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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Mensagem de Boa Noite

Boa Noite !!!


A Mensagem de Boa Noite é da Poeta, Cronista e Tradutora Paulista Flora Figueiredo, que em uma das páginas do seu livro Amor A Céu Aberto Escreveu Assim:
Noite na cidade de Teresina
Noite na Cidade De Teresina 

Se sua rua porventura aparecer
coberta de pétalas caídas
pela inclemência
de um vento qualquer,
não faça nada.
Deixe-a assim desordenada
e descabida.
São reticências que sobraram da estação passada.
Acabarão varridas pela própria vida.

Flora Figueiredo In Amor A Céu Aberto 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Parceria - Flora Figueiredo

Ficamos assim:
você joga as queixas no telhado,
eu ponho as manias de lado;
você lava a escadaria,
eu rego o jardim
Podemos varrer juntos
as nódoas secas aderentes ao passado.
Se você se habilita, eu me disponho,
num desafio à desdita.
Você acende a luz,
eu desempeno o sonho;
eu troco a fita.
Na mesa torta, a toalha colorida.
O resto é fácil:
basta mandar flores ao futuro,
derrubar o muro e acreditar na vida.
 
Flora Figueiredo In O Trem que traz a noite  

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Frases e Citações - Flora Figueiredo

"Ficamos assim: você joga as queixas no telhado, 
eu ponho as manias de lado,você lava a escadaria, eu rego o jardim.
Podemos varrer juntos as nódoas secas aderentes ao passado.
Se você se habilita, eu me disponho, num desafio à desdita.
Você acende a luz, eu desempenho o sonho,
enquanto você ensaia o passo,eu troco a fita.
Na mesa torta, a toalha colorida.
O resto é fácil: basta mandar flores ao futuro, derrubar o muro e acreditar na vida. "

Flora Figueiredo

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Força - Flora Figueiredo


Desmancha o nó,
tira a ferrugem,
espana o pó.
Empurra o pesado,
cola o quebrado,
abre o dobrado,
cerze o rompido,
coça a coceira,
gruda o trincado,
pensa o ardido
e faz brincadeira do verso chorado,
que a vida é rendeira
de sedas e trapos,
de rendas, farrapos
ou fios de algodão;
que a fibra é comprida e o mundo, artesão.

Flora Figueiredo In Florescência

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Expectativas - Flora Figueiredo


O vento anda ficando mentiroso.
Prometeu trazer você, não trouxe.
Ficou de dizer o porquê, não disse.
Esperou que eu me distraísse,
passou depressa, rumo ao horizonte.

Já não tem importância
que cometa outra vez,
um ato de inconstância.

Aprendi a esperar...
Se ventos são capazes de levar embora,
a qualquer hora, também,
são capazes de fazer voltar

Flora Figueiredo

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pecadilho - Flora Figueiredo


Devido ao seu jeito disfarçado
de me  fazer carinho
sem ser notado
e da malícia quente
que corre fluente
compondo um pecado,
estamos burlando a prescrição.
É como se fôssemos predestinados
ao beijo banido,
ao abraço contido.
Somos a falha,
a rasura,
o borrão.
Mas é que, quando enlaçados,
entramos em desatino:
em nosso momento vagabundo,
- num desafio ao destino -
rompemos o estipulado
até deflorar o mundo.

Flora Figueiredo In Calçada de Verão

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pés - Flora Figueiredo


Conheço minhas pegadas, de tanto ir e vir.
Às vezes pisam fundo
como carregassem o peso do mundo;
às vezes ficam amassadas
sob o descuido das outras pegadas.
Sobre elas, a lua nova desdobra sua saia
em cena de nudez no chão da praia.
Só perco meus passos na maré cheia:
essa mania do mar de tirar seus sapatos sobre a areia.
Conheço bem minhas pegadas.
Sou capaz de identificá-la em qualquer lugar.
Se ao menos eu soubesse aonde vão me levar... 

Flora Figueiredo In Chão de Vento

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Retrospectiva - Flora Figueiredo


Porque a vida é feita de proibições,
eu não compus todas as canções,
não percebi a brisa suspirar,
eu esqueci cantigas de ninar,
dei chances demais à voz dos credos,
não rompi de vez todos os medos,
roubei do tempo um tanto de carinho,
não vi a flor amar o passarinho,
perdi o trem na curva da vertente
e não deixei o mel melar completamente.
Porque a vida é feita de proibições,
larguei o fio, soltaram-se os balões,
deixei que o pião revirasse sozinho,
mandei que o zangão se zangasse baixinho,
desprezei a bruma que baixou o véu,
permiti à palavra dormir no papel,
evitei o desvio que atravessa a estrada,
Não quis o desafio da ronda embriagada,
não li o poema do poeta maldito
e não tive o dilema do beijo infinito.
Porque ainda há  tempo para o encantamento,
quebre-se o vidro do sermão absoluto,
rompa-se a teia, reveja-se o estatuto,
que a primavera quer amar o chão de vento.
Flora Figueiredo In Chão de Vento 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Melódico - Flora Figueiredo


Canto aos quatro cantos,
aos quatro ventos.
Desnudo as pautas do tempo
em claves, bemóis e sustenidos.
Hei de fazer chegar aos seus ouvidos
uma rima de amor em tom maior.
Quando o mundo cantá-la já de cor,
eu trago a flauta
que põe ternura nessa nota que ainda falta
pra perpetuar o nosso amor na partitura.

Flora Figueiredo In Chão de Vento

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Receita - Flora Figueiredo


Equilibre um ovo na ponta do  dedo.
Não tenha medo que ele caia,
que lambuze o chão,
que a mancha não saia,
que provoque vaia na multidão.
Não é  nada que um esfregão não resolva,
ou que água pura não dissolva.
A mão bem lavada, volte pra cozinha.
Recomece do nada
e faça novo acordo com a galinha.

Flora Figueiredo
In O Trem que Traz a Noite

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Inverno - Flora Figueiredo


O inverno açoita lá fora.
É hora de acender o lume
e te dar meu colo, como de costume.
Deita teu sonho e enche tua taça
porque a noite cansa, a estrela passa
e a lua se apaga, morta de ciúme.

Flora Figueiredo In O trem que traz a noite

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Inevitavel - Flora Figueiredo


Se não fosse a beleza,
seria a graça;
se não fosse a graça,
seria a doçura,
quem sabe? - a simpatia,
ou até, talvez, - quem diria!
apenas a risada.

Mas mesmo que não fosse nada,
ainda assim,
seria.
Flora Figueiredo


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Frases e Citações - Flora Figueiredo

"Se sua rua porventura aparecer
coberta de pétalas caídas
pela inclemência
de um vento qualquer,
não faça nada.
Deixe-a assim desordenada
e descabida.
São reticências que sobraram da estação passada.
Acabarão varridas pela própria vida." 


Flora Figueiredo

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Nó - Flora Figueiredo

Estou perdidamente emaranhada
em seus fios de delícias e doçuras.
Já não encontro o começo da meada,
não sei nem mesmo
se há uma ponta de saída,
ou se a loucura
vai num ritmo crescente
até subjugar a minha vida.
Não importa.
Quero seus nós de seda
cada vez mais cegos e apertados
a me costurar nas malhas e nos pêlos.
Enquanto você me amarra,
permanece atado
na própria trama redonda do novelo.



Flora Figueiredo

terça-feira, 24 de abril de 2012

Volta - Flora Figueiredo


Volta.
Porque te quero sugar a ebulição
 e a efervecência.
Porque preciso denegrir a tua ausência.
Volta.
Porque o espaço oco permanece
sem teu espasmo louco.
Porque a vida desleixa e desmerece.
Porque falta seiva à flor
que oscila e pasma
e tomba a graça insana que se rasga.
Volta.
Para vestir a alma rala e nua,
assumir o êxtase,
renovar o sangue.
Volta, que me preciso tua.

Flora Figueiredo
In Calçada de Verão

terça-feira, 3 de abril de 2012

Amigo querido - Flora Figueiredo


Por onde andamos
nós que raramente nos falamos?
Engolidos pela pressa
ou pela saga do compromisso?
O'Deus que maratona é essa?

Deixo um recado de saudade
para você pensar.
Por mais que a vida corra e o mundo agite,
por favor, acredite:
o nosso coração não muda de lugar.

O tempo e a distância
costumam nos arrastar.
É como se folhas de outono
se separassem pelo sopro de algum vento.
Mas nosso coração não muda de lugar.

Conservo a mão estendida,
o peito aberto,
o ombro compreensivo,
o pensamento alerta.
A qualquer hora você pode me chamar.
O meu carinho permanece vivo.
É que o nosso coração não muda de lugar. 
 
Flora Figueiredo

terça-feira, 27 de março de 2012

Enguiço - Flora Figueiredo


Eis um amor que bate à porta
em hora imprópria.
Ousado, liga a lâmpada frouxa,
joga a trouxa de roupa ainda manchada
do sangue das costas lanhadas.
Impõe cadeado no portão,
como se não fosse sair mais,
caminha decidido sobre minha paz.
Esse temido amor de hora errada
já vem assobiando pelo corredor.
O trinco da porta é fraco
e não sustenta;
a oração é rala e pouco agüenta,
o medo é pequeno e permissivo.
A tal amor que chega inoportuno,
eu me condeno.
E porque me condeno é que me sinto vivo.

Flora Figueiredo

segunda-feira, 26 de março de 2012

Borbulhante - Flora Figueiredo


Guardei meu poema dentro de uma bolha de sabão.
Como não ficar seduzida
pela circunstância lisa e transparente,
onde o arco-íris passeia docemente
e morre de amores pela espuma colorida?

Acomodado na nova moradia,
o poema suspirou e adormeceu.
Quando acordou, já não mais me pertencia.

A bolha de sabão se deslocara
e o poema apaixonado que eu criara
descobriu de repente que era teu.

Flora Figueiredo
In Chão de Vento

domingo, 18 de março de 2012

Cola-tudo - Flora Figueiredo

Encontrei um verso fraturado,
caído na esquina da rua do lado,
Tinha se perdido de um coração saudoso
que passava por ali, desiludido.

Coloquei-o de pé,
emendei seus pedaços,
refiz suas linhas,
retoquei seus traços.

Afaguei suas dores como se fossem minhas.
Agora, novamente estruturado,
espero que ele não olhe para trás
e não misture sonhos
com amargas falências do passado;

que saiba enfeitar a estrela lá na frente
com fartos laços de rima colorida.
pois é para o futuro que caminham
todos os passos apressados desta vida.

Flora Figueiredo

sexta-feira, 16 de março de 2012

Experiência - Flora Figueiredo


É possível viver um amor em sustenido:
basta que ele seja
mais amante que marido
e que tenha na mulher,
a namorada.
Aquela que ganha a lua
enfeitada
dos brilhos azulados da manhã.
Às vezes fêmea, às vezes fada, quem sabe irmã.
E que deitada
num colchão de encantos,
possa lamber o mel da vida.
Quando saciada,
envolva a beleza de ternuras tantas,
que não falte então mais nada
pra que num espaço mais curto
que o minuto,
possa escrever a estória mais perfeita
que já foi feita sobre o amor absoluto.

Flora Figueiredo
In Calçada de Verão