Há que se ser capaz de atravessar as ilusões e, aceitando a realidade, só assim nos tornaremos capazes de encontrar o verdadeiro amor.

“Somente quando temos coragem para enfrentar as coisas exatamente como elas são, sem qualquer autoengano ou ilusão, é que uma luz surgirá dos acontecimentos, pela qual o caminho do sucesso poderá ser reconhecido.”
I Ching
Patricia Gebrim

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Bullying é a tentativa de destruir no outro aquilo que nos incomoda por dentro - Patricia Gebrim

As redes sociais acabam por facilitar o nosso reencontro com o passado. Ao menos é o que tenho vivido nos últimos dias, quando antigos colegas de escola criaram um grupo em uma rede social e estão marcando um reencontro após mais de duas décadas se terem passado. 

Mensagens começaram a surgir. Fotos, lembranças... Impossível não recordar os velhos tempos! De repente ressurgem antigos apelidos e memórias que andavam soterradas sob as infinitas solicitações do dia a dia.

Tudo isso me fez pensar em um tema que, embora não seja atual, apenas recentemente tenha conquistado seu lugar: bullying.

Claro que na minha época também existia. Eu mesma passei pelo suplício de me deparar com a crueldade alheia, acreditem, embora naquela época não existisse um nome para isso. Como na nossa sociedade “o que não tem nome, inexistente é!”, prosseguiam livremente os atos arbitrários de pura maldade, com a anuência e, muitas vezes, colaboração dos adultos, até mesmo de professores. Em minha meninice eu não me cansava de perguntar o que fazia uma pessoa sentir prazer em ferir outro alguém. Que distorção monstruosa era aquela que se apoderava das pessoas? E que cegueira absurda era aquela que fazia com que tantos assistissem sem interferir?

É interessante pensarmos que nem sempre as vítimas de bullying são aquelas que apresentam alguma característica física diferente ou mais evidente. Na verdade são escolhidas como vítimas aqueles que possuem algum tipo de fragilidade, seja física ou emocional. Cabem aqui os mais sensíveis, os tímidos, os emocionalmente fragilizados; ou os que diferem em algum aspecto, e por seu comportamento diferenciado acabam por “incomodar” seus agressores.

Já os praticantes de bullying, tem um perfil diferente. Sentem prazer de ver e sentir o desprazer do próximo. Buscam a aprovação do grupo a qualquer custo. Fazem uso da fragilidade alheia para se sentirem com um controle e poder que, na certa, há muito escapara de suas mãos na vida. Bullying é um ato consciente, hostil, repetitivo e deliberado que tem um objetivo: ferir os outros e angariar poder através da agressão.

Adultos, envolvam-se

Pensando nisso tudo, me dei conta do quanto nós, adultos, precisamos nos comprometer e ficar presentes juntos aos nossos filhos, não importa o lado que ocupem nesse triste espetáculo que destrói tanta gente.

Se forem eles vítimas de crueldades, se estiverem sendo atacados verbal ou fisicamente, se estiverem sendo excluídos do grupo, se estiverem recebendo ameaças ou sofrendo com gozações, insultos e apelidos maldosos, se tiverem seus pertences roubados ou destruídos... Saiba que estarão se sentindo extremamente sós, confusos, provavelmente acreditando que deva de fato existir algo de errado com eles, algo que justifique tanta agressão. Precisamos nos envolver, ajudá-los a perceber que não merecem aquele tratamento e que não estão sozinhos. Devemos estimulá-los a contar quando tais atos acontecerem e confiar que receberão ajuda dos pais e da escola. Não abandone seus filhos. Não exija que eles resolvam sozinhos essa situação. Feridas assim podem deixar marcas por toda uma vida. Ajude-os. Comprometa-se!

E se forem seus filhos os agressores, não fechem os olhos, eles também precisam de ajuda para lidar com essa distorção que os torna cruéis e destrutivos.

Busque as raízes dessas atitudes, questione, faça com que assumam a responsabilidade por seus atos, não os acoberte. Procure ensiná-los a encontrar dentro deles a parte que pode ser mais amorosa e justa, a parte capaz de respeitar, a parte capaz de perceber a dor que estão causando ao outro. A parte que é capaz de sentir dor quando o outro sofre.

Precisamos ajudar, vítimas e agressores, a se curarem, a reconhecerem tanto sua força quanto a sua fragilidade, a aprenderem que todos nós carregamos em nosso íntimo aquilo que mais incomoda nos outros. Precisamos ajudá-los a reconhecerem e assumirem suas sombras, diferenças e deficiências, sem precisar projetá-las em alguém fora deles, a quem passam a perseguir e querer destruir.

Todo ato de destruição trata-se de uma triste tentativa de matar no outro o que não suportamos em nós mesmos.

Claro que o tempo passa. Aliás, nesta vida, tudo passa. Que bom!

Hoje mesmo olho para trás e mal me reconheço naquela menina tímida e dentuça. Ainda assim, me estendo através do tempo e a pego com carinho no colo enquanto sussurro em seus ouvidos:
- Ei menina... Você não está mais sozinha!

Feliz, ela passa os bracinhos em volta do meu pescoço e seguimos juntas pela vida, com essa espadinha de justiça disfarçada de caneta (ou mouse) em mãos, convidando a todos para uma brincadeira diferente, na qual TODOS, sem exceção, divirtam-se juntos. Na qual o riso de uns não venha à custa da dor ou sofrimento de outros, na qual possamos celebrar juntos a amizade e o companheirismo, aceitando e honrando as diferenças, dando aos nossos companheiros de vida o respeito que todos merecemos ter.

- Quer brincar comigo?

Patricia Gebrim

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Baralho da Criança - Patricia Gebrin


Vida …é que nem um presente embrulhado num papel colorido. Tem gente
que guarda o presente para abrir depois, mas isso é muito sem graca,
legal mesmo é fazer aquela festa, rasgar o papel e abrir o presente…
No presente.
Receba no agora o milagre que é sua vida.
Cura …é quando a gente pega a doença no colo e pergunta o que ela
tem. A gente deixa ela falar e presta muito, muito atenção, e quando
ela termina, já não tem mais nada para curar…
Cure sua vida prestando mais atenção nos aspectos que precisam ser curados.
Magia …é quando a gente deita no sofá e fica sonhando acordado,
imaginando todas as coisas que a gente quer que aconteçam e a gente se
sente tão feliz que até esquece que estava imaginando, e quando a
gente esquece, as coisas acontecem de verdade…
Deixe a imaginação trazer seus sonhos até você…
Respeito …é quando a gente descobre que o outro existe. As vezes a
gente olha para o outro e só consegue ver a gente mesmo e ai a gente
não respeita o outro porque a gente nem sabe que ele está la.
Olhe novamente e redescubra as pessoas ao seu redor…
Solidão …é quando a gente não sabe se gosta da gente então a gente
acha que ninguém vai gostar. Ai a gente se afasta das pessoas, que nem
um bichinho doente, não deixa ninguém chegar perto e se sente muito
muito só…
Aproxime-se, deixe as pessoas gostarem de você..
Bom Humor …é quando a gente descobre que a vida é uma grande
brincadeira. Ai a gente sabe que as coisas que acontecem são de
mentirinha que nem nos filmes, então a gente começa a brincar de viver
e tudo fica muito, muito mais divertido.
Seja menos sério e deixe a vida se tornar divertida…
Patricia Gebrin

sexta-feira, 8 de junho de 2012

É realmente possível amar depois dos 40? - Patricia Gebrim

Antes de mais nada, é preciso que você tenha sido capaz de passar pelos ferimentos e batalhas da vida sem ter acorrentado seu coração. Ouça, é impossível chegar aos 40, sem ter sofrido uma boa quantidade de quedas, sem ter passado por frustrações e algumas (ou muitas) decepções. Impossível chegar aos 40 sem ter sido ferido, enganado, passado para trás talvez. Sem ter a pele marcada por cicatrizes, marcas de uma história vivida.

Algumas pessoas, infelizmente, endurecem seus corações e acabam desistindo de acreditar na possibilidade do amor. Tornam-se amargas, fechadas, dominadas pelo rancor ou por um medo gosmento e paralisante. Ficam endurecidas como se tivessem sido banhadas em lava de vulcão e passado anos a consolidar o seu medonho NÃO.


- Não amo mais e pronto, é mais seguro assim! -- clamam, muitas vezes sem palavras, com atitudes duras que afastam de si qualquer pessoa que pudesse tocar seus tão feridos corações. E se antes foram feridas, agora se tornam, sem perceber, as que ferem. Pois não é só a maldade que fere. O nosso medo também abre cortes e ferimentos sangrentos nos que de nós se aproximam.

Mas mesmo aqueles que conseguiram evitar a morte precoce de seus corações, que evitaram o congelamento de seus sentimentos, ainda precisam, se quiserem amar novamente, saber suportar bem os momentos de carência e manter em foco o que desejam alcançar. Para esses, o desafio é a ansiedade. Movidos pela consciência da implacável passagem do tempo e pela sensação de que suas oportunidades se esgotam, acabam lançando-se cegamente a qualquer possibilidade, como se fosse sua última chance de escapar do devorador monstro de almas: a tão temida solidão. Ao fazerem isso, traem a si mesmos, afastam os possíveis parceiros e estragam suas chances de construir uma relação mais equilibrada.

É a maturidade, aliada à nossa capacidade de aprender com os tombos da vida que, antes de mais nada, nos faz ter clareza de quem queremos perto de nós. Depois dos 40 já sabemos (ou deveríamos saber!) que não basta o calor da paixão para que um relacionamento saudável aconteça. Claro que é uma delícia sentir o coração bater mais forte, mas com o passar dos anos aprendemos, a duras penas, a valorizar outros atributos menos exuberantes. Aprendemos a apreciar a generosidade, a compatibilidade de valores, a aproximação sem pressa, a gentileza, a ternura, a coerência entre palavras e atitudes e tantos outros aspectos que só podem ser percebidos na calma de nossa estrada de vida já bem explorada. Os pés cansados nos ajudam a prestar mais atenção.

Pedras preciosas são poucas
Também descobrimos que pedras preciosas não são encontradas facilmente. Na juventude temos sempre a ilusão de que um baú repleto de pedras preciosas espera por nós a cada esquina da vida, o que nos leva a duvidar do valor do que temos em nossas mãos. Não sabemos, então, que esses momentos mágicos de encontros transformadores acontecem poucas vezes em nossas vidas.

Com o tempo aprendemos que em geral é preciso cavar um bom tanto, ou passar anos peneirando à beira de um rio para se sentir o toque de uma pepita de ouro em nossas mãos. E é também a maturidade que faz com que a gente aprenda a reconhecer quando isso acontece e, sabendo do quanto é raro, segurar com força em nossas mãos e vibrar em gratidão pela oportunidade de sermos presenteados com uma pedra tão brilhante. É a maturidade que faz com que tratemos com cuidado daquela gema dourada finalmente encontrada.

Afinal, pior do que nunca encontrar uma pepita de ouro seria tê-la nas mãos e jogá-la de volta ao leito lamacento do rio por falta de olhos capazes de reconhecer seu raro valor.

Assim, do alto de seus quarenta e poucos anos, cuide para que seu coração se mantenha vivo, controle a sua ansiedade e se puder, mantenha a sua busca focada no que tem brilho... Continue peneirando pela vida e olhe muito bem para a sua peneira. Olhe com os olhos de quem quer enxergar a realidade.

Não permita que a sua ansiedade o faça confundir cascalhos com diamantes. Não permita que o seu medo o faça ficar cego e desperdiçar raros e cintilantes rubis como se esses pudessem queimar suas mãos.

Não hesite em devolver ao rio aquilo que de verdade não tem valor para você.

Mas ouça bem... quando uma pedra preciosa surgir em sua vida, não perca a oportunidade, dê o seu melhor, nunca se sabe quando outra irá aparecer!
Patricia Gebrim

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Faça o possível, isso já é muito - Patricia Gebrim

Eu sempre fui de admirar pessoas que conseguem fazer coisas que acabam por transformar o mundo. Seja um escritor, um artista plástico, um músico, um professor, um esportista...


Aquelas pessoas que parecem ter algo de especial, um brilho, uma espécie de magia impossível de passar despercebida.


O que seria de nosso mundo sem a beleza? Sem aquelas coisas que nos tocam a alma, sem a inspiração que recebemos daqueles que mergulham dentro de si mesmos e saem de lá com um tesouro em mãos, esse tesouro que compartilham conosco, amenizando a secura de nossas vidas?

