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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Frase do Dia com Camões

Bom Dia !!!!

"Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades, Muda-se o ser, Muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de Mudança, Tomando sempre novas Qualidades."
"Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades, Muda-se o ser, Muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de Mudança, Tomando sempre novas Qualidades." 
Luís Vaz de Camões

sábado, 27 de outubro de 2012

Aquela triste e leda madrugada - Luis Vaz de Camões

Aquela triste e leda madrugada, 
Cheia toda de mágoa e de piedade, 
Enquanto houver no mundo saudade 
Quero que seja sempre celebrada. 

Ela só quando, amena e marchetada, 
Saía, dando ao mundo claridade, 
Viu apartar-se d’ua outra vontade, 
Que nunca poderá ver-se apartada. 

Ela só viu as lágrimas em fio, 
Que duns e doutros olhos derivadas, 
S’acrescentaram em grande e largo rio; 

Ela viu as palavras magoadas, 
Que puderam tornar o fogo frio 
E dar descanso às almas condenadas.


Luis Vaz de Camões

terça-feira, 1 de maio de 2012

Não pode tirar-me as esperanças - Luís Vaz de Camões

Busque Amor novas artes, novo engenho 

Para matar-me, e novas esquivanças; 
Que não pode tirar-me as esperanças, 
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho! 

Vede que perigosas seguranças! 
Pois não temo contrastes nem mudanças, 
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas conquanto não pode haver desgosto 

Onde esperança falta, lá me esconde 
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que na alma me tem posto 

Um não sei quê, que nasce não sei onde; 
Vem não sei como; e dói não sei porquê.


Luís Vaz de Camões In "Sonetos"

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - Luís Vaz de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Aquela cativa - Luis Vaz de Camões


Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que para meus olhos
Fosse mais formosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas,
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Para ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela enfim descansa
Toda a minha pena.
Esta é a minha cativa
Que me tem cativo,
E, pois nela vivo,
É força que viva.
Luis Vaz de Camões

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Novos casos de Amor, novos enganos - Luiz Vaz de Camões

Novos casos de Amor, novos enganos,
envoltos em lisonjas conhecidas,
do bem promessas falsas e escondidas,
onde do mal se cumprem grandes danos:

como não tomais já por desenganos
tantos ais, tantas lágrimas perdidas,
pois em a vida não basta nem mil vidas
a tantos dias tristes, tantos anos?

Um novo coração mister havia
com outros olhos menos agravados
para tornar a crer o que eu não cria.

Andais comigo, enganos, enganados;
e se o quizerdes ver, cuidai um dia
o que se diz dos bem acutilados.

Luiz Vaz de Camões

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Quem vê, Senhora, claro e manifesto - Luis Vaz de Camões

Quem vê, Senhora, claro e manifesto 
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder de vista só em vê-los,
Já não o que deve a vosso gesto.

Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e alma por querê-los,
Donde já não me fica mais de resto.

Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso,
E o proveito disso eu só o levo.

Porque  é tamanha bem-aventurança
O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.

Luis Vaz de Camões

sábado, 21 de janeiro de 2012

Quem diz que amor é falso... - Luís Vaz de Camões

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piadoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
seja por cego e apaixonado tido,
e aos homens, e inda aos deuses, odioso.

Se males faz Amor, em mi se vêem;
em mi mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria.

Luís Vaz de Camões

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tão crua Ninfa, nem tão fugitiva - Luis Vaz de Camões



Tão crua Ninfa, nem tão fugitiva,
com lindo pé pisou
a verde erva, nem colheu as brancas flores,
soltando seus cabelos d'ouro fino
ao vento que em mil doces nós os olhos ata,
nem tão linda, discreta e tão fermosa
como esta minha imiga.

Aquilo que em pessoa hoje viva
no mundo não se achou,
quis nela a Natureza, seus primores
mostrando, que se achasse de contino:
castidade e beleza; üa me mata,
a outra, de suave e deleitosa,
me faz doce a fadiga.

Mas esta bela fera, tão esquiva,
que o prazer me roubou,
quis-mo pagar seus únicos louvores,
cantando eu num estilo dela indino;
porque, se de louvor tão alto trata,
não sei eu tão baixo verso e prosa
que escreva nem que diga.

Aquela luz que a do Sol claro priva,
e a minha me cegou;
aquele mover de olhos, minhas dores
causando do olhar manso e divino;
o doce rir, que esta alma desbarata,
faz a sua pena desejosa
e de seu mal amiga.

Dos belos olhos veio a a flama viva
que n'alma se ateou
com a lenha de vossos disfavores,
queimando dentro o coração mofino,
cujo fim, por mor dano, se dilata
com a esperança falsa e duvidosa
que forçado é que siga.



Minha ou vossa vendo-se cativa
quem Deus livre criou,
se aqueixa desses olhos roubadores,
culpando ao claro raio peregrino;
mas logo a luz suave, que a resgata,
de vossa linda vista graciosa
a faz que se desdiga.
 
Nenhüa que no mundo humana viva,
que o Criador formou
por milagre maior entre os maiores,
formou um feito de tal Feitor dino;
Deus não quer que sejais, Senhora, ingrata,
mas que ajudeis üa alma desditosa
que em vós servir periga:
 
a sofrer esta pena rigorosa
vosso valor me obriga.
 
Luis Vaz de Camões

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Amor é fogo que arde sem se ver - Luís Vaz de Camões




Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões