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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Além do que podemos carregar - Letícia Thompson

Ouvimos, como motivação ou intenção de consolo, talvez mesmo um pequeno raio de esperança, que Deus não nos dá a carga além da que podemos carregar.

É assim que suportamos, passo a passo, os fardos que chegam a nós e as misérias que ouvimos, previstas há séculos, às quais recebemos sempre como algo surpreendentemente novo e assustador.

Não sabemos como vai ser o amanhã, mas nos sabemos cabeças nuas e sujeitas ao que vier. Não estamos preparados para a dor e desolação e jamais estaremos. Pés calejados não suportam melhor os calçados apertados. É assim que, mesmo "preparados" mal suportamos as cargas e com lágrimas as carregamos.

Sobrevivemos a elas e os que não sobrevivem é por que os limites foram atingidos. Se a dor vence a força é porque a paz estava no descanso eterno. Compreendemos mal essas verdades; vivemos mal essas verdades e se não aceitamos, aprendemos o que significa a resignação.

Grandes tragédias sempre existiram. Guerras, enchentes, terremotos, pragas e pestes, cidades inteiras destruídas já são citadas no Antigo Testamento... o que é diferente nos dias atuais são os meios de comunicação que tornam tudo imediatamente acessível, aos ouvidos e olhos. Se não sabemos, não sofremos; se sabemos e não vemos, sofremos menos.

Nosso amor a Deus não pode ser condicional ao que vivemos, por que o amor dEle não é condicional ao que oferecemos. 

Isso não é uma palavra de consolo, nem uma pequena luz de esperança para o dia de amanhã, mas uma verdade que nos conduzirá ao sentimento de paz e à vida eterna.

Se as cargas são por demais pesadas e aparentemente insuportáveis e continuamos de pé é que ainda temos um caminho pela frente, para viver e estender a mão aos que carregam cruzes mais pesadas que as nossas.

Letícia Thompson

sábado, 27 de outubro de 2012

Nosso coração é uma casa - Letícia Thompson


Nosso coração é uma casa onde ninguém entra e sai, com ou sem nossa permissão, sem deixar marcas nas paredes.
Muitos deixam marcas profundas de felicidade; outros deixam cicatrizes que marcarão nossa vida para sempre.
Os amigos deixam marcas fortes, mas suaves. E cada vez que tocamos nossa alma com nossas recordações lá estão os traços, invisíveis, mas legíveis, como as escrituras em Braile. É suficiente fechar os olhos para ver toda uma história gravada nas paredes do nosso ser. Nesses momentos nosso rosto sorri sozinho.
Os amores perdidos deixam marcas irrecuperáveis: eles deixam um gosto doce e amargo ao mesmo tempo. Amargo na maioria das vezes. Sim, eles têm mais gosto que qualquer outra coisa e sempre sobem a nossa garganta quando as lembranças nos assaltam.
Tristes são as marcas das dores que deixaram os que nos fizeram mal. São as cicatrizes que deformam nossas vidas se não aprendemos a conviver com elas. Mesmo se queremos ir adiante, de vez em quando nosso olhar se volta para esses rabiscos mal traçados e sentimos a dor tal e qual no primeiro dia.
Quantas vezes não impedimos que alguém entre por causa de preconceitos ou idéias pré-concebidas, ou medo de tentar de novo uma nova relação. Ao primeiro olhar, nos trancamos. Outras vezes, sem muita consciência, deixamos entrar quem não valia muito a pena. Somos maus juízes porque confiamos demais nos nossos olhos e de menos no nosso coração. Devemos pedir a Deus que nos dê um pouco mais de dicernimento, pois agindo por nós mesmos, podemos estar nos trancando a maravilhosos encontros.
De vez em quando, é preciso fazer uma boa faxina nessa casinha tão preciosa. É preciso polir carinhosamente, realçar as marcas bonitas e passar tinta nova e clara nas paredes; de vez em quando é bom abrir as janelas e deixar que o sol entre e ilumine todos os cômodos. E enfeitar com as janelas com flores de cores vivas e alegres.
De vez em quando é mesmo muito importante achar o cantinho mais gostoso dessa casa e sentar-se nele. E rir do nada. E jogar os ressentimentos para bem longe. Sentir-se bem consigo.
Se nosso coração é uma casa, faça do seu a casa dos seus sonhos. Lembre-se que não importa quantos entram e saem, você é o dono, só você é responsável. Faça mudanças necessárias. Jogue o inútil no lixo. Só não se esqueça, nessa mudança, de colocar de volta nas paredes essas marcas benditas que deixaram esses que foram bênçãos na sua vida. Dê a mão aos doces momentos, os momentos felizes. Tudo o mais é inútil, tudo o mais deve ficar pra trás.

