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quarta-feira, 11 de abril de 2012

A cultura contemporânea - Roque Schneider

"Menti, menti aos quatro ventos.
Algum saldo sempre ficará."

1 - Estamos inseridos numa cultura que se transformou em aprendizagem fácil de máscaras. Máscaras que se incrustam, imperceptivelmente, em nosso rosto, em nosso comportamento, em nossa vida.

E a gente termina contagiado, envolvido, com uma nostalgia enorme, quase desesperada, da pureza de outrora.
Desquitada, vazia internamente, rodopiando num torvelinho esmagador de problemas, aquela senhora falou, com amargura:
- Meu Deus, tenho saudade de mim mesma. Dos tempos,em que me conhecia. Dos tempos em que eu era EU!

2 - Uma civilização que ensina o uso de máscaras é uma civilização carcomida, decrépita, sem nobreza.
Um ser humano que se joga estrada em fora, procurando seu verdadeiro rosto, merece pena e compaixão.
Com a máscara incrustada, o indivíduo pratica um jogo duplo:
- passa a enganar a si mesm
- e tenta enganar os outros.
É a zona perigosa da impostura. A fuga da verdade.
A verdade sempre foi o encontro de dois olhares. O olhar do outro descendo sobre mim. E eu fixando a mim mesmo.

3 - Nosso instinto de autodefesa aconselha o uso de máscaras. Vivemos. num século que nos agride e assalta de múltiplas formas, por todos os lados.
Inseguros, ameaçados, olhamos para os outros com desconfiança. Tememos armadilhas, golpes, cheques em branco.
Buscando enriquecer rapidamente, a honestidade termina asfixiada por nossos sonhos e projetos de fortuna.
Na obsessão de altos postos ou cargos, viramos calculistas, exploradores de oportunidades que nos beneficiem e promovam.
Milhares de instituições modernas incentivam a instalação de todos os nossos egoísmos. A publicidade comercial esmera-se em badalar a grande trindade vitoriosa: lucro, posição social, rendimento.
Consumir, comprar, adquirir, faz parte da nossa vida. É requisito de sobrevivência.
Envereda, porém, em caminhos falsos e distorcidos, toda a sociedade que se torna hipócrita, exploradora, mercantilizada, que aberta ou subliminarmente propala aos quatro ventos:
- Consumi ao máximo, súditos do meu reino.
Comprai acima das vossas posses. A felicidade está em adquirir. A realização nasce da possessão. Entulha. vossas casas de bugigangas. Forrai geladeiras com todo o gênero de comestíveis. Abarrotai sótão e porão de quinquilharias e brinquedos para as crianças. Adquiri livros em quantidade, para esnobar cultura e arrotar superioridade intelectual.
Até quando teremos estômago para digerir tanta mentira?
Até quando aguentaremos a marcha desvairada de uma civilização que corre vertiginosamente sobre este tipo de trilhos falsos?
Em que amanhecer despertaremos do sono forçado, no qual nos jogaram os comprimidos venenosos do embuste?
Qual a mão benfeitora que nos apontará o caminho da verdade e os horizontes da retidão perdida?
E dos longes da Palestina, sobrepairando os slogans aliciantes da sociedade de consumo, um timbre muito claro e amigo nos chega:

- Cuidado com os falsos profetas.
Eles são lobos mascarados em cordeiros:
Cautela, meus filhos!
É preferível despedir-se da vida, pobre em bens materiais do que aportar na eternidade carregado com bugigangas inúteis, por mais brilhantes que elas sejam aos olhos do mundo!