Pensando nisso, me ocorreu escrever e dizer a você, que me lê neste exato momento, que, assim como aquelas pessoas iluminadas que você tanto admira, existe, agora mesmo, um tesouro esperando para ser descoberto.
Onde? No seu íntimo!

Não é preciso ter nome famoso, a esperteza da raposa dourada ou a pena sagrada de uma rara espécie de pavão para que você faça diferença neste mundo. Cada um de nós tem algo muito precioso e especial a compartilhar com a humanidade. Acredite, você também!

Muitas vezes desqualificamos a nós mesmos, como se fosse necessário ser uma espécie de semideus para criar algo de significativo. Não é verdade!

Todas as pessoas que você admira, famosas ou não, são apenas... humanas. Não há nada nelas que não exista em você. A não ser, talvez, a coragem de arriscar. A leveza de se lançar, de brincar, de expressar a si mesma.

Se você esperar atingir a perfeição para só então revelar seu potencial, talvez acabe por perder a chance de manifestar a beleza do seu ser. Seria um desperdício! Não é preciso ser perfeito para tornar o mundo um lugar melhor, acredite.

Você pode não entender nada de jardinagem, mas se escolher um pedacinho de uma praça e se permitir acreditar que pode tornar aquele lugar melhor, eu estou certa de que conseguirá. Basta arrancar as ervas daninhas, regar a terra, plantar algumas sementinhas, um pouco da sua sensibilidade com certeza já fará daquele cantinho um lugar mais agradável e acolhedor. Não precisa ser um jardim perfeito, com a perfeita escolha de cada planta, com a adubação perfeita. Basta que derrame sobre aquele pedaço de terra seu carinho, sua atenção.

Isso vale para muitas coisas. Não importa para onde decida ir, vá inteiro e sem medo. Em cada relação, em cada escolha, em cada tentativa de sua vida, faça o seu melhor. Dedique-se, regue sua vida com delicadeza, acredite em si mesmo. Faça o possível, isso já é muito.

Coisas maravilhosas acontecem quando nos esquecemos que somos apenas meros mortais condenados à mediocridade de uma vida limitada, repetitiva e tediosa. Arrisque sonhar! Pense nisso: talvez você seja um ser maravilhoso, dotado das mais incríveis capacidades à espera de serem descobertas. Talvez você seja mais do que já tenha sequer imaginado. Talvez o mundo esteja à sua espera. 

Patricia Gebrim

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Disfarces do medo: 'nariz empinado' e agressividade - Patricia Gebrim


Você já viu um baiacú?

Eu costumava ver, vez ou outra, quando saía para pescar com meu pai.

Eu sei que pode parecer estranho começar um artigo falando sobre baiacús, razão pela qual lhe peço um pouco de paciência. Para quem nunca ouviu falar, baiacús são uns peixes espinhudos, também chamados de peixe-balão, porque tem a capacidade de inchar o corpo quando se sentem ameaçados por um predador.

Bem, quando fui pesquisar um pouco sobre os baiacús, acabei tendo a divertida surpresa de descobrir que existem várias espécies ... baiacú-cofre, baiacú-de-chifre, baiacú-caixão, baiacú-areia, baiacú-dondom, baiacú-franguinho, baiacú-liso, e muitos outros. Deixarei sua imaginação brincar com esses nomes no decorrer deste artigo!

O que me interessou nesse peixe tão peculiar é o fato de que ele se torna maior, criando uma falsa aparência para se proteger, o que me fez lembrar da época em que eu trabalhava na área de recursos humanos de uma grande organização.

Na verdade, era estagiária , com todo um mundo corporativo a ser descoberto. Eu olhava ao redor, para as pessoas que caminhavam decididas pelos corredores da empresa. Percebia que elas tinham o peito inchado, os passos firmes e sempre as achava tão importantes... Todo mundo parecia saber muito das coisas por lá!


Levei alguns anos para descobrir que muitos deles eram apenas baiacús assustados, tentando causar uma impressão que os colocasse em segurança. Muitas vezes chegavam às reuniões falando grosso, chegavam a ser verdadeiramente assustadores, como uma estratégia para que não lhes fizessem perguntas que não saberiam responder. Ah... como aprendi naqueles anos!