Letícia Thompson

domingo, 30 de setembro de 2012

É triste dizer adeus - Letícia Thompson


É triste dizer adeus, mas às vezes é necessário. Não podemos prender a nós definitivamente as pessoas que amamos para suprir nossa necessidade de afeto. O amor que ama, aprende a libertar.
Procuramos ganhar tempo para tudo na vida. Mas a vida, quando chega no próprio limite, despede-se e é esse último adeus que é difícil de compreender e, mais ainda, aceitar.
Possuímos um conceito errado do amor. Amar seria, no seu total significado, colocar a felicidade do outro acima de tudo, mas na realidade é a nossa felicidade que levamos em consideração. Queremos os que amamos perto de nós porque isso nos completa, nos deixa bem e seguros. E aceitar que nos deixem é a mais difícil de todas as coisas.
Não dizemos sempre que queremos partir antes de todos os que amamos? Isso é para evitar nosso próprio sofrimento, nossa própria desolação. É o amor na sua forma egoísta.
Aceitar um adeus definitivo é uma luta. Se as perdas acontecem cedo demais ou de forma inesperada, o sentimento de desamparo é muito maior e a dor mais prolongada. É o incompreensível casando-se com o inaceitável e o tudo rasgando a alma. Essas dores poderão se acalmar, mas nunca se apagarão.
Mas quando a vida chega ao final depois de primaveras e primaveras e outonos e mais outonos, nada mais justo que o repouso e aceitar a partida é uma forma de dizer ao outro que o amamos, apesar da falta que vai fazer.
Não podemos prender as pessoas a nós para ter a oportunidade de dizer tudo o que queremos ou fazer tudo o que podemos por elas. De qualquer forma, depois que se forem, sempre nos perguntaremos se não poderíamos ter dito ou feito algo mais. Mas essas questões são inúteis.
O amor que ama integralmente não quer ver o outro sofrer e ele abre mão dos próprios sentimentos para que o destino se cumpra, para que a vida siga seu curso.
As dores do adeus são as mais profundas de todas. Mas elas também amenizam-se com o tempo e um dia, sem culpa, voltamos a sorrir, voltamos a abrir a janela e descobrimos novamente o arco-íris da vida.
Depois da tempestade descobrimos um dia novo e o sol brilha de maneira diferente. E talvez seja assim que aprendemos a dar valor à vida, aos que nos cercam; aprendemos a viver de forma a não ter arrependimentos depois e aproveitar ainda mais cada segundo vivido em companhia daqueles que nosso coração ama.

Letícia Thompson

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Amanhã não existe - Letícia Thompson


As pessoas não são eternas. Pelo menos não na vida terrena. Elas apenas passam, vivem o tempo que lhes é ofertado e retornam à terra.
Ninguém pode acrescentar um segundo sequer à sua vida ou à de alguém. Não temos esse poder e quando a hora chega, ela chega.
Mas preferimos não pensar nisso. Julgamos que temos todo o tempo do mundo para fazer isso ou aquilo, para recuperar o perdido, para sarar o ferido e restabelecer a paz.
Amanhã eu ligo, amanhã eu faço, amanhã peço perdão, amanhã me reconcilio, amanhã...  como se pudéssemos segurar o amanhã nas nossas mãos! Como se ele fosse chegar por nossa vontade e trazer tudo como ontem ou como hoje! Amanhã? Hoje é o amanhã de ontem e tudo continua na mesma, por que espera-se pelo amanhã.
Cada qual tem sua história e suas histórias. Cada qual sua cruz e suas dores, suas alegrias, seus lamentos, seus dissabores, seus ganhos e perdas. É o que nos forma como pessoas, que nos dá a impressão de existir, de fazer parte do universo. E há, assim, como com milhares de outros, relacionamentos quebrados, porque um dia alguém feriu e foi ferido.
Quando isso acontece, construímos em volta do nosso coração um muro, uma barreira que o outro não pode atravessar. Nos sentimos tão importantes com isso que nem percebemos que esse muro impede o outro de entrar, mas nos impede, a nós, de sair. Nos tornamos prisioneiros, aprisionados das nossas idéias e nossas mágoas. Não estendemos a mão e recusamos a do outro, caso nos estenda.
Enquanto isso, a vida continua. Não damos, talvez para punir e não recebemos, como punição que nos infligimos a nós mesmos, inconscientemente.
Vamos deixar para amanhã para resolver isso, porque hoje estamos magoados demais, não conseguimos perdoar e não queremos dar o braço a torcer, afinal, não erramos. E eu diria, como Cristo, quem nunca errou, que atire a primeira pedra!
Amanhã não existe. O amanhã, só o conhecemos quando o sol nasce e que o Senhor nos dá aquele dia a mais. E todo mundo não chega lá. Não podemos afirmar que estaremos ainda aqui, porque a vida é imprevisível, às vezes temos o sentimento que é mesmo cruel.
Se o hoje nos é ofertado, por que não viver sem grades e sem muros, em comunhão com o mundo e com Deus? O orgulho? Olhe para ele de cara feia e diga: eu quero é ser feliz e se eu quero, eu vou ser feliz!
Muros nos impedem de abraçar, de sentir o calor ou as batidas do coração do outro. Nos impedem de dar e de receber, nos transformam em pessoas separadas e isoladas.
Destrua, então, com coragem, dessa que só os grandes possuem, esse muro em volta do seu coração e volte a abraçar. Perdoe, mesmo se perdão não foi solicitado, porque cada qual deve dar conta da sua vida a Deus e a outra pessoa responderá por si mesma.
Liberte-se , porque se o amanhã não vier para a outra pessoa, você terá que aprender a conviver com seu coração fechado e terá perdido os melhores anos da sua vida.

Letícia Thompson

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Não posso viver sem você - Letícia Thompson


"Não posso viver sem você. Você é toda a minha vida."
Sonhamos todos ouvir coisas assim. Sonhamos todos com um amor imenso e incondicional. Ter alguém que nos olhe com olhos cheios de amor e nos diga coisas que nosso coração anseia, coisas que nos façam sentir únicos e especiais.
Mas por detrás de tudo o que é dito há sempre uma realidade implícita. Alguém que diz ao outro frases como essas não só dá ao outro o poder sobre sua felicidade ou infelicidade, como joga nos seus ombros uma enorme responsabilidade.
Dizer a alguém: "não posso viver sem você" equivale a dizer: "se você não mais me quiser, não quero mais viver, vou me deixar morrer." Mas e se o amor dessa outra pessoa diminui, se ele acaba, se ele encontra em outros braços o que ele precisa para ser feliz? Se levar a sério o que ouviu, vai se sentir na obrigação de ficar junto de quem não pode viver sem ela. Porém, viver junto sem amor é um fardo que pode ser muito pesado a carregar. Significa renunciar à própria vida para satisfazer ao outro. E como dar felicidade se não temos a mesma para oferecer?
Não podemos dar e nem exigir da outra pessoa um amor incondicional, porque não somos eternos e a outra pessoa também não. Podemos fazer com que fiquem conosco, mas não podemos exigir que nos amem. O amor deve ser um sentimento livre e liberto. As pessoas devem ficar juntas porque se escolhem mutuamente e não porque o outro exerce pressão sobre ele de forma ou de outra.
Ninguem pode e nem deve ser a vida de ninguém, que sejam namorados, pais, filhos... porque quando essa se vai de um, o outro precisa e deve continuar vivendo, o outro precisa se reconstruir. Se uma pessoa faz da outra a sua vida e ela a perde... ela perde tudo!
Não somos todos Romeus e Julietas da vida. Embora aos nossos olhos pareça bonito um amor assim, ele não é realista e nem deve ser para nós. Quando o outro parte, que seja da vida, que seja para novas direções, devemos nós procurar continuar nossa vida e nos preparar para acolher outro amor que a vida nos reserva. Precisamos nos preparar para a eventualidade de uma nova felicidade.
Ser independente de quem amamos não significa amar menos, mas amar o bastante para respeitar que este possa respirar sem nós e nós sem ele. E render graças a Deus se essa pessoa decide compartilhar nossa vida, voluntária e feliz.
Ninguém morre sem ninguém, mas todos sobrevivem, embora cheios de marcas do vivido.

Letícia Thompson

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Há coisas bonitas na vida... - Letícia Thompson


Há coisas bonitas na vida.

Bonitas são as coisas vindas do interior, as palavras simples, sinceras e significativas.

Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos...

Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa ou as noites enluaradas de verão em que todos saem de casa.

Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente ao amigo, amiga, namorado...

Bonito é achar a poesia do vento, das flores e das crianças.

Bonito é chorar quando se sentir vontade e deixar que as lágrimas rolem sem vergonha ou medo de crítica.

Bonito é gostar da vida e viver do sonho.

Bonito é ser realista sem ser cruel, é acreditar na beleza de todas as coisas.

Bonito é a gente continuar sendo gente em quaisquer situacões.

Bonito é você ser você.

                       
Letícia Thompson

domingo, 9 de setembro de 2012

Enganar-se - Letícia Thompson


Todo mundo se engana um dia ou outro,
mas ninguém gosta de admitir.
Admitir para os outros, dói.
Mas admitir para si mesmo é ainda pior.
Enganar-se é mentir-se e nem sempre estamos
conscientes de que nosso mundo,
ou o que vivemos, é bem real.
Perdemos um tempo enorme lutando pelas
nossas idéias, nossas crenças,
nosso amor e chega um dia que precisamos
baixar os braços.
A realidade muitas vezes chega de forma brutal e
se joga sobre nós sem piedade.
É nesses momentos que o mundo perde todo o sentido,
que queríamos fechar os olhos e tentar fazer com que nada tivesse acontecido, queríamos dormir e dormir até que pudéssemos acordar para chegar à conclusão que
tudo não passou de um pesadelo.
Pior mesmo é quando se trata de amor.
Acreditamos cegamente no sentimento e defendemos
uma pessoa de todo nosso ser, nos sentimos capazes
de morrer por ela, nos colocamos contra o mundo todo
e depois temos que admitir que nos enganamos.
Essa descoberta nos paralisa, paralisa nossos
sonhos e nossos sentidos.
Bloqueia nosso coração.
Só mesmo depois de muitas lágrimas derramadas
e noite mal dormidas é que conseguimos colocar
nossas idéias em ordem.
E ainda assim tentamos achar desculpas,
razões que justifiquem nossa cegueira,
nosso erro,
nosso engano.
Mas não há justificativas.
Todo mundo erra e isso faz parte do nosso
aprendizado da vida.
Enganar-se, mesmo se doloroso, é humano.
Muitas vezes quando tropeçamos não caímos,
mas damos dois ou três passos à frente.
Na vida é a mesma coisa.
Uma pessoa que fracassa não é um fracassado por inteiro.
É apenas um ser humano com um coração infantil.
E se ele for capaz de ultrapassar essas barreiras e
dar a volta por cima, será um alguém rico
de experiências e que saberá melhor que qualquer
outra pessoa a fazer suas escolhas e ter o
discernimento para saber qual o melhor
caminho a tomar.

Letícia Thompson

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Meus tantos caminhos me levam a Deus - Letícia Thompson

Nem todos os caminhos podem ser evitados, apesar de todos os nossos esforços para seguir outra ou outras direções.

Podemos decidir estar aqui ou ali, fazer isso ou aquilo e sonhar milhões de sonhos que temos certeza de que, pelo menos um deles será realizado segundo nossos planos e as ações que tentamos colocar em obra para a realização deles. Mas entre nós e Deus há a distância dos céus e do conhecimento de todas as coisas.

Meu coração, tão humano, frágil e sujeito à provações e dores conhece apenas meus desejos e o que vai além disso é do domínio do meu Criador. Aceitar sem questionar, sem querer saber do amanhã ou do depois ou dos porquês que, à bem da verdade, nem sempre nos reconfortarão, é depositar em Deus uma confiança absoluta e cega. Não nos preparamos o suficiente para isso nesse longo caminho da existência. Portanto, deveríamos.

