sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Soneto LXXIV - William Shakespeare


Alegra-te: quando a dura prisão
Sem dó para longe me arrastar,
Minha vida tem neste verso um interesse,
Que, em memória, ainda em ti continuará.
Quando o revires, verás de novo
Tudo o que consagrei a ti.
A terra terá apenas a terra, que a ela pertence;
Meu espírito é teu – a melhor parte de mim:
Então, quando dissipares o que restar de tua vida,
Presa dos vermes, meu corpo sucumbido;
Na covarde conquista de um punhal maldito,
Haverá muito pouco de ti para ser lembrado.
Seu valor está no que ele contém,
E isto é o que vale e, este sim, ficará contigo.

William Shakespeare

Tradução : Thereza Christina Motta

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