Não entendam isso de forma crítica, pejorativa ou maldosa, eu mesma já fui baiacú muitas vezes! Faz parte da natureza humana. Todos nós, em uma situação ou outra, usamos máscaras, inchamos o peito ou nos camuflamos para nos proteger. O baiacú, amigo do camaleão, nada mais é do que um peixe com medo. Pense nisso sempre que alguém lhe parecer inchado demais. É medo, só medo...


Às vezes usamos esses artifícios com tanta constância que passamos a andar por todos os lugares como se fôssemos peixes-balão, só para no final do dia chegar em casa e descobrir que nossos confortáveis pijamas já não servem. Nossos maridos, esposas... nossos filhos... reclamam que já não nos conseguem abraçar, tal o diâmetro de nosso tórax. E sentem falta da época em que rolávamos juntos e ríamos com nossas brincadeiras infantis.


Um efeito colateral... quanto mais inflamos o peito em nossas lutas cotidianas, mais difícil se torna simplesmente relaxar. Mais difícil amar, e sermos amados. E se insistirmos nisso, um dia teremos que comprar um aquário gigante para nosso repouso noturno, correndo o risco de nos afastar de tudo o que realmente deveria importar para nós.


Existe um livro delicioso, cuja leitura eu recomendo, que foi escrito por Robert Fisher e chama-se “O cavaleiro preso na armadura” (Editora Record). O livro fala sobre um cavaleiro que usava tanto a sua armadura que acabou preso dentro dela. Sua esposa tinha que alimentá-lo através de um canudinho! Um outro nome possível ao livro seria “O homem que virou baiacú”.


Ok... não precisa ficar bravo comigo, quase posso ver seu peito inchando aí do outro lado da tela! Eu concordo... vivemos em um mundo onde existem predadores, não podemos negar! Às vezes pode ser mesmo inteligente agir como esse peixe tão peculiar. O baiacú, em plena sintonia com a natureza, com certeza já enganou vários peixes maiores do que ele e salvou a própria pele graças à sua capacidade de iludir. O problema é quando exageramos na dose, ou quando nos esquecemos de nossa verdadeira natureza.


Mas vou ser sincera com você. O que vejo hoje são pessoas com mais medo do que seria necessário.


Às vezes entro em um elevador e dou de cara com uma pessoa baiacú!


_ Pense comigo _ Baiacús no elevador!!! Por quê? Com medo do quê???


Qual é o grande perigo em relaxar o peito e dizer “bom dia” a uma pessoa em um elevador? Qual é o enorme perigo em sorrir para uma pessoa que cruze nosso caminho? Por que tanto medo de nos comunicar com quem não conhecemos? Por que tanto medo de tudo e de todos?


É triste... Em meio a tantos peixes espinhudos, somem de nossas vidas os atos gentis de antigamente, as pequenas delicadezas, as mãos estendidas, a ajuda mútua, os atos de encorajamento. E cada vez mais ficamos isolados em busca de uma suposta proteção. E cada vez mais nos sentimos sozinhos.


Eu proponho que nos permitamos ao menos um olhar curioso na direção do outro, antes de ativarmos o balão inflável em nosso peito. Proponho confiar na mais sábia das fontes de informação, a nossa própria intuição. Proponho que baixemos um pouco as defesas em prol da troca, do afeto, da gentileza, de mais sorrisos, dessas coisas doces sem as quais a vida se torna seca e árida, tão árida que nem mesmo o mais espinhudo e inchado baiacú nela conseguiria sobreviver.

Patricia Gebrim


sexta-feira, 4 de maio de 2012

O que fazer quando o cinza toma conta de sua vida? - Patricia Gebrim

Qualquer um de nós pode ser, vez ou outra na vida, tomado por um lado sombrio que torna tudo cinza ao nosso redor.


Quando isso acontece, como se estivéssemos doentes de alma, enxergamos sempre o pior de cada situação. Nesse panorama sombrio, nos sentimos aprisionados, encurralados, como se na vida não houvesse saída.

Você já encontrou alguém assim? A pessoa fica tão paralisada naquele lugarzinho apertado dentro de seu próprio sistema de crenças que, por mais que tentemos lhe dar opções, ela sempre responde com:

- Pode ser que você esteja certo, mas...

Olhando de fora vemos que existem sim saídas, e percebemos que as coisas não são tão negras como aquela pessoa parece acreditar. Mas, por mais que tentemos aliviar o peso da situação ou sugerir caminhos para uma melhora, a pessoa parece não ser capaz de enxergá-los. Responde sempre com um “mas”, seguido de uma justificativa que inviabiliza a solução. É como se, de alguma forma, ela quisesse permanecer lá, naquele lugar horrendo de dor e frustração. E nós, que tentamos exaustivamente ajudar, acabamos por nos sentir frustrados, quando não irritados... e muitas vezes acabamos por desistir de ajudar. Como se a pessoa fosse um saco sem fundo, vemos que nossas sugestões são tragadas, uma a uma, caindo num buraco negro que existe lá no fundo do saco. (Devem estar flutuando em algum canto do Universo numa hora dessas...) Ah... que cansaço isso dá!

Sabemos que para sair desse buraco é necessário que se mantenha o equilíbrio, que se tenha paz para raciocinar com clareza, que se tenha atenção para pescar uma solução criativa nesse rico mar que é nosso inconsciente, cheio de belezas e tesouros. É preciso compreender que de nada adianta sobrecarregar a própria vida com esse peso mortal que destrói a leveza das ideias, que afasta de nós toda a alegria e o encantamento.

Quando tornamos tudo sério e grave dentro de nós, acabamos por projetar essa carga ao nosso redor, e logo nos percebemos rodeados por uma sensação densa e ruim, oprimidos e esmagados por uma realidade que nós mesmos criamos. Logo estamos nos sentindo completamente desesperançosos, impacientes com tudo e com todos, nos tornando parecidos com máquinas ambulantes produtoras de reclamações e mau humor. O brilho de nossos olhos se apaga e ganhamos uma espécie de peso, como se estivéssemos atados a enormes bolas de ferro que nos prendem cada vez mais ao chão, nos afastando do suave mundo onde pulsam infinitas soluções criativas, nos afastando daquela camada sutil cheia de novas ideias que flutua leve, bem acima de nossas cabeças e que poderia nos tirar desse estado incômodo e assustador.

Se ao menos fôssemos capazes de olhar para cima, se parássemos de, obsessivamente, catalogar as pedras e obstáculos ao nosso redor, enxergaríamos saídas, seríamos ajudados a flutuar e, como leves pássaros, seríamos soprados em direção a outras realidades, mais amenas, mais gentis, mais livres.

Se você quer mudar sua vida, precisa concordar em abandonar essa atitude que tem mantido você atado a uma vida que não lhe traz felicidade, Não importa o que você tenha criado em sua vida, a solução reside em uma palavra: desapego. Você não pode mudar o passado, mas pode se desapegar dele, deixá-lo para trás. Não perca tempo tentando entender, catalogando tudo, ou recriminando a si mesmo pelas escolhas errôneas que fez em sua vida. Isso de nada ajuda! Foque-se completamente no presente, seja amoroso e compassivo para com seu próprio Eu. Perdoe as atitudes que tenha tomado e que lhe tenham feito mal. Isso já passou. Olhe para cima, para o novo e permita-se construir uma nova realidade onde se sinta mais leve.

O mundo terá a gravidade que você decidir lhe dar. Você não precisa mudar o mundo. Mude a si mesmo, e o mundo se transformará antes que você consiga compreender como isso pode ter acontecido. 

 Patricia Gebrim

domingo, 22 de abril de 2012

O que vale mais? As palavras ou as atitudes? - Patricia Gebrim


Outro dia ouvi alguém dizer que “o que vale é a intenção!”.


Bem, aqui vai a minha opinião: de que adianta uma boa intenção sem atitude?


De que adianta ter a intenção de ajudar alguém, se não formos capazes de mover um único osso de nosso corpo nessa direção?


De que vale a intenção de respeitar alguém, se na verdade agimos pensando apenas em nós mesmos?


De que vale a intenção de amar, se agimos com o mais puro desamor?


Na minha opinião, vale muito pouco, para não dizer nada.


Eu posso ter os mais belos pensamentos e ideais, mas se eles não vierem acompanhados de atitudes coerentes, tornam-se apenas uma cantiga para anestesiar a minha consciência ameaçada pela culpa de não ter agido de acordo com ela.


Dizer simplesmente para si próprio: “ Eu não tive a intenção de ferir ninguém” é uma desculpa para que não nos sintamos tão culpados pelo mal que causamos. É como se nos tornássemos crianças dizendo: “ Ah... Mas eu não queria que fosse assim”- como se dessa maneira o mal causado se tornasse menor, ou menos nocivo.


Será?


Talvez fosse mais honesto que assumíssemos o erro cometido, nos desculpássemos e tentássemos reparar o mal causado de alguma forma, com atitudes. Todos podemos (e vamos) errar muitas vezes na vida. Faz parte de nossa condição humana. Mas lembre-se: todos nós temos um enorme potencial de reparação e podemos usá-lo criativamente, desde que escapemos da comodidade de evitar enfrentar a vida.


Palavras isoladas são para covardes, que fogem e se escondem. Apenas os corajosos são capazes da ação realmente reparadora. Coragem tem a ver com ação, com enfrentar as dificuldades de frente.


Assim, se você feriu alguém, não evite essa pessoa. Vá em sua direção e tente reparar o mal causado.
Se você gosta de alguém... mostre! Tenha atitudes amorosas. Seja atencioso, respeite, proteja, acalente. Torne-se presente. Olhe de verdade para essa pessoa, perceba a sua existência, coloque-se no lugar dela. Saia do perímetro de seu próprio umbigo. Olhe para essa pessoa, lá no fundo dos olhos. Tente perceber o que ela pode estar sentindo e tente agir da melhor forma que puder. Não se esconda atrás de suas palavras. Palavras “bem ditas“, são as que vem acompanhadas de atitudes, pense nisso!


Buraco infernal


É incrível como andamos todos apaixonados por nosso próprio umbigo.


Muitas pessoas dizem sentir um vazio em suas vidas e eu fico pensando se não caíram dentro de seus próprios umbigos sem perceber.


Imagine a cena... Um dia você está passeando distraidamente pela sua própria barriga procurando pela maravilhosa fonte da vida (o cordão que o ligava à mãe, de onde tudo brotava sem esforço) e cai naquele orifício primário, cai dentro de seu próprio umbigo! Muitos de nós caímos em nossos umbigos ao procurar por essa fonte irrestrita de prazer e satisfação, já pensou nisso!


Só que, ao cair nesse buraco ancestral, de repente nos percebemos isolados, separados de todas as outras pessoas... Talvez essa seja a real solidão, afinal. A fonte de nosso egoísmo e isolamento. Essa solidão que nos faz esquecer que quando prejudicamos alguém estamos ferindo a nós mesmos. Essa solidão que nos separa de todos, e lá ficamos, mergulhados em nosso poço de lamentações pessoais, envolvidos pelas profundezas de nossas crenças e problemas individuais, sem nos importarmos com ninguém mais, a não ser nossos próprios desejos e frustrações.


Se conseguirmos sair desse buraco infernal, se conseguirmos emergir de nós mesmos, mesmo que exaustos, e olharmos ao redor, veremos que o mundo é muito maior do que aquele mundinho pequeno e egoísta.
Começaremos a nos encantar com o enorme número de pessoas que circulam diariamente ao nosso redor. Na verdade, na maioria das vezes, elas já estavam lá, tentando alguma forma de nos resgatar, enviando amor em nossa direção. É incrível como ficamos cegos lá dentro de nossos umbigos!


Se não fizermos de nossos problemas a nossa bíblia, talvez possamos nos interessar um pouco mais pelas pessoas e, ao fazer isso, talvez nos esqueçamos da horrenda dor de separação.


Só assim, ao nos percebermos parte de um mundo que continua girando a despeito da profundidade de nossos buracos pessoais, seremos capazes de perceber que os outros existem. Nesse dia podemos finalmente passar da palavra para a ação.


Patricia Gebrim

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Você é uma “pessoa-elástico”? - Patricia Gebrim

Algumas pessoas parecem possuir uma flexibilidade tão grande que parecem verdadeiros elásticos. É verdade que um pouco de flexibilidade nos cai bem e não faz mal a ninguém, mas quando uma pessoa começa a se esticar para ambos os lados até o infinito, em algum momento acabará por se partir em duas, o que não pode ser bom para ninguém.


Pessoas-elástico são aquelas que sempre perdoam. 


Perdoar pode ser bom, mas até o perdão precisa seguir seu próprio ciclo.

Pense na seguinte situação: uma pessoa pisa fortemente no seu pé no meio da pista de dança. O saudável é que, antes de perdoar, você sinta a dor, ou corre o risco de deixar de cuidar do ferimento. Depois, você tem o direito de ficar bravo, afinal sofreu uma agressão e seu dedo está mais vermelho do que uma pimenta malagueta no meio da brasa! Depois, e somente depois, com o pé cuidado e o sentimento raivoso acolhido, talvez você possa então respirar, ouvir o pedido de desculpas da pessoa descuidada que quase arrancou fora seu dedo, e aí sim, de braços dados com a sua generosidade, perdoar. Mas se você é daquelas pessoas que, ao levar uma pisada no pé, logo se apressa em dizer:
- Não foi nada! - antes mesmo de avaliar o estrago, então precisa prestar mais atenção à forma como vem tratando a si mesmo. Provavelmente não está cuidando de si com o zelo com que deveria.

Outra coisa que as pessoas-elástico fazem mais do que seria saudável é: ceder à vontade alheia.

Vivem fazendo o que os outros querem e passam por cima de si mesmas repetidas vezes.

Em um relacionamento saudável os envolvidos deveriam se alternar no que se refere a ceder. Ou seja: às vezes eu cedo, outras vezes faço valer minha vontade. Existe um equilíbrio, um senso de justiça, que mantém o relacionamento vivo e respeitoso. Mas as pessoas-elástico, muito preocupadas em agradar, muitas vezes abrem ao outro mais espaço do que deveriam. Vão deixando de lutar por aquilo que acreditam. Muitas vezes nem dizem o que desejam. Um dia você está louco de vontade de comer um delicioso prato de macarrão, mas se cala e acaba comendo peixe cru no japonês da esquina. O pior é que o outro sequer suspeita que aquela sua cara estranha, uma mistura de enjoo com sorriso embalsamado, não se deve ao cansaço do dia e sim ao fato de que você simplesmente NÃO SUPORTA COMER PEIXE CRÚ!

Ora, se pisam no seu pé e você não reclama, se você faz tudo o que os outros querem, fatalmente acabará sendo desrespeitado. As pessoas o acharão uma espécie de super-homem ou supermulher invulnerável à dor, e acreditarão que a sua felicidade está em servir a todo tipo de caprichos, que serão impiedosamente despejados sobre você. Outras perceberão que você tem uma fragilidade em impor sua opinião e simplesmente se aproveitarão disso.

Não ache que, ao se mostrar tão abnegado e atencioso, acabará por ser assim tratado pelas pessoas, que terão a maravilhosa sensibilidade de adivinhar que sob seu sorriso se esconde um dedo ardendo como pimenta e a vontade de cuspir fora o tão cobiçado sashimi. Não é assim que acontece! No final você será cada vez mais sobrecarregado, tratado sem cuidados, afinal é assim que anda tratando a si mesmo!

Se você quer ser cuidado, respeitado, valorizado... Precisa aprender a dar a si mesmo essa forma de tratamento.

Não importa de onde venha essa sua elasticidade distorcida. Talvez tenha sido aprendida em uma família onde você só seria aceito se agisse conforme o esperado. Talvez você tenha nascido de uma seringueira, aquelas maravilhosas árvores de onde a borracha é extraída. Você acha impossível? Ora, quando eu era criança alguém me disse que eu tinha nascido de um repolho, assim, por que você não poderia ter nascido de uma seringueira?

Bem, o que importa é que você precisa mudar. Precisa "desemborrachar".

Talvez você tenha se calado por tanto tempo que já nem se lembre do som da sua voz. Talvez já não saiba do que gosta, do que não gosta. Se esse for o caso... “CHUTE”! Diga qualquer coisa. Tire "no palitinho". Mas saia desse lugar de eterna aceitação. Você descobrirá a si mesmo no caminho, acredite no que digo.

Na próxima vez que alguém lhe fizer uma pergunta, expresse seu desejo. Diga o que quer.

Acredite, você fica muito mais interessante quando age assim.

Patricia Gebrim