Pe. Roque Schneider In Pausa para meditação

sexta-feira, 6 de abril de 2012

As grades da nossa prisão - Roque Schneider


Admitamos ou não, esta é a verdade: uma profunda ruptura situa-se no âmago do ser humano.
Sonhamos com a unidade interna e vemo-nos retalhados.
Quiséramos ser um, e somos dois, quatro, legião.
Suplicamos amor e sentimos a solidão.
Drama existencial, de vida inteira: embora suspirando pela unidade, recaímos constantemente em nossa prisão individualista, onde tudo é desconexo e decepcionante. Pedimos plenitude e patinamos na fragmentação.
Jiddu Krishnamurti, um dos mestres indus mais afamados da atualidade, declarou ao jornalista brasileiro Carlos Marques, em recente entrevista:
- A vida está fragmentada, dividida. Somos engenheiros, cientistas, operários etc. Somos bons técnicos, mas pessoas intimamente divididas. Esta fragmentação pessoal causa divisão e dor. Dentro de nós, agem indivíduos vários, separadamente. Resultado? Nossa existência se torna contraditória, destrutiva. Só nos resta um único caminho: a unidade que liberta e salva.
Tendências antagônicas brincam e brigam no mais íntimo do nosso ser. Aquela ruptura que todos conhecem, mesmo aqueles que vivem na superfície, ancorados no transitório, embevecidos no acidental.
Aquela ruptura existencial complexa, de raízes fundas, que os psicólogos apontam como fonte primeira das nossas angústias e desesperos, traumas e neuroses. Mas enquanto a psicanálise se debruça sobre seus pacientes, tentando oferecer terapias salvadoras, séculos e milênios descobrem que somente a luz da fé clareia um pouco as sombras desta ruptura-mistério.
Foi a queda original que desmantelou nosso equilíbrio interno. O diálogo com Deus foi rompido. E a liberdade primeira, fonte de equilíbrio, perdeu-se a partir de então. Por livre escolha, num gesto de desatino, os homens construíram sua prisão individualista, rompendo com o Criador, afundando-se nas trevas do pecado, da rebelião.
Eu disse prisão. Exatamente. O homem que se fecha sobre si mesmo, o homem que segue apenas os ditames do seu egoísmo, voltando as costas a Deus e ao próximo, este homem termina invariavelmente construindo as grades da própria prisão.
Ser escravo, podendo ser livre, é terrível.
E este inglório cativeiro tem uma única saída: a abertura generosa para o outro. E, através do outro, O retorno a Deus.
Ser livre, quem não o deseja?
Não esqueça, porém:
a liberdade exige um preço, um duro
quinhão...
A capacidade de renúncia é a chave
que abre as portas do sonhado país
da LIBERTAÇÃO.

Pe. Roque Schneider - Pausa para meditação 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

É precido acreditar - Roque Schneider


Ninguém nasce pronto, perfeito, acabado. O crescimento é um processo, e nossa vida, uma escola de aprendizado permanente, com bons e maus alunos nos bancos existênciais.
A vida tem algo de escada também. Infindos degraus devem ser escalados, palmo a palmo, dia a pós dia, com destemor e motivação interna. Ninguém alcança o topo da montanha sem esforço, renúncias e sacrifícios. Viver é lutar, persistir. Nunca fique triste demais, se você perder algumas batalhas. Isso faz parte do jogo, dos desafios cotidianos. Não desanime. Levante a cabeça. A vida continua.
Continue acreditando em você mesmo, em sua potencialidades. E na força divina. A perseverança tudo alcança. Querer é poder. E prosseguir com esperança é fundamental.

Padre Roque Schneider

sábado, 31 de março de 2012

O verde do qual preciso - Roque Schneider

Gosto de verde. Não sei viver sem ele.

O verde me encanta e fascina, festa para os olhos e o coração.

O verde me tonifica e reconcilia, trazendo à tona o lado bom do menino que em mim dormita.

Este apelo para o verde trago-o da infância distante, cortado de luas e pôr-de-sol.

Sempre gostei de brincar na grama. Um gramado de futebol me embevece.

Para mim, moradia sem verde, é tapera, mesmo que seja um palacete forrado de tapetes persas.

Nas paisagens de aquarela, que pintei outrora, o verde explodia sempre, dominando o quadro todo. Até nas paisagens noturnas.

Até hoje releio, de vez em quando, o gostoso "Dom Casmurro", de Machado de Assis. Para sentir e requentar o brilho contagiante dos mágicos "olhos verdes de ressaca" da pequena Capitu. Olhos verdes, sedutores, que enfeitiçavam o Bentinho das mil promessas feitas e nunca cumpridas.

Encontrei-me, de corpo inteiro, na voz daquele outro garoto, cismando com a professora:

- Menino, tu pintas as nuvens de verde, em vez de azul e branco.

- Ficam mais lindas, professora.

- Um tanto irreais.

- Professora, eu vejo as nuvens assim. Verdes, muito verdes.

Gosto de verde. Não sei viver sem ele. Verde, em minha agenda, é questão de sobrevivência.