Deus nos planta em algum lugar, nos cerca de amigos, nos dá os dias e noites necessários a esse tempo e todas as vivências que, por onde quer que andemos depois, estarão impregnados eternamente em nós.

Quando devemos mudar de planos, caminhos, direções, nossa estabilidade sofre porque a segurança vem da constância. A gente não percebe que a terra gira, que ela está em movimento e que todas as coisas sempre estão em movimento, desde as crianças que nascem aos mais vividos que voltam às suas origens.

São as mudanças que nos enriquecem, que nos mostram novas paisagens, trazem novos planos e nos fazem encontrar novas pessoas e novas coisas.

Ter muitos porquês nos impede de viver. Crer em Deus e nos Seus planos nos traz a serenidade que só a fé pode trazer e nos conduz à fonte do prazer de viver, da qual beberemos e da qual seremos saciados.

Letícia Thompson

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Frases e Pensamentos - Letícia Thompson


"Construa seu mundo com aquilo que ele te oferece,

colocando você mesmo as cores que quiser.
Não dependa dos outros para ser feliz ou infeliz,

mas viva a sua vida como verdadeiro dono dela.
O poder de ser feliz ou infeliz está nas suas próprias mãos.
Cabe a você saber com que intensidade vai viver isso!"



Letícia Thompson

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Porque os amores se perdem - Letícia Thompson

O mais difícil de entender quando os amores acabam, são os porquês. Porque duas pessoas que se encontraram e se encantaram, viveram um amor que parecia indestrutível, se separam?

Por quê o amor geralmente acaba de um lado só e é o outro que fica chorando e querendo entender as razões? Costumo comparar casais a chave e fechadura. Nem toda chave abre todas as portas e é necessário encontrar aquela exata que vai se encaixar perfeitamente e tudo será possível.

Amores deveriam ser eternos, mas nem sempre são.

Mas a gente acredita que cada vez que alguém toca nosso coração e entra, que é definitivo. Um casal que se apaixona de início, sem que um tenha tido o tempo de desnudar o outro nas suas verdades, acredita nessa chama e até briga por ela muitas vezes.

E cria-se sonhos, planeja-se o futuro… Enquanto isso os dias vão passando, toma-se menos cuidado em manter a magia e a parte dos dois que é mais sonhadora começa a sentir-se incomodada. Dá medo. Medo de ter que olhar bem nos olhos da realidade e dizer: acabou!

Medo de ter que se confessar a si próprio que ainda não foi aquela vez! Medo da solidão, de ter que recomeçar… Não são as decepções que matam o amor. Se assim fosse, não existiriam perdões e reconciliações. O que mata o amor é simplesmente a tomada de consciência de que o outro não é o ser sonhado. É como acordar depois de um longo sono e lindos sonhos. O outro está ali, é a mesma pessoa, mas aquela neblina que dava a impressão de irrealidade já não mais existe. E isso não acontece da noite para o dia, como se costuma pensar.

É algo que vem com os dias, os hábitos, as monotonias. Um percebe, o outro não. Um começa a se sentir angustiado e o outro continua acreditando ou finge que acredita. E quando a gota que faz transbordar o vaso chega é o mundo todo que desmorona. Porém, tudo não fica definitivamente perdido. Sobra de um lado a dor, e os porquês, um resto de amor que teima em ficar no fundo como o vinho envelhecido na garrafa e do outro o coração dividido por não poder reparar erros cometidos e a vontade de continuar em busca de outros horizontes. Sobra para os dois a ternura e a lembrança dos momentos passados juntos.

Por que corta-se relacionamentos, mas não se apaga momentos, mesmo que a gente queira. Vivido é vivido, feliz ou infelizmente. Inútil é querer resgatar um amor que resolveu partir pra outras direções. Quanto mais apega-se, mais ele se afasta. E quanto mais se afasta, mais dói no outro a incompreensão. É uma roda da qual é difícil de sair. E é uma pena, pois os corações não merecem isso.

Quando a questão é amor, não existe justo ou injusto. Existe o que ama, e o que não ama mais. Precisamos aceitar que o outro não tenha os mesmos sentimentos, mesmo se isso nos faz mal, por que se o amor não for livre para se instalar onde realmente deseja, ele perde toda a razão de ser.

Letícia Thompson

domingo, 12 de agosto de 2012

A gravidez de um pai - Letícia Thompson

A gravidez de um pai não se dá nas entranhas, mas fora delas.
Ela se dá primeiro no coração, onde o sentimento de paternidade é gerado. Um desejo de ser e de se ver prolongado em outra vida, que seja parte de si mesmo, mas com vida própria. Imagino que deve ser frustrante a princípio. Durante toda a espera, um pai é um pai sem experimentar o gosto de ser, sem os inconvenientes de uma gravidez, mas também sem as lindas emoções que tanto mexem com a gente. 
E quando ele sente pela primeira vez a vida que ajudou a gerar, tudo toma outra forma.  Ele sente um chute e se diz já que este será um grande jogador de futebol. E muitas vezes se surpreende e se maravilha quando vê uma princesinha que sabe chutar tão bem. Mas tanto faz. Está ali um sonho que se torna palpável. 
E um parto de um pai se dá quando ele pega pela primeira vez sua criança nos braços, quando ele se vê em características naquele serzinho tão miudinho que nem se dá conta ainda que veio ao mundo e que se tornou o mundo de alguém.  E os sentimentos e emoções se atropelam dentro dele. E ele sente que, à partir desse instante, a vida nunca mais será a mesma. E ele precisa olhar dez, cem, mil vezes para acreditar que tudo não passa de um sonho. E geralmente há um enorme sentimento de orgulho que toma posse dele.
Assim se forma um pai. Pronto para ensinar tudo o que aprendeu da vida, um dia ele descobre que não sabe realmente muito, que na verdade aprende a cada instante. Diante da sua criança ele se torna um adulto vulnerável e acessível. E vai gerando, pouquinho a pouquinho, dentro de si mesmo, a arte de se tornar um pai.

Letícia Thompson

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Expectativas - Letícia Thompson


Expectativas são esperanças que colocamos em outras pessoas ou outras coisas e que podem guiar nossa maneira de viver.
As pessoas mais sensíveis estão mais sujeitas ao sofrimento, porque vivem da esperança, mesmo se íntima, que os outros vão reagir como elas esperam.
E elas esperam quase sempre.  Amam, doam-se verdadeira e inteiramente e quando o retorno não vem, sentem-se feridas, pequenas, magoadas e até mesmo mal-amadas.
Não aprendemos ainda a "receber" o outro tal qual ele se oferece. Todas as outras pessoas que nos cercam não são pedaços de nós espalhados, mas sim seres independentes, com personalidade diferente, maneira de amar e se entregar que pode não condizer com o que nós somos. Mas amar diferente não é amar menos, é só amar diferente.
Amar sem esperar retorno é amar incondicionalmente. Difícil, difícil!... Cobramos sempre, dos nossos pais, da família, dos amigos, daqueles que fazem parte do nosso dia-a-dia. Mesmo se essa cobrança é implícita, ela existe. E somos conscientes, senão isso não causaria sofrimento.
É verdade que é cansativo dar-se a cada instante e se contentar disso sem esperas. Geralmente quem dá, dá o que gostaria de receber. Quem visita, convida, telefona, diz coisas agradáveis... vive em constante expectativa de receber o mesmo.
É como dar um presente e ficar esperando pra ver se o outro gostou. No fundo queremos que gostem, que digam algo agradável, que fiquem felizes para que nos sintamos recompensados pelo ato.
Amar, porque é natural é sublime e divino. Amar sem desprendimento, simplesmente porque o outro traz ternura ao nosso coração é algo que precisamos exercitar.
Se lavamos nossa alma das expectativas do sentimento dos outros, aprenderemos a amar como Cristo nos ensinou. Aprenderemos a ser felizes não por que os outros nos correspondem, mas simplesmente pelo fato de existirem e trazerem ao nosso coração esses raios de luz que nos iluminam e tornam nossa vida mais encantada.

Letícia Thompson

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Espelho meu - Letícia Thompson


A imagem que damos de nós é muito importante. Nós somos o que somos e ninguém nos muda, mesmo se os acontecimentos podem influenciar nosso estado de espírito. Vivendo em sociedade é imprescindível andar segundo ela.


Erramos quando queremos cobrar das pessoas que nos aceitem como somos, se somos nós que nadamos contra a corrente. Somos o centro da nossa vida, não da vida de todo mundo. Há pessoas que têm uma imagem negativa delas próprias. Se acham feias, gordas demais, magras demais, não tão inteligentes... e reclamam que estão sozinhas, que não encontram ninguém. Mas a imagem que temos de nós é a que passamos para os outros!



Olhe-se no espelho! O que você vê? Sinceramente. Agora pense que o que você vê é o que os outros vêm. Então por que cobrar dos outros uma atitude que nós mesmos não temos em relação a nós? Por que cobrar aceitação se não nos aceitamos, por que cobrar atenção se nos sentimos em nós mesmos esquecidos? Aquele que quer que as pessoas mudem sua maneira de vê-lo, deve mudar primeiro a sua maneira de ver-se.



Se algo não te agrada, há sempre uma maneira de mudar. Quando mudamos a imagem que temos de nós, a sociedade muda a imagem que tem de nós; quando nos aceitamos, a sociedade nos aceita; quando nos gostamos, as pessoas passam a nos gostar. E sabe por quê? Porque começaremos a agir em função dessa imagem.



Se estamos felizes e realmente satisfeitos com o que vemos no espelho, traremos em nós uma aura que vai transmitir essa imagem. Uma pessoa que se acha bonita (sem presunção, por favor!) passa essa imagem bonita a outros. Da mesma maneira como pessoas positivas ou negativas conseguem influenciar seus arredores.



Olhe-se uma vez mais no espelho. Você não gosta do que vê? Então, talvez seja o momento de fazer alguma mudança: corte o cabelo, cuide-se um pouco mais, faça-se bem e feliz, não pelos outros, mas por você. Se você faz pelos outros só vai cair de decepção em decepção. Faça por você! Procure pensar mais em coisas bonitas e deixar de mascar problemas na sua mente.


Lembre-se que o que há dentro da nossa cabeça modifica nossa expressão. Faça uma faxina na sua vida e elimine tudo o que você não gosta e realce aquilo que pode fazer o seu charme. Todos temos algum tipo de beleza escondida, que seja física ou espiritual. Coloque isso pra fora. Exteriorize o que você tem de melhor! Você verá... quando você olhar no espelho e se sentir satisfeito do que vê, o mundo vai se sentir satisfeito com que vê também. Ame-se e seja feliz! Afinal, você merece, como todo mundo! 

 Letícia Thompson

sábado, 21 de julho de 2012

Lágrimas de Depressão - Letícia Thompson

Por ser uma doença tão incompreendida é que muitos evitam falar. Quem não experimentou, não sabe o que significa não ter forças emocionais para abrir a janela para ver o sol.

O depressivo busca refúgio no isolamento, ele não se sente abandonado, abandona-se, desiste de si, de uma certa forma.

Há pessoas que choram seu destino, mas ao depressivo isso não acontece, pois se chora é porque não consegue ver destino, nem bom, nem ruim, apenas um vazio instalado a alguns metros dos seus olhos.

Falta vontade pra levantar, pra andar, pra sair, pra viver... a única vontade que sobra é a de dormir, pois esta não pede esforço, não exige ajuda e não obriga ninguém a enfrentar o dia.

Na depressão só as lágrimas são companheiras, pois vêem sozinhas e ficam juntas sem tentar consolar e sem fazer perguntas ou exigências. Elas ficam, simplesmente, presentes.

Que a vida é bela eu sei! Ela é bela para quem ri e para quem chora, para quem espera e para quem desespera. Ela é bela quando é noite, quando é dia, quando a chuva canta na janela e os ventos assobiam estranhas canções.

Mas a beleza da vida não é atrativo bastante para encher uma alma de querer, para injetar nela a vida e novas perspectivas. É preciso mais, muito mais que a luz do dia ou a suavidade de uma flor para dar a uma pessoa o desejo de se levantar e recomeçar o caminho.

É difícil buscar forças quando já utilizamos todas as reservas possíveis, mas é exatamente esse o momento de dirigir-nos a Deus, pois se nossas forças físicas parecem mortas, nosso pensamento está bem vivo.

E é quando abandonamos completamente nosso desejo ao desejo de Deus que nos tornamos mais fortes.

Que o depressivo não pense que chegou ao fim do caminho, ele apenas fez uma parada. Há ainda muita estrada pela frente, novas perspectivas e novos horizontes.

Quando Deus toma a direção das nossas vidas é que as janelas começam a se abrir, que nosso coração bate um pouco mais apressado e começamos a encontrar as soluções para o que antes parecia perdido.

Podemos atravessar a dolorosa estrada da depressão, mas chegaremos ao fim dela, pois se sozinhos nos sentimos, sós já não estamos.

A vida continua linda, continua bela. E se já não sabemos mais olhar, Deus nos ensina como abrir os olhos.

Letícia Thompson

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Nossos sonhos - Letícia Thompson


Nossos sonhos são o óleo que faz com que a engrenagem da nossa vida funcione.
Sonhando, corremos o risco de cair do alto um dia; sem sonhos, nunca chegaremos a subir a lugar nenhum.
Quem não sonha, não vive; quem não sonha, perde toda a esperança de ver qualquer futuro para si mesmo; quem não sonha, morre antecipadamente, morre em vida.
Quem não sonha, não gosta de pôr-do-sol, não toma tempo para olhar as estrelas, deprime e não vê as inúmeras possibilidades que a vida nos oferece para que sejamos felizes.
Melhor pensar que vai ser melhor amanhã do que ficar remoendo as dores presentes; melhor acreditar que o mundo pode ser justo e bom, que ainda existe gente boa e feliz, do que ficar vendo coisas negativas em toda a parte.
Acreditar no amor, não é um sonho. É acreditar em algo possível. Porque o amor nunca é um sonho, mesmo se nos faz sonhar; o amor é algo palpável e que dá sentido à nossa vida.
Sonhar que podemos ter uma vida diferente no futuro é apenas o primeiro passo na direção desse mesmo sonho.
Enquanto o vemos, vamos atrás dele e tudo fica infinitamente mais leve e mais fácil no presente; as cargas tornam-se menos pesadas, pois temos nossas mentes voltadas para algo mais bonito e não ficamos sentindo pena de nós mesmos. E sabemos que muito pior que sentir pena dos outros, é sentir pena de si mesmo.
Foram grandes sonhadores, idealistas, que mudaram a face do mundo. É preciso que pessoas assim continuem a existir. Podemos não ser grandes revolucionários no mundo, mas podemos tentar ser os revolucionários da nossa própria vida. Cabe a nós fazer alguma coisa. Só a nós!
Quem sonha, mantém a vida em movimento, num eterno passo na direção que nos aponta nosso grande Criador.
Quem sonha voa, corre, experimenta a vida, faz todas as coisas tornarem-se possíveis; nos sonhos pode-se ser rainha, rei, cinderela, rico, feliz ou simplesmente amado de amor infinito. É uma experiência enriquecedora.
Então, escolha você mesmo o que você quer ser. 
E depois, acredite firme nisso...

E tenha um lindo e encantado dia!

Letícia Thompson

domingo, 15 de julho de 2012

Derretendo o gelo - Letícia Thompson


As palavras morrem na porta da garganta e não saem. A mão caminha à procura de um afago ou de uma outra mão, mas não chega a lugar nenhum. Pensamos em  tomar uma atitude, mas não tomamos. Medo de rejeição. Medo do não, que doeria mais que uma bofetada.
A barreira invisível que nos separa das pessoas que mais amamos se transforma em gelo com o passar dos anos. Geralmente começa na infância, onde as manifestações de carinho são dadas através de outras coisas que beijos abraços e eu te amo. O amor existe, ele está lá, indubitavelmente, mas ele se apresenta de outras maneiras. Quem nunca teve um tio, pai, mãe ou parente que sabe que ama, mas que não consegue dar um abraço caloroso porque alguma coisa impede essa aproximação? Isso acontece mesmo entre irmãos.
O pior é quando tomamos a atitude de romper essa barreira e a outra pessoa se torna uma estátua de gelo nos nossos braços, sem saber o que fazer. O sentimento de rejeição que sentimos, ainda que rejeição não seja, pode desmoronar nossa decisão de ter dado um passo à frente. É necessário muito amor para olhar nos olhos dessa pessoa e dizer que você gosta dela, mesmo se esse sentimento é claro e evidente. É necessário dar à outra pessoa o tempo necessário para se acostumar e se moldar a esse novo modo de vida, essa nova maneira de ser.
É simples! Para se derreter o gelo, nada melhor que o calor. Não, talvez seja óbvio, mas simples não é. Não na vida, não com os sentimentos. Não existe fósforo e nem isqueiro emocional. Há um coração e é dele que precisa surgir a primeira chama. Só dele pode emanar calor suficiente para derreter o gelo da indiferença, para derrubar a barreira que nos impede de estar mais próximos das pessoas, principalmente daquelas que amamos e sabemos que nos amam, mesmo se não expressam isso com gestos e palavras carinhosas.
É sabido de todos que o calor derrete gelo,certo, mas da maneira certa. E se nõ derreter, é porque não era gelo, era pedra mesmo.
Quando você estiver com alguém que você ama e que te ama e seu coração acelerado te disser para transformar em gestos o que você sente por essa pessoa, não tenha medo. E não espere receber retorno imediato, não fique decepcionado se a pessoa ficar "em estado de choque." Dê a ela o tempo de se acostumar, olhe em seus olhos e em outras oportunidades, tente novamente.
Com o tempo você vai sentir que o gelo começa a derreter-se e que a pessoa se abandona, talvez ainda seus braços te cerquem e te apertem. Talvez até lágrimas surjam, mas serão lágrimas de felicidade.
E se depois de ler tudo isso, você perceber que é a pessoa que está do outro lado, não pense que é anormal. Somos todos a conseqüência de uma educação. Deixa-te envolver pelo calor que te invade e você vai perceber que de você mesmo vai emanar o carinho que poderá mudar tudo ao seu redor.

Letícia Thompson

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Vida Não é Mãe - Letícia Thompson

O amor da verdadeira mãe é puro e sagrado. É aquele que nasce muito, muito antes do filho vir e se prolonga até o dia da própria morte.

Ela espera, anseia, acolhe, alimenta, veste e abraça de todo o seu ser e de toda a sua alma, como não seria capaz de fazer para si mesma, pois o filho é mais que ela, é a prolongação dela para outras gerações, o pedaço que vai ficar quando ela partirá.

E o amor extremo sabe que um filho é um presente que se oferece à vida, não a si mesmo, pois ser mãe é ter o dom da abnegação.

É assim que cometemos os maiores erros, tendo dentro de nós o desejo de sempre acertar. Queremos que a vida seja um ninho, como é nosso seio, doce e terno, acolhedor e quente. Mas ela não é...

A vida diz: "luta, se quiser chegar a algum lugar!"

Ela não dá a mão, deixa caminhos livres, que ora são retos, ora escarpados, ora floridos, ora desertos, ora alegres, ora regados pelas lágrimas da dor e da decepção.

Amar demais e proteger demais nossos filhos é deixá-los despreparados para a vida.

Não existe amar certo e amar errado. O que existe é agir certo e agir errado em nome do amor.

E age certo, quem reconhece ser na vida apenas um viajante e que os caminhos percorridos não terão retorno, que o que se faz é o que se deixa. E nossos filhos são, na ordem natural da natureza e de todas as coisas, o que fica além de nós.

Por isso é importante largar a mão e deixar que aprendam a andar sozinhos, se virar sozinhos, aprendam a ser fortes e independentes... aprendam que a tristeza é um estado da alma, mas a alegria também, que não há vitória sem luta e que, não raro, antes de se chegar a ela é preciso enfrentar algumas derrotas.

Eu sei... ver um filho chorando, faz chorar nosso coração. Vê-los tristes apaga todas as estrelas do nosso céu e vê-los lutando coloca nossa alma em revolução.

Mas deixá-los viver a vida inteiramente é a única maneira de vê-los crescer. Dar responsabilidades é ajudá-los na maturidade.

As pessoas precisam sentir nas próprias veias o gosto da vitória depois da luta, o sentimento do bom orgulho, do contentamento de ter subido e descido e de ter caminhado com os próprios pés.

Amar, como há muito dito, é deixar ao outro a liberdade de ser, mesmo que isso inclua dor e decepção.

Não deixou Maria que seu filho cumprisse sua missão, sabendo, desde o início, que teria no fim uma cruz? Não baixou ela a cabeça e entregou, tendo dilacerado o próprio coração?

Podemos amparar sem servir de estaca, podemos ser o porto que sabem poder ancorar, sem que por isso os impeçam de navegar.

Letícia Thompson

sábado, 30 de junho de 2012

De você para você - Letícia Thompson


Muitas e muitas pessoas gastam suas vidas numa impressão eterna de passar pela vida sem viver.
Agrada-se aos pais, irmãos, amigos, namorado(a), marido, esposa. Se as pessoas que amamos estão felizes, está tudo bem. Não! Não é bem assim! Se não estamos bem é que não está tudo bem!
Agradar aos outros, fazer pelos outros, dar de si sem contar, sem esperar de volta o que dizemos que a vida oferece naturalmente faz parte da nobreza do nosso caráter, mas não deve ser sinal da nossa fraqueza.
Há alguém que existe além do outro: nós!
O que Deus nos pede não é uma vida de renúncias, como se não mais existíssimos, não fôssemos importantes, não tivéssemos, nós também necessidades que devem ser preenchidas.
O carinho que damos, é o mesmo que precisamos. A atenção que oferecemos, é a mesma que carecemos.
Amar o outro não é esquecer-se de si, é simplesmente amá-lo. E se esse amor exige de nós a aceitação de coisas que ferem nossa alma, é que algo está errado.
Deus não criou pessoas para servirem e outras para serem servidas. Ele criou todas as pessoas à sua imagem e semelhança, com desejos de dar e receber, como Ele mesmo. Ele nos dá um amor incondicional e nos ofereceu salvação, mas em troca pede que estejamos perto dEle.
Como podemos oferecer a felicidade e paz a alguém se nosso coração está morrendo?
O amor ao outro não deve desgastar-nos, mas completar-nos.
E de você pra você, digo:
Deus não quer migalhas de você, um ser destruído e com a impressão de não ter tirado da vida as melhores coisas.
Deus quer você completo, pois é somente estando bem que poderá fazer o bem.
Eu disse e digo uma vez mais: ame-se!
Ame-se o bastante para pôr-se de pé, para erguer a cabeça, para não aceitar viver uma vida de resignação em função de pessoas que não dão o mínimo valor ao que você é, ao que você pode ser.
Ame-se ao ponto de poder olhar-se no espelho e ficar feliz com o que vê. Se isso ainda não acontece, vire a vida de cabeça pra baixo, cuide da sua saúde física, mental e espiritual, cuide da sua aparência... coloque um enorme sorriso no rosto!
Afaste-se do mal, das armadilhas onde você inevitavelmente poderá cair, dos perigos que poderão fazer com que se perca. As velhas mágoas matam muito mais a você do que a quem te magoou, porque é você quem as carrega; aprenda a passar por cima.
Você pode perder muitas coisas na vida, mas perderá tudo, se perder a sua auto-estima, seu amor-próprio.
Nosso corpo é o templo do Espírito Santo de Deus. Que tipo de lar tem você para oferecer Àquele que te formou?
Viva de forma que aqueles que estejam perto de você respirem a paz, percebam a luz e desejem estar eternamente na sua presença. Deus também possui esse desejo...

Letícia Thompson

domingo, 17 de junho de 2012

Quem disse que Deus tarda? - Letícia Thompson

Por que Deus tarda tanto em certas ocasiões? Não entendemos. Acreditamos pela fé e caminhamos de olhos fechados. Nos ajoelhamos, baixamos nossas cabeças e elevamos nosso espírito. Sabemos que Ele tem Seu tempo. E esperamos...

Acontece de esperarmos muito. Não compreendemos então a Sua vontade e continuamos pedindo. Insistindo. Nos perdemos em questões e ansiamos por respostas. Por que o que almejamos tanto não chega, se acreditamos em milagres, se acreditamos, pela fé, que nada pode nos faltar?

Talvez seja por que alguma coisa falta: nossa parte!

Quando analisamos os milagres que Jesus fez, observamos que em certas ocasiões Ele pediu que alguém fizesse alguma coisa.

O Deus que fez descer maná dos céus para alimentar todo um povo não seria capaz de simplesmente dizer: "-haja vinho" nas bodas de Caná? Mas pediu que fossem buscar talhas e que as enchessem com água. Na multiplicação dos pães, Ele utilisou material trazido por uma terceira pessoa e à partir disso realizou o milagre.

Jesus não age com todo mundo da mesma forma, não por que faz distinção, mas porque sabe exatamente do que precisamos e qual a melhor forma de alcançarmos. Vejam: a dois cegos simplesmente passou-lhes a mão nos olhos e esses viram, a outro fez lama, lhe passou nos olhos e disse que fosse lavá-los e logo após é que esse enxergou. Imaginemos que nesse último caso, o cego não tenha obedecido e não tenha ido ao poço. Ele jamais enxergaria, porque a sua parte não tinha sido feita.

Exemplos como esses mostram que muitas vezes Deus pede que façamos nossa parte e completa realizando o que precisamos. Então, enquanto ficarmos parados, nada acontece. E por que às vezes é assim e outras não? Por que Ele conhece nosso coração e sabe que pode contar conosco.

Orar é bom. Nos aproxima do Pai. Mas oração, pede "ação". Orar e agir, ir, obedecer, fazer alguma coisa. Mas o quê? Isso Deus responde, se perguntamos.

O que importa mesmo é que nos coloquemos a disposição, que estejamos prontos e sejamos corajosos o bastante para confiar.

Quem disse que Deus tarda?

Ele chega no momento justo.

Cabe a nós agir também no justo momento.

Pense nisso...

Muita Paz!

Letícia Thompson

terça-feira, 12 de junho de 2012

Amar é... - Letícia Thompson

Quando, apesar de todas as nossas reticências, sentimos que alguém consegue penetrar no nosso interior e na nossa alma;
É quando independe de nós essa pessoa estar presente;
É quando nosso coração não nos obedece, se torna rebelde, se oferece;
É sonhar acordado ou dormindo sem que saibamos ver a diferença;
É quando vemos rosa no cinza, vermelho no preto, azul no incolor;
É quando passamos a gostar do que antes não tinha o menor valor;
É quando um sacrifício se torna um simples ato de oferenda, voluntária e de bom coração.
É quando um riso vem com uma lágrima e uma lágrima vem cheia de perdão;
É quando, se magoamos, sentimos que dói mais na gente que no outro;
É quando esperamos pelo futuro como se ele fosse chegar amanhã;
É quando aprendemos com o outro coisas que jamais poderíamos ter imaginado;
É quando ensinamos coisas que não suspeitávamos que sabíamos;
Amar é morrer de amor e sentir que a vida está nascendo lentamente dentro da gente;
Amar, é dar o presente da eternidade à pessoa que se ama;
 É encontrar no fundo da gente um cantinho permanente onde o outro poderá habitar até o depois, até o muito além do depois.
Amar é, finalmente, aceitar o outro como ele é, quem ele é e o que ele é. 
E dar o coração de presente para que o outro sinta que é a pessoa mais importante na vida da gente.


Letícia Thompson

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