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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Você precisa de homem pra viver? - Clarissa Corrêa

Algumas mulheres precisam desesperadamente de um homem para viver. Não, isso não é coisa do tempo antigo. É mais atual do que você pensa. Tem mulher que é infeliz sem um homem ao lado. Outras precisam estar sempre apaixonadas.
Eu não preciso de homem pra viver. Na verdade, nunca precisei. Pra falar mais a verdade ainda, o único homem que precisei foi o meu pai. Ele me ensinou a andar de bicicleta, tentou, sem sucesso, me ensinar trigonometria (sempre fui péssima em matemática), me ensinou a ser honesta e justa. Com ele, aprendi a descascar laranja, tomar cerveja, gostar de cachorros, dar cambalhota, comer salada, organizar a mesada para poder comprar picolé no verão. Meu pai me deu apoio, suporte, abrigo e amor. Me ensinou a manusear um dicionário e me mostrou o que é certo e errado na vida. Aprendi que a gente tem que fazer por merecer e que não tem nada de errado se a gente não souber o que quer, desde que a gente saiba exatamente o que não quer de jeito nenhum. Meu pai pagou todas as minhas contas até eu sair de casa, inclusive minha faculdade. Uma vez, me apertei e pedi dinheiro emprestado. Quando fui devolver ele disse que não precisava, mas eu fiz questão. Coloquei nota em cima de nota e disse “me emprestou, estou devolvendo, aceita, pois se eu precisar de novo posso pedir”. Devolvi e me senti muito bem com isso.
Com o meu pai eu aprendi a ser gente. E a entender e aceitar que as pessoas são diferentes e precisam se respeitar. E que nem todo mundo tem que ter o mesmo gosto. E que nem sempre o jeito que alguém diz que te ama é o mesmo jeito que você fala e demonstra que ama. E que o mundo é grande demais, por isso a gente tem que correr. E que sempre vai existir alguém mais bonito e mais inteligente que você, assim como sempre vai existir um mais burro e mais feio. E que um abraço fala muito mais do que um monte de palavras. Eu acho que a gente precisa do pai quando é pequeno e depois que cresce. A gente precisa do pai até mesmo depois que ele morre. Mesmo longe, no céu dos pais, eles nos ensinam de alguma forma. Pai é uma figura eterna. E que nunca vai ser substituída. Por ninguém nesse mundo.
Eu não preciso de homem pra viver. Pago as minhas contas, sei trocar lâmpada, tenho vários cobertores, mato insetos e nem sempre consigo abrir potes de pepino em conserva. Mas tudo bem. Eu não preciso de homem pra viver. Não vejo problema algum em ir a eventos desacompanhada, ir ao cinema ou jantar sozinha. Eu não preciso de homem pra viver, mas ter uma companhia é bem melhor.
Dizem que o primeiro amor de uma menina é o pai. O segundo é um cara que vira o amor da vida. Ninguém tira o meu pai do meu coração. Nem o amor da minha vida. E quer saber? Acho mesmo que ninguém precisa de homem pra viver. Mas que a vida com eles fica bem melhor, ah, isso fica. É muito mais bacana ter com quem dividir a vida do que viver ela sozinha
Clarissa Corrêa

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Manias e verdades - Clarissa Corrêa


Tenho uma mania de achar que nada acontece por acaso. Talvez isso ainda me deixe louca, já que vivo esperando sinais. Não sei se você está me entendendo, é mesmo meio difícil de explicar, mas volta e meia penso assim puxa, será que isso vai mesmo dar certo? Se for pra dar, vai acontecer tal coisa e se acontecer tal coisa é porque é pra ser. Tá, eu sei que é coisa de gente doida, mas eu nunca disse que era totalmente certa.

Quer saber? Até acho que um pouco de doideira faz bem. Não dá pra ser muito certinho, viver de uma forma muito correta, fazendo o bêabá do jeito que todo mundo disse. Eu sei o que quero pra mim. Além de brigar pelas coisas que quero, também tenho um pouco de sorte. Sei que sim. Sorte por ter no meu caminho pessoas que me dão apoio e estrutura. Porque a gente precisa disso quando o mundo tá desmanchando feito desenho na chuva.

Acho que as pessoas surgem na vida da gente por algum motivo. Algumas nos ensinam, outras aprendem. É uma via de mão dupla. E penso o seguinte: se alguém aparece na minha vida e eu posso ajudar, ajudo. Acho que é obrigação. Não sou de desperdiçar oportunidades, talvez porque já tenha desperdiçado um punhado delas no passado. Hoje em dia o que aparece na minha frente eu agarro. Acho que se a gente tem condição de fazer algo não tem porque não fazer. É meu dever, entende? Não dá pra ficar parado vendo as coisas acontecerem, tem que agir.

