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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A importância de ser e de ter amigos - Silvia Malamud

Ter e ser amigo são experiências das mais profundas que se pode viver. Traz sentimento de liberdade, de poder se expor e de compartilhar experiências de modo totalmente espontâneo e franco, ao mesmo tempo que íntimo. Neste tipo de relação de confiança recíproca, amigos espelham-se um no outro e a partir disso costuma acontecer a dança de papéis onde ora se é o amigo, ora o irmão, ora o pai, ora a mãe e por aí vai, tudo no intuito da ajuda mútua.

Mas como chegar nesse lugar? É fácil? Simples? Como estamos no quesito amizade em pleno século XXI?
- Na filosofia política do mundo grego, a amizade entre os cidadãos era o vínculo de coesão da sociedade, hoje, porém, representam sinônimos de relações vazias e superficiais. Será?
Na amizade real, a sensação que fica é a da liberdade de poder se expressar naquilo que estamos sendo no momento e como consequência, esclarecimento maior sobre nós mesmos e sobre a vida. 
O não-julgamento do amigo, mais o centramento provocado pela luminosidade do encontro permite expansão genuína de amor, respeito e cumplicidade somados à expansão das afinidades.

O encontro amigo evoca rompimento com inúmeros preconceitos e certamente nos farão pensar sobre outros tantos dogmas por nós navegados de modo cego. A aceitação do outro leva ao conhecimento inequívoco de nós mesmos. Na amizade sincera, é inevitável todos saírem da própria superficialidade cedendo lugar à maior intimidade e aprofundamento em si mesmo. Logo no início das amizades, muitas pessoas imaginam-se íntimos e profundos, mas ainda estão à beira de um processo onde fatalmente ocorrerão as brigas e desacordos, constructos de relacionamentos maduros, para que aprendizados se estabeleçam. 

Uma amizade salutar ou mesmo um grupo de amigos saudáveis promove autoconhecimento diferenciado. É através das relações de amizade que se consegue transitar nos mais diversos ambientes emocionais e onde paradoxalmente se aprende a ter autonomia sobre todo tipo de escolha, inclusive, sobre as próprias amizades. 
Muitas vezes, procura-se algo no outro sem saber ao certo o que se deseja. Hoje em dia, a busca parece que está em se obter multidões de amigos provocando o armazenamento dos mesmos, vide facebook. A exposição é máxima, porém, a falta do conhecimento do que faz sentido, do que é verdadeiro e íntimo acaba imperando e colaborando para aumentar todo tipo de ansiedade. 

Na frenética e ainda inconsciente sede do encontro consigo mesmo, muitas vezes é pelo intermédio do outro que a virada ocorre, ou seja, que o encontro genuíno se revela. Num repente e, nunca desapercebidamente, o sagrado de estar com um amigo de verdade é sentido e vivenciado emocionantemente. Ter muitos amigos, porém, não significa que você tenha amigos de verdade. 
Amigos de verdade querem o seu bem e estão com você tanto na chuva, quanto na dor, quanto na alegria. 

Amigos falsos lhe usam apenas para que você possa alegrar a vida deles, dar mais dinamismo, escutar continuamente problemas que nunca mudam. Amigos falsos não sabem ouvir, não têm essa capacidade. Amigos falsos lhe usam para não saírem sozinhos ou mesmo o levam nos lugares apenas e tão-somente para competir com você. Para você dar suporte, a fim de que se sintam minimamente melhores do que os outros e do que você.

Observe o tipo de amizade que você tem atraído para si mesmo e, se tiver alguma questão em relação, reflita o porquê disso tudo. Honestamente, pergunte-se também que tipo de amigo você tem sido? No final, veja se o que deseja para sua vida está compatível com as amizades que tem. 
Evoluir é o caminho, já pensou onde você está nisso tudo?
Quando não se identifica com as amizades, quando frequentemente se sente usado pelos amigos ou mesmo quando é constante a perda dos mesmos, um processo de terapia em busca de autoconhecimento é altamente indicado. Quando se está só e sem amigos, também é um bom motivo para começar a se questionar e ver o que acontece. 

Ninguém vive sozinho. Conhecemo-nos através da relação que temos com o outro. Quando não há relação alguma, há o que se pensar a respeito. Por isso mesmo, iniciar uma relação com um terapeuta muitas vezes serve de laboratório transicional para superar dificuldades desta ordem. Nestes casos, as pessoas que iniciaram terapia comentam que deviam ter começado muito antes. Não tinham noção de como carregavam traumas e inserções de culturas familiares, desde a infância, fazendo-os ser o que são hoje. Tem muita coisa que comanda a vida das pessoas e elas não sabem de onde vem e mesmo quando sabem, se estão sozinhas, tem dificuldades para mudar.

Muitos ainda não almejam mudanças, por pior que sejam seus contextos, permanecendo no conhecido Modelo de vida único = script = certeza e segurança = vida morna. Precisamos da conquista de vários modelos para nos proporcionarmos transcendência. Portanto, amigos, amigos, amigos = modelos, modelos, modelos.

A questão não é a conquista do diferente, mas a conquista de ser você mesmo, de descobrir o que se gosta, o que não se gosta e na sequência, de usufruir de tudo com sabedoria. 
Ter amigos, ser amigo, ser seu melhor amigo. Autoconhecimento, amor, vida.


 Silvia Malamud 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Bisbilhotar a vida do outro é inveja? - Silvia Malamud

Com certeza que quem bisbilhota e se intromete na vida do outro teria que querer bem e ajudar esse próximo. Muito poucos, porém, estão comprometidos com uma verdadeira relação de amor e compaixão para com seus semelhantes. Na verdade, quando desejam saber, o intuito subterrâneo sempre fica por conta de se ter alguma notícia com alguma novidade sobre o fulano para que a mesma seja julgada por um critério de valores contaminado pela inveja crônica. Infelizmente, poucas são as pessoas que, de verdade, torcem para que o seu próximo alcance a tal da felicidade.

E por que é tão difícil deixar de se ter inveja no pior sentido da palavra?

"Simplesmente porque o que é invejado no outro, via de regra, sempre é a expressão exata da não realização dos desejos mais profundos e que não se consegue bancar. Saber, portanto, o quanto o outro ousa existir mais livremente é insuportável".

E a solução? 

"Tomemos como resposta o desafio de conseguir olhar para as profundezas de si mesmo. O desafio de desarmar-se a ponto de poder entrar em contato com toda a realidade dos sentimentos ativados na hora em que se quer saber da vida do outro. Ser humilde e maduro o suficiente para se autoenfrentar e, por fim, ter coragem para se assumir".

E qual seria a finalidade de tudo isso? Para que e por que parar de bisbilhotar a vida do outro?

"Para que o essencial da alma possa ser libertado de todas as limitações que o aprisionam impedindo a sua evolução". 
Como proceder para evoluir?

"Toda essa empreitada tem destrinchamento trabalhoso sendo que o sucesso exige seriedade de propósito somado à atenção incorruptível. O progresso genuíno dependerá também da disponibilidade de ser amoroso consigo próprio, ao mesmo tempo em que sincero e disponível a tudo o que for encontrado e resgatado dentro de si. É um verdadeiro serviço de reavaliação pessoal em que a alavanca para o êxito está diretamente ligada à abertura de espaço para se receber luz nos conteúdos interiores mal resolvidos (aspectos da sombra), normalmente, projetados no outro. E esse outro obscuramente costuma ser o pior, o que a pessoa mais odeia em si mesma, o que não consegue dar conta e, paradoxalmente, é que o mais deseja, o que sente falta.

Um dos maiores desafios que existem é o de se entregar a si mesmo. Render-se às próprias fraquezas e entrar em contato lúcido com tudo o que muito se almeja e que é difícil de se exteriorizar. Certamente que não é tarefa fácil. Complexo também é transformar valores preconceituosos que apenas servem para represar a alma e a energia vital. 

Bisbilhotar e invejar a vida do outro reduz a capacidade de ser criativo, pois a vida, para este tipo de indivíduo, acontece apenas pela janela afora. Limita o ser humano a um sistema robótico que bloqueia tanto sua energia emocional como a vital. Transformando-o em mero robô que nem ao menos sabe o quanto facilmente é monitorado.
O perigo está na morte em vida, mas há opção e poder de escolha, sempre há. Ou se fica do lado de dentro da janela, vendo a vida passar lá fora, maldizendo e criticando tudo o que se bisbilhota da vida do outro que está andando livremente pela rua, ou decide-se bancar a si próprio e sair para o mundo. Se você estiver nessa situação e resolver sair, saia, mas não pela janela e, sim, pela porta da frente, de peito aberto e de cabeça erguida para poder se experimentar e apenas ser. Admitir que tem se ocupado de bisbilhotar e invejar a vida do outro não é tarefa fácil, mas vale a sua vida mudar esse padrão, se tem sido este o seu comportamento.
Lembre-se, é você quem escolhe. 

Relacionar-se consigo mesmo e ver as próprias limitações é penoso, mas ao mesmo tempo libertador. Você pode mudar seu padrão optando por ser responsável apenas por sua vida e finalmente sentir-se livre e, por que não dizer, feliz!
Pare de sabotar a sua alegria, sendo digno de sua existência.


 Silvia Malamud

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Relacionamentos via Internet podem dar certo? - Silvia Malamud

A vida na Internet passa por multiplicidade de facetas e formas de conduta. Hoje, indubitavelmente, o contato pela via Internet serve a todos os gostos e idades. 
É fato que todos nós estamos vivendo na era do consumidor digital. Concordemos ou não com este pressuposto, ouso afirmar que o mesmo que produz é o mesmo que consome... desde roupas, alimentos, cultura, incluindo as relações pessoais. 
As redes sociais hoje funcionando como os clubes sociais de outrora geram a possibilidade das paqueras, dos contatos imediatos e, a partir daí, de todos os avanços que caracterizam as relações em geral. 

Em recente pesquisa, constatou-se que numa cidade grande como São Paulo, uma pessoa consegue relacionar-se mais intimamente apenas com apenas seis amigos. A vida corrida propicia um contato pessoal somente com um número reduzido de indivíduos. 
Com o advento das redes sociais, esta possibilidade amplia-se consideravelmente. A conversa via Net possui dupla categoria, pois, à medida que promove intimidade imediata, ao mesmo tempo, pode trazer o efêmero, pautado na era do vazio do nosso século. Se as pessoas se conhecem e por algum motivo não se identificam, com um simples comando deletar ou ficar invisível, o problema é resolvido...

Há anos que a Internet vem influenciando a desconstrução de padrões de comportamento nos relacionamentos afetivos; o conhecimento virtual modifica irreversivelmente as relações ao vivo. A maioria de hoje, muito mais descolada com esta modalidade de relacionamento, parte para as relações concretas, com a possibilidade de iniciarem algo com maior consciência. 

Para quem está atento e familiarizado com a linguagem da Web e com as sutilezas que aparecem entre as linhas de conversação, arrisca-se numa empreitada afetiva advinda deste conhecimento, mais seguro do que pode encontrar e mais definido naquilo que irá desenvolver ou consolidar. É lógico que as surpresas sempre ocorrem. Ficar alerta ao que se projeta no outro e na autêntica realidade de quem é esse outro, sempre será questão primordial, no aspecto virtual ou fora dele. Culpar a Internet por não propiciar o par ideal, ou por camuflar aspectos da personalidade do outro, não seria justo dentro deste enfoque.
Apesar de todo avanço anunciado, o ser humano continua o mesmo em suas buscas e necessidades pessoais. A questão é que a maioria ainda está inconsciente sobre o que de verdade move estes desejos, anseios e buscas.

Como exemplo ilustrativo: muitos homens procuram mulheres auto-suficientes e se encantam com suas conversas virtuais... quando as conhecem, porém, no fundo desejam ser os machos da História almejando as fêmeas no seu lugar de origem... Notem que este é apenas um exemplo que pode gerar confusão. O contrário também pode ocorrer, quando mulheres independentes buscam homens que as valorizem como tais. 
A conversa via Net rola neste sentido, encantando a ambos, mas na hora do vamos ver tudo fica bem diferente, quando a mulher explode em suas carências mais primitivas exigindo de algum modo que este outro a proteja, evidenciando um aspecto emocional não combinado anteriormente, na conversa virtual. As pessoas, no geral, não têm noção de como funcionam... partem de pressupostos sobre si mesmas, buscando alguém nos padrões projetados, sem a menor correspondência com o que são na intimidade.
Às vezes, há sorte do encontro acontecer, mas nem sempre isso ocorre. Por isso, a importância da auto-análise e autoconhecimento para todo e qualquer tipo de empreitada afetiva e, neste caso, pouca importância existe se o encontro acontece pela Internet ou não.
O que vale é a prudência, é a autopesquisa individual de sempre, para que a Internet não seja apenas mais um símbolo de sucesso ou fracasso, na busca do relacionamento perfeito. 
Tanto homens como mulheres utilizam o meio virtual para se conhecerem; não existe prevalência sobre os sexos neste tipo de busca.

As redes sociais, como toda versão de comunicação online, podem ser boas ou ruins. Veja que estamos passando pela era do todos ouvem, todos dão feedbacks e, assim, constroem a verdadeira comunicação via Net. O modo pelo qual se faz uso das redes -como a superexposição- apenas pode evidenciar melhor questões da personalidade de cada um. 

Quem busca um relacionamento -via internet- deveria ficar atento e com um conhecimento prévio de si mesmo razoável. O perigo gerado pelas novas tribos e a banalização de situações emocionais difíceis onde a cultura da tribo oferece dicas, integrando-se em grupos de pseudonormalidade, muitas vezes funcionam como uma distorção do normal, do viável. Adolescentes costumam ser os mais prejudicados neste sentido.

Para finalizar, gostaria de deixar claro, que todo este movimento de contato gerado pela Internet, apenas evidencia que em pleno século XXI, o ser humano continua na necessidade de se relacionar. No passado recente, havia as cartas, os telégrafos, os mensageiros, as buscas de relacionamentos pelos anúncios de jornais, etc... Como aliado, hoje temos a Internet.
Dica final, começo de tudo: Busque-se antes, para depois encontrar-se com o outro.

Silvia Malamud