O pulmão dos grandes centros urbanos reclama verde para respirar. Nas ruas, no asfalto, na ponta dos arranha céus, nos cartazes luminosos, há um grito maciço, de mãos suplicantes:

- Precisamos de um banho. De um banho verde. Mais parques, mais jardins, mais avenidas arborizadas. Sem verde, a gente agoniza. Sem verde, nossos olhos choram. Sem verde já nem alma mais temos.

Mesmo sem casa própria ou sem conta bancária. Mesmo sem tevê colorida ou carro particular, o homem consegue viver. Mas quando faltam árvores e flores e grama... a gente morre, de coração ressequido.

Há remédios, que só o contato com a natureza fornece.

Universos existem que só o verde engloba e libera.

Ser ou não ser verde, cantando esperança, faz um homem sadio ou doente. Ter ou não ter verde enfeitando o cotidiano faz a grande diferença de uma civilização neurótica ou equilibrada.

Menino do Dedo Verde,
Quisera te plagiar,
Dando um banho verde verde
No céu, na terra, no mar.


Pe. Roque Schneider In Pausa para meditação

terça-feira, 27 de março de 2012

Saber...Realizar-se...Crescer - Roque Schneider

1 - A vida é uma escola, um colégio, um grupo escolar, uma universidade. Em seus bancos, rudes ou agradáveis, a gente vive aprendendo, porque as lições diárias entram pelos olhos, pela carne, pela alma.

O analfabeto é um subnutrido cultural. Seus horizontes, via de regra, têm o tamanho de uma caixa de fósforos e sua cabeça é geralmente vazia.

Ciência, cultura e saber são importantes degraus na escada da vida. Especialmente na competitiva civilização atual, onde vencem melhor os bem preparados.

Quem são os mais sábios: os especialistas de um assunto, ou os donos de uma cultura geral?

O filósofo Ralph Barton Perry não entoa entusiásticos aleluias nem ao especialista nem ao homem de cultura generalizada. Amargo ou irônico, exagerado ou próximo da verdade, eis o seu depoimento:

- O especialista conhece cada vez MAIS em relação a cada vez MENOS, até chegar à perfeição de saber quase TUDO SOBRE NADA ...

- O generalista conhece cada vez MENOS em relação a cada vez MAIS, até saber praticamente NADA SOBRE TUDO!
2 - O cotidiano rotineiro fabrica também seus filósofos. Todo simplicidade, "seu" Albuquerque confessou:

- Quando casamos, minha mulher e eu fizemos um trato. Eu decidiria nas coisas importantes e ela, nas secundárias.

- E deu certo o trato? - perguntou-lhe vizinho.             

Deu sim. Até agora nada aconteceu de importante ...

E, uma conversa entre velhos amigos, este diálogo existencial:

- O seu filho já pensou na carreira que vai abraçar?

- Por enquanto, ele só pensa em abraçar as namoradas!
3 - Os literatos têm lá sua opinião também, mergulhando a pena na tinta da escola da vida. Fala Mário da Silva Brito:

- SABER é um debater-se e um ferir-se contínuos contra as dúvidas, incertezas e contradições.

Essa luta para o encontro da verdade, ou, pelo menos, da momentânea verdade, é que nos tranquiliza a mente, que nos supre a necessidade de algum conhecimento mais estável. Mas resta, sempre, a convicção de que vivemos num tempo em que todas as ideias e conceitos são provisórios.

4 - Os poetas sempre tiveram antenas de fina sensibilidade. Captam sutilezas que o comum dos mortais jamais descobre, desvendam universos que a "nossa vã filosofia" escolar nem pressente. Cecília Meirelles escreve:

- Tudo palpita em redor de nós, e é como um dever de amor aplicarmos o ouvido, a vista, o coração a essa infinidade de formas naturais ou artificiais que encerram seu segredo, suas memórias, suas silenciosas experiências.

A rosa que se despede de si mesma, o espelho onde pousa o nosso rosto, a fronha por onde se desenham os sonhos de quem dorme, tudo, tudo é um mundo com passado, presente, futuro, pelo qual transitamos atentos ou distraídos.

Pe. Roque Schneider In Pausa para meditação 

terça-feira, 20 de março de 2012

O problema humano - Roque Schneider

1 - Qual é, afinal, a maior ironia da civilização moderna?
A bomba atômica que nos pode reduzir a cinzas, de uma hora para outra?
A poluição multiforme que nos invade por todos os lados?
A vida cada vez mais difícil nos grandes centros urbanos?
A mais cruel e dramática ironia da civilização hodierna é sua capacidade de resolver quase todos os problemas que se agigantam na rota, menos o grande problema humano.

2 - A ciência, poderosa ciência, manipula instrumentos cirúrgicos, os mais sofisticados. Repara o coração, faz transplantes. Cria vacinas salvadoras, antibióticos excepcionais, remédios milagrosos.
O homem se multiplica, através dos computadores, da cibernética, da TV, dos raios Laser.
Mas este mesmo homem, engenhoso em tantas áreas, não aprendeu ainda a fórmula redentora de criar uma vida justa, humana, tranquila e feliz para todos os seres humanos.

Por quê?
Simplesmente, porque uma criatura de carne e osso não responde à semelhança das máquinas.
Simplesmente, porque todos' os instrumentos eletrônicos, tão rápidos e tão eficientes, não conseguem dar-nos todas as respostas e soluções, das quais necessitamos, com urgência, nos grandes e pequenos momentos da vida.

3 - O homem de hoje, mais do que nunca, costuma ficar nas periferias, na superfície. E o problema humano é um problema de profundidade.
Somos tão ingênuos, tão cegos, tão apressados e tão pouco exigentes!
Grudamos alguns esparadrapos na ferida e pensamos que tudo está jóia, que tudo está OK, sanado, perfeito.

4 - Ficamos na superfície, na periferia, nas primeiras ramadas.
Instinto de pudor, que se nega a descer até lá embaixo, no fundo?
Comodismo, indiferença, cansaço, capitulação perante a problemática existencial?
A incorrigível mania de protelar para amanhã, o que nos assusta hoje?
Falta de coragem para enfrentar a verdade total, frente a frente, olhando-a bem nos olhos?
Vale a pena recordar aquele provérbio chinês:
Não podemos impedir que as andorinhas revoem sobre nossa cabeça. Mas podemos evitar que façam ninho em nossos cabelos.
Quando ficamos na superfície, adiamos a solução.
E a batalha já está perdida de antemão, se a covardia é nossa bússola e norte.
Quem espera, com alegria, tem MAIS VIDA, mais vibração.
Quem se omite, amargo e triste, carrega o esquife da própria morte no fundo do coração.
O sábio e forte peleja, reza e insiste.

Pe. Roque Schneider - Pausa para meditação

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ela quase enlouqueceu de felicidade - Roque Schneider

Aquela garota, adolescente de 13 anos, disse tudo no seu desabafo:

- Outro dia, papai conseguiu dar-me 20 minutos do seu tempo. Quase morri do coração, de puro susto e surpresa. Eu já perdera qualquer esperança de comunicação com papai. Mas o milagre aconteceu. E senti um impulso maluco para voar, como um pássaro livre. Tive ímpetos de gritar ao mundo minha alegria indescritível.

Quase enlouqueci de felicidade!

Simplesmente por sermos gente,

Um sorriso nos invade,
quando a comunicação acontece.
E, deslumbrados de felicidade,
agradecemos, na prece.

Chegamos a ter vontade
de bater palmas e voar,
como a gaivota que brinca,
por sobre as ondas do "mar!

Roque Schneider – Pausa para meditação

segunda-feira, 12 de março de 2012

Abelhas e Flores - Roque Schneider

1 - Tão comunitárias, tão solidariamente laboriosas as abelhas de uma colmeia! E tão obsessionadas pelas flores. Porque, nas flores, elas buscam o pólen, o mel. Para o armazém de seus favos.
Não raro, sem o saber, buscando mel, as abelhas encontram veneno. O veneno fatal, que certas flores escondem. E milhares de abelhas operárias tombam mortas, em pleno vôo de regresso, ou junto ao colmeal.
2 - As flores enfeitam caminhos da vida. E a gente pode encarnar o gesto da flor, perfumando os caminhos alheios. Levando alegria, otimismo, generosidade e bem querer aos irmãos de caminhada.
Por outro lado, fica-nos sempre também a possibilidade de envenenar, como as flores traiçoeiras que matam abelhas.

Senhor,
que eu seja perfume e vida,
hoje, amanhã e sempre:
em toda parte, a cada instante.
Deve ser terrivelmente frustrante
destino da flor suicida,
destino da flor traiçoeira, assassina,
cheia de fel agressor
Por que converter-me em causa de morte
àqueles que me procuram,
SE NASCI PARA SER FLOR,
perfume, vida,
ressurreição e amor?

Nenhuma história humana é escrita sem a presença de uma ou duas mãos amigas que se estendem em nossa direção.
E mundo algum poderá aproximar-se de Deus, se em cada coração não pulsar a bondade!
Enquanto enxugo lágrimas alheias, não encontro tempo para chorar!
Sempre pensei que a cruz mais pesada era a minha.
Quando senti a cruz dos outros, mudei rapidamente de ideia!

Pe. Roque Schneider - Pausa para meditação

domingo, 11 de março de 2012

A prece que não houve - Roque Schneider

Ela se julgava vítíma de milhões de injustiças. inocente ... e tão espezinhada.
E queixava-se a todo mundo da maldade de que fora alvo, da ingratidão recebida por tantos lados.

- Meu Deus, em que estado lastimável me deixaram! Virei um trapo de gente... A criatura mais infeliz sobre a face da terra! Sim, ela sofrera algumas injustiças. Quem é que nunca as sofreu?

 Seu erro maior: inculpava os outros, sem bater no peito, com a mão do arrependimento. Porque ela se esquecia de rezar esta outra prece da humildade:

- Senhor, perdoa-me as injustiças e os males que EU ocasionei ao longo da minha vida. Outros esbofetearam meu rosto. Mas eu os esbofeteei também, rasgando a VERDADE ...
Roque Schneider - Pausa para meditação 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Fome e sede de amor - Roque Schneider

Somos gente e não máquinas.
Pessoas e não robôs.
Seres humanos, de carne e osso, de corpo e alma, de cérebro e coração.
Misteriosos poços de sensibilidade.
Tremendos abismos de afetividade.
Nem anjos, nem bestas. Coluna do meio.
Carentes, sofridos. E um corpo pedindo.
E leis proibindo.
Somos gente. Imagens, em miniatura, do próprio Deus.
De um Deus, amigo, Pai, GENTE!

E por isso mesmo, o que mais nos falta, o que mais pedimos, quase de joelhos, é uma única coisa, sem a qual não conseguimos viver... como gente...
É um apelo que brada. É uma fome profunda. É um oceano que estruge. É uma sede que mata, estraçalha e punge lá dentro, na raiz primeira do nosso ser: FOME E SEDE DE AMOR!

AMOR, com muitos nomes e sobrenomes.
Com apelidos até.
Ternura, amizade, proteção, carinho, segurança, atenção, desvelo, simpatia, cordialidade. Dois olhos amigos luzindo conforto.
Um ombro fraterno nas horas amargas, nas horas de enlevo.
Um timbre macio de voz benfazeja, querida. Resposta de afeto. Calor humano... AMOR!

Quem oferece as flores do coraçãe planta canteiros que não morrem!
E a noite floriu estrelas, quando a esperança iluminou minha vida!

O que faz alguém ser alguém
é a compreensão,
a convivência,
o amor,
a valorização.

Roque Schneider – Pausa para meditação

terça-feira, 6 de março de 2012

Nas rotas das soluções - Roque Schneider

No fundo, tudo seria tão diferente, e os problemas humanos se apequenariam, se nos jogássemos de cabeça, decididos, confiantes, pelas veredas da paz, pelos caminhos do Evangelho, do amor, da fraternidade.
A  mais cristalina boa vontade talvez não seja suficiente   para modificar a face da terra.
Uma corrente universal de  boa vontade, no entanto, quanto bem não poderia realizar!
O desamor continuará fazendo estragos. A violência prosseguirá matando.
O ódio, a desonestidade e a rapina selvagem jamais morrerão de todo, enquanto o mundo for mundo. Porque o egoísmo sempre terá seus cultores, fracos ou mal intencionados.
Mas seria tão gratificante e maravilhoso, se o MILAGRE DO AMOR acontecesse. Não da noite para o dia, porque é preciso ser realista.
Soluções à vista? Algum remédio ao nosso alcance? Algum segredo disponível?
Sim. Eles existem. Porque todo esforço vale, todo empenho ajuda e qualquer esperança constrói, mesmo pisando escombros e desafiando percalços.
Depende um pouco de mim, de você, de cada um de nós. A união faz a força. As decisões pessoais e coletivas podem operar o milagre.

Senhor,
sei que é difícil converter pedras em corações bondosos. Mas talvez eu consiga plantar alguma flor de alegria nalgum recanto perdido ou chão aparentemente estéril.
Com certeza, parte do meu trabalho, das minhas preces, dos meus recados e reflexões cairá no vazio, sem a menor ressonância. Mas ao menos não durmo, de braços cruzados, nas arquibancadas da omissão.
Criatura alguma conseguirá humanizar o mundo inteiro. Eu sei. Todavia, quero jogar algumas migalhas de conforto, de luz e esperança na mesa larga da vida. Porque ainda acredito no milagre e nos meus irmãos. E o mal, embora tão espraiado, jamais fará que eu jogue os remos no fundo do barco.
Senhor, dá-me esta graça: quero viver e lutar, remando, servindo, lutando, escrevendo, rezando, sorrindo, confiando. Mesmo que seja contra toda a esperança.
A esperança é a estrela luminosa dentro do meu existir.

Pe. Roque Schneider In Pausa para meditação

sábado, 3 de março de 2012

Alegria e felicidade - Roque Schneider

O mais lancinante sofrimento humano é não ver sentido nas coisas, no mundo, no ritmo vertiginoso dos acontecimentos, nos mistérios que nos cercam e desafiam.
Felicidade compartilhada, alegria dobrada. Os descrentes e os egoístas, totalmente voltados sobre si mesmos, constroem as tristes grades da própria prisão.
Quem ama e é amado traz nos olhos o brilho do entusiasmo, o sorriso da esperança e da motivação, irradiando paz, serenidade, destemor.
O tédio só acampa em cidadãos carentes e marginalizados, em corações vazios e mesqui­nhos, órfãos de idealismo e espírito comunitário, desvinculados de Deus.
Como seria diferente este mundo em que vivemos, cheio de ódios, rancor e guerra... se houvesse mais gente erguendo os braços suplicantes e colocando os joelhos em terra...

Pe. Roque Schneider In Passos e Espaços - Para Ser, Viver e Crescer  

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ainda existe milagres ? - Roque Schneider

É uma experiência da vida, de cada dia. Nin­guém ama o que não conhece. Para amar é preciso conhecer, estar perto, conviver.

 Por outro lado, conhecer demais é perigoso também. A proximidade banaliza, rouba o misté­rio, tornando tudo caseiro, demasiado nosso. Já Napoleão Bonaparte lembrava com ironia e saga­cidade:
 - Ninguém é gênio aos olhos do seu criado de quarto!
 E um ditado popular nos lembra: "Santo de casa não faz milagres".


 Não faz milagres, por quê? Porque não se acredita que faça... ou não deixamos que eles aconteçam ao nosso lado.
O milagre é habitual. Basta um pouco de coração e sensibilidade para descobri-lo na superfície do cotidiano mais trivial­.



Pe. Roque Schneider In Passos e Espaços - Para Ser, Viver e Crescer

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Bondade não morre - Roque Schneider

"A força mais poderosa do mundo é o
Amor. Não há investimento mais solido e duradouro do que a caridade.
Sendo o Amor tão importante e decisivo no tempo e na eternidade, por que será que os homens investem tanto no ódio, no ressentimento, na inimizade, na injustiça, na destruição?
Basicamente por egoismo. Essa erva daninha infesta a lavoura dos corações,infiltra-se sorrateiramente em nossos pensamentos, gestos e atitudes. Além do mais, a caridade exige um preço feito de renúncias, despojamento interno, generosidade e doação que nem sempre estamos dispostos a pagar.


Senhor, que eu multiplique gestos de sabedoria perene, imunes ao desgaste do tempo. Que eu seja bom e fraterno, hoje e sempre!"


Roque Schneider

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sonhar ajuda - Roque Schneider

"As grandes almas, como os poetas, conservam seu coração de criança, em qualquer idade. Por isso mesmo radiografam o ser humano em suas profundidades:

"Duas vidas todos temos,
muitas vezes sem saber ...
A vida que de fato vivemos,
e a que sonhamos viver" .

Sonhamos dormindo e acordados também. José do Egito, do Antigo Testamento, en­trou na História com o apelido de José, o sonhador. E Sigmund Freud cons­truiu toda sua teoria psicanalí­tica sobre o terreno movediço dos sonhos.

Amaciando percalços, angústias e asperezas, os so­nhos têm seu lado benfeitor, acolchoante. Nem Deus nos proíbe sonhar, contanto que voltemos à nossa realidade, depois."

Pe. Roque Schneider In Passos e Espaços - Para Ser, Viver e Crescer  

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Venho de longe - Roque Schneider

Paulo Setúbal, escritor brasileiro, escreveu:

"Obrigado, meu Cristo. Se eu não tivesse des­cido ao fundo do poço da miséria, não apreciaria agora, em dimensões tão amplas, o esplendor das alturas, tão perto de ti. Através dos obstáculos e do sofrimento, tua mão elevou-me e sou feliz. Quem sabe tenho alguns méritos também, porque venho de longe, de bem mais longe que muitos outros".

Quem já sofreu entende melhor seus colegas de sofrimento. Quem já esteve estirado no chão é mais aberto para entender um irmão caído, os filhos pródigos que um dia desertaram da casa paterna.

Há mágoas que purificam, imperfeições que nos fazem mais solidários. O fracasso, quando as­sumido, tem um sentido vertical. A exemplo do elevador, nos conduz para mais perto de Deus .
Rezando, espiritualmente o profano,
trazendo a eternidade
para dentro do cotidiano.

A oração é remédio e terapia
que infunde paz e serenidade,
equilibrio psicológico, alegria.

Pe Roque Schneider In Passos e Espaços 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Poesia,Música e Oração - Roque Schneider

"Vivemos num século que nos embrutece e mal­trata, no qual os poetas, os músicos e os san­tos escasseiam a olhos vistos. De tão agredidos e machucados por todos os lados, corremos o risco de agredir e pisotear também.
A música sadia eleva o espírito, lavando-nos a alma. E as mãos em prece nos devolvem pedaços do Infinito em pleno vale de lágrimas e desencantos. Sem oração, sem música e sem poe­sia, o mundo se transformaria num deserto árido, inabitável.
o barulho nos tonteia, adoece.
E o silêncio, com jeito de prece,
nos pacifica e reconcilia
conosco mesmos, com Deus, com nossos ir­mãos."

Pe. Roque Schneider In Passos e Espaços - Para Ser, Viver e Crescer 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Alegres na esperança - Roque Schneider

"De raízes fundas, o anseio de amar e ser ama­do lateja no fundo do coração humano,
ta­lhado para o infinito.
Cristo nos quer solidários, generosos, li­bertos, abnegados, entusiastas e sorridentes.
Ou como nos lembra Paulo, apóstolo: "Alegres na es­perança, pacientes nas dificuldades, perseverantes na oração".
Maurice Zundel nos avisa: "Não sabem o que perdem os que não sabem escutar o silêncio". E Kierkgaard, filósofo alemão, dizia: "Só quem se modificou pode modificar os outros".
Jesus, missionário e redentor, de coração imenso como o mundo, moldai o nosso coração segundo o vosso, na forja da caridade, do amor."

Pe. Roque Schneider In Passos e Espaços  

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Comunhão das almas - Roque Schneider

"As maiores forças do mundo continuam sen­do a oração, os joelhos em terra, as mãos em prece, a fé, a esperança, a energia poderosa de um ideal, de um projeto-vida, de uma profunda e ina­balável motivação.

Quem leva Deus, o Evangelho e valores espirituais a seus irmãos se torna altamente ben­feitor, missionário fraternal, extensão do próprio Cristo na terra, evangelizador. Amor profundo en­laça almas e corações.

Muitos lares desmoronam, se desfazem, porque esposo e esposa, pais e filhos não atingi­ram esta sagrada e insubstituível comunhão de almas, de corações.

Por que será tão abrangente, luminosa e avassaladora a sintonia das almas, no mistério do nosso existir? É que a alma esconde ressonâncias de infinito, de plenitude, de eternidade."

Pe. Roque Schneider In Passos e Espaços

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Muros e Pontes - Roque Schneider

Além de importante propriedade a ser defen­dida, a vida é um dom a ser repartido, par­tilhado. Quem se fecha sobre si mesmo joga fora infantilmente as chaves da porta que abre para o país da plenitude, da realização humana. Viver é dividir e partilhar o que somos e o que temos. Quem não participa se apequena, empobrece, per­de altura e profundidade.

Por que levantar muros que dividem, se fomos chamados para a sagrada missão de ser ponte que une margens e aproxima peregri­nos em trânsito?

Imensa, verdadeiro programa de vida, a frase de Tagore:

" Que eu não reze para ser preservado dos perigos, mas para encará-las de frente".


Pe. Roque Schneider In Passos e Espaços - Para Ser, Viver e Crescer