O mundo e as pessoas mudam muito rápido. Hoje quem você ama está aqui, amanhã pode não estar. Hoje você tem um emprego, amanhã pode não ter. Hoje você dormiu com a frase entalada na garganta, amanhã o dia nasce de outro jeito, com outra cara e a frase pode ficar perdida no meio do nada. Ou pode ser tarde demais.

Acredito que todo mundo tem um poder. E a gente pode, sim, mudar as coisas. Me chame de idealista. De sonhadora. E de romântica. Sou tudo isso. Mas ainda acredito nas pessoas e nas mudanças. E toda mudança começa no fundinho de cada pessoa que quer realmente fazer alguma diferença.

Clarissa Corrêa

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Aquelas coisas que ninguém nos conta - Clarissa Corrêa


Não importa a sua idade, o que você já viveu, se o seu nome está limpo na praça e quanto a balança da farmácia acusa toda vez que você sobe nela. Uma coisa é certa: toda mulher já idealizou um amor. Na verdade, acho que todo mundo já teve lá suas fantasias. 

Homens e mulheres já pensaram nas qualidades que gostariam que suas mulheres e homens tivessem. Quero um cara que me entenda, que me ouça, que tenha alguma beleza, que use cintos decentes, que não ajeite a cueca no meio da rua, que saiba falar italiano e que goste de arte. Quero uma mulher que tenha bons peitos, saiba fazer sushi, goste de rock, curta um filminho pornô e saiba rir. Cada um idealiza de um jeito. Até que a realidade bate forte na nossa porta.

É claro que eu tinha sonhos e uma lista extensa. Queria que fosse moreno, tivesse olhos claros, fosse alto, tivesse braços fortes, soubesse cantar, me fizesse rir, gostasse de cachorro, soubesse cozinhar, fosse carinhoso, atencioso e me escutasse. Meu marido não é igual a essa lista, ou seja, ele não é o marido dos sonhos. É moreno, tem os olhos claros, tem a minha altura, tem braços fortes, não canta, mas toca violão e guitarra, me faz rir, passou a gostar mais de cachorro depois de me conhecer, não sabe cozinhar, mas prepara ótimos drinks, é carinhoso, atencioso e me escuta. De vez em quando. É que ele pertence ao gênero masculino, ou seja, não consegue prestar atenção em tudo que eu digo, pois falo rápido e mudo de assunto a todo instante. Apesar disso, sei que ele tenta me acompanhar. Além disso, ele é dono de um humor que chega a me assustar de tão bom. Juro que nunca vi pessoa mais bem humorada. Mas ele também é ranzinza, cheio de manias, meio mimado, gosta de tudo do jeito dele, rói as unhas e tem mais um monte de defeitos. É que ele é de carne e osso, é gente. E gente é assim, se é que você me entende.

Crescemos com uma ideia na cabeça. A vida inteira é assim, até que a gente se depara com o amor. E agora? E agora você abandona tudo que achou, tudo que sonhou e começa a sonhar junto. É muito mais legal, muito mais excitante, muito mais divertido, muito mais perigoso. 

O amor não tem fórmula, mas eu acho que o amor tem que fazer rir, tem que ter graça. A graça tem que entrar na hora em que as coisas ficam mais pesadas, mais sérias, mais sem saída. É que nem sempre tudo é bom e caminha bem. O amor  de vez em quando anda na corda bamba. Ele tropeça, quase cai, mas fica em pé. Porque ele precisa ser trabalhado, não basta amar e pronto. O amor tem rotina, tem ronco, tem louça suja, tem conta que vence, tem tapete do banheiro molhado, tem tampa da privada levantada, tem bagunça no meio da sala, tem roupa pra lavar, tem cocô do cachorro pra juntar, tem ciúme, tem briga, tem sujeira, tem toalha molhada na cama, tem comida no forno, tem copo vazio na mesa de centro, tem discussão por besteira, tem calor, tem frio, tem sede, tem fome. 

Amar não é nada fácil, apesar do amor ser simples. O amor é construção. E é justamente por isso que a gente deve esquecer tudo que aprendeu, tudo que imaginou e começar do zero. E recomeçar todo santo dia. Porque o amor é isso: um eterno recomeço. 

Clarissa Corrêa

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Falando nisso - Clarissa Corrêa


Senta aqui, vamos conversar bem pertinho. É, eu ando meio carente, então vem aqui e segura a minha mão. Preciso desabafar, te contar algumas angústias, aflições, dividir as coisas. pode ser? Não vou me estender muito, sei que você é ocupado. Além disso, é sexta-feira. Quem quer ouvir lamúrias em plena sexta? Eu entendo. Se fosse mais tarde, entre um gole e outro de bebida forte, a gente podia sentar na sarjeta, reclamar da vida, arrotar baixinho e comer cachorro-quente da esquina. Mas é dia. É dia e as pessoas têm pressa. Vem, não vou tomar muito do seu tempo.

Uma vez eu achei que todo mundo era meu amigo, sabe? E sofri, como eu sofri. As coisas começaram lá atrás, quando eu ainda era pequena. Todo mundo implicava com uma menina da sala. Resolvi defender, enfrentei todos, entende? Todos. E o povo acabou ficando amigo e eu acabei me sentindo quase uma heroína. Depois, na quinta série, eu arrumei uma briga feia com as meninas da sala. O motivo? Não lembro. Sei que todo mundo ficou de mal comigo. Se fosse hoje, seria bullying, mas foi há anos, então naquele tempo era “todo mundo ficou de mal comigo”. Eu sentava sozinha na hora do recreio. E às vezes eu chorava no banheiro. É que uma das meninas era pop, ela fez a cabeça de todo mundo. E naquele tempo ser Maria Vai Com As Outras era o mesmo que usar sneakers hoje em dia. Tradução: todo mundo fazia parte do clube. Pouco tempo depois, uma das meninas brigou com a outra, me pediu desculpa e tudo quase voltou a ser como era. Quase. Porque entendi o que é ser um amigo. E o que é não ter um amigo. Ela voltou a ser minha amiga. Eu voltei a ser conhecida dela. E a partir daí comecei a classificar algumas coisas no meu caderno imaginário de capa de veludo rosa bebê.

Na faculdade, conheci muita gente. Alguns ficaram mais próximos, outros não. Com alguns eu saía, tomava cerveja, comia bauru. Com outros, eu estudava, ia até a biblioteca, tomava cafezinho na hora do intervalo. E com outros eu pegava carona. E com outros eu desabafava. Na hora do intervalo, a moçada fala da vida. O que jantou ontem, quando marcou hora no salão para cortar a franja, a sessão de terapia que foi libertadora, a briga com o Carlinhos, a mãe que vai se separar do pai. São amigos de ocasião. Naquele momento, são seus amigos. Naquele momento, você conta com eles. Naquele momento, vocês trocam confidências. Naquele momento, frequentam a casa um do outro. E depois cada um segue a sua vida, sem briga, sem mágoa, sem nada, apenas com o distanciamento natural da vida.

Muita gente passa e vai passar pela minha vida. E pouca gente vai ficar. Quer saber? Não me sinto mal com isso, não. Tenho amigos de infância. Tenho amigos de faculdade. Tenho amigos dos tempos de escola. Tenho amigos das agências em que trabalhei. Tenho amigos virtuais. Tenho amigos no salão de beleza. Tenho amigos no meu prédio. Nossa, como eu tenho amigos, certo? Errado. Muito errado.

Eu sei, sei que é bem melhor dizer fulano-é-meu-amigo do que fulano-é-meu-conhecido. Também sei que é um saco ter que batizar tudo a toda hora. Mas amigo é amigo, conhecido é conhecido. De vez em quando a gente troca as bolas e se estrepa lá na frente. Então vamos reformular as coisas: existem algumas pessoas que você jura que são amigas. Porque você convivem muito com você. Porque te entendem. Porque conhecem todos os seus sorrisos. Porque têm intimidade com sua família. Porque já estiveram junto com você nas horas difíceis. Porque são boas companhias. Porque fazem um cosmopolitan maravilhoso. Essas pessoas podem ser conhecidas. Ou amigas de ocasião. Como assim? São aquelas pessoas que você conheceu no trabalho, na academia, pela vida afora. Gente bacana, do bem, que é legal ter perto. Gente que te diverte, te alegra. Gente que sai com você pra jantar, beber, jogar carta, assistir filme, viajar. Gente que você curte bater um papo mais cabeça, mais profundo. Gente que você conta um pouco da sua vida. Gente que você quase confia totalmente.

Quase. É porque amigo mesmo faz tudo isso. E ainda dá três pulinhos quando um sonho seu se realiza. E ainda vibra por você a cada coisa bacana que te acontece. E ainda respeita o teu espaço. E ainda entende que para ser amigo não precisa estar colado com fita dupla face. E ainda não sente a menor inveja de você.

Entendeu? Agora conte nos dedos de uma mão quem restou. Esses são amigos. O resto é conhecido. E fim de papo.

Clarissa Corrêa

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O outro lado do egoísmo - Clarissa Corrêa


Certas coisas me deixam triste. E louca. Como pode a gente gostar de uma pessoa, ver que ela está chateada e ficar de braços cruzados? Como pode você perceber que o outro está te tratando diferente e ficar indiferente? Como pode a gente só olhar para o próprio umbigo e para as necessidades pessoais? Como pode a gente só pedir apoio, calma, paciência e compreensão e não dar nada em troca? Como pode a gente não se dar por inteiro, mas esperar que a outra pessoa esteja inteira? Hoje em dia é muito fácil querer, exigir, fazer questão que o outro nos enxergue. Difícil mesmo é se colocar no lugar do outro, tentar se ver de longe e analisar onde está o nosso erro. 

É muito fácil pedir, pedir, pedir. Difícil é se doar. Porque normalmente as pessoas têm a triste mania de jogar na cara. Fiz tal coisa por você. E eu por você. Daí vira aquela agressão gratuita, aquela lavagem de roupa suja, aquela coisa feia e antipática que não combina com sentimento. Mas então eu me pergunto: será que tudo combina com sentimento? Claro que não. A gente não consegue ser bom o tempo inteiro. A gente não consegue deixar de lado as mágoas e seguir em frente. Tem coisa que alfineta, cutuca, aperta. E é preciso gritar, tirar, sair desse círculo vicioso e ruim.

Não é fácil. Mas também não é tão complicado assim. Basta querer. Basta sair daquele pedestal. Basta realmente se importar com o que faz. A gente pensa que é muito bacana e que faz o melhor que pode. Que bobagem. Nem sempre lutamos com força e com fé. Às vezes, a gente só deixa a vida nos levar, como se fosse um rio que leva pedaços de árvores e lixo. 

O ser humano é egoísta demais. Se preocupa com a própria vida e finge que se importa com os outros. Então eu questiono: será que eu me importo? Será que você se importa? Até onde você é capaz de ir? Que sacrifícios você é capaz de fazer? Você consegue, por algum momento, deixar de lado sua vida para se preocupar com a do outro? Pequenas doses de egoísmo são bem-vindas e essenciais para a sobrevivência. Mas não dá pra se embriagar: tudo que é demais faz mal.

Clarissa Corrêa

domingo, 8 de julho de 2012

Ciúme de você, ciúme de você - Clarissa Corrêa

Mensagem - Clarissa Corrêa
Mensagem:
Já vi Ciúme de todos os tipos, raças, crenças e classes sociais. Ciúme de livro, de roupa, de bichinho de estimação, de mãe, de irmão, de pai, de amiga, de namorado/noivo/marido, de amante, de música.

Já escutei tudo que você pode imaginar a respeito do Ciúme. Que ele é tempero de relação. Que ele é prejudicial. Que ele arrasa relacionamentos. Que ele sufoca. Que ele é coisa de gente insegura. Que ele não é saudável.

As opiniões se dividem. E se confrontam. Até acho que as opiniões ficam com ciúme uma da outra. Não sei você, mas vou falar por mim: sou ciumenta até dizer chega. Quando era pequena, tinha Ciúme do meu irmão. Ele é dois anos mais velho e sempre achei que ele era mais inteligente, esperto e legal. Isso porque ele era na dele e eu era brigona. Ele sempre soube o que quis, fez escolhas cedo. Fiz as minhas mais tarde, já que demorei algum tempo para decidir o que eu queria da vida. Achava isso um erro. Por isso, tinha Ciúme de uma coisa que eu nem entendia direito. Quando cresci que esse ciuminho era bobo e não fazia o menor sentido. E que tudo bem se a gente não sabe hoje, agora, neste momento o que quer. Ninguém é obrigado a ter todas as respostas em um potinho.

É, o Ciúme faz isso com a gente. Ficamos burros, meio cegos, quase loucos. Pode parecer banal o que vou dizer, mas nada nos prejudica se tiver um limite. O excesso é que nos mata lentamente. Se eu tivesse duas doses de Ciúme e duas pedrinhas de gelo, tudo bem. Mas de vez em quando meu Ciúme transborda. Fico totalmente alcoolizada. Ele toma conta de mim, vira neurose, obsessão. Então, me dou conta, respiro fundo, tento me aquietar e penso: para. Para com isso. Para e pensa. Para e olha. Para já! Dou uma auto-chacoalhada (de vez em quando a gente precisa).

Não dá pra deixar ele tomar conta. Mesmo porque não existe exorcismo para Ciúme (se existe ninguém me avisou). Não dá pra dar trela para o danado. Ele é o diabinho que fica dentro da cabeça da gente. Se der corda, ferrou. Ele faz a gente pensar besteira, além de dar Biotônico Fontoura para os pensamentos ruins. Quando a gente vai ver uma coisa que era pequena se transformou em gigante. Num piscar de olhos. Num simples pensamento bobo. O que era inofensivo vira patologia. O que era um sussurro vira gritaria. O que era pra ser simples pode virar uma baixaria sem tamanho.

A gente tem que ficar atento. Quando o Ciúme começa a atrapalhar a relação com os outros, quando interfere no dia a dia, quando nos causa prejuízos diversos é bom procurar ajuda. Um terapeuta floral, psicólogo, psiquiatra, sei lá. Qualquer pessoa que ofereça auxílio. E traga alguma paz. Porque a gente precisa de serenidade para viver. Já basta toda a insanidade desse mundo.

Clarissa Corrêa

sábado, 7 de julho de 2012

Coisa rara - Clarissa Corrêa


Meu Deus, como é difícil ter um bom amigo hoje em dia. Alguém que possa oferecer um colo e um afago na hora da tristeza e que consiga sorrir de verdade com a sua alegria. É que nem todo amigo é amigo o suficiente para dar pulos de felicidade com as coisas boas que chegam na sua vida. 

Não é fácil compartilhar o dia a dia, deixar as próprias frustrações e projeções de lado e ser limpo, honesto, puro. É muita coisa em jogo. Tem mágoa, tem inveja, tem os percalços da vida, tem suas desilusões, tem seus planos que mofaram dentro da gaveta. É por isso que digo com certo amargor na boca: nem todo mundo sabe ser amigo. 

Existe aquele tipo de gente que veste a máscara de amigo e só quer saber da sua vida. Quer sugar, ficar por dentro, mas não dá nada. Não compartilha, não divide, não sabe se doar. Não conta nada de si e quando você pergunta só diz que está tudo bem. Tem também o tipo que nunca tem problema, que a vida é sempre boa, sem tropeços e sem nada chato ou ruim. Estranho, não? A vida muitas vezes é bem chata e bem ruim e a gente não tem nada a fazer a não ser esperar. Porque tem coisa que foge do nosso alcance e temos que entender isso também. Nem tudo depende de mim, de você, do nosso esforço, do nosso suor. 

Tem também o tipo que, mesmo sem querer, não consegue ficar feliz por você. O máximo que diz é que legal, que bom, parabéns. Mas aquela felicidade que vem de dentro não dá as caras. Me pergunto: isso é ser amigo? Quantos amigos você tem? Não falo daquele companheiro de bar, aquele que ri das suas piadas, brinda com um copo de cerveja gelada. Quantos amigos você tem? Não falo daquele que é uma pessoa legal e divertida para trocar ideias e fazer fofoca. Quantos amigos você tem? Não falo daquele que sabe cada passo seu e oferece sempre o lenço de papel mais próximo. Quantos amigos você tem? Não falo daquele que está sempre junto nas festas. Quantos amigos você tem? Não falo daquele que sabe da sua vida apenas o que você quer que saiba. 

Quantas pessoas te conhecem de verdade? Pra quem você se abre? De quem você não tem medo? Que pessoa você tem certeza que quer o seu bem? Quem realmente não sente desconforto ao ver sua felicidade? Quem não ficou magoado por bobagem? Quem sabe reconhecer quando erra? Quem nunca te deixou na mão? Quem assume quando pisa na bola e pede desculpa? Com quem você discute, mas depois fica tudo bem? Quem entende o seu jeito? Quem aceita seus defeitos? Quem não fala mal de você para os outros amigos? Quem ajudaria você a pagar sua conta de luz, caso fosse necessário? Quem vibra com seu sucesso profissional? Quem deseja realmente toda felicidade do mundo no seu relacionamento? Quem? Por favor, me diga quantos, quantas. Quem valoriza o que você faz? Quem é grato pelo que você fez? A ingratidão em qualquer relação é coisa muito feia, principalmente em amizade. 

É bom a gente pensar de vez em quando sobre isso. Analisar as relações, as pessoas, rever as amizades. Agora você me responde ah, mas eu ligaria para a Camila às 4 da manhã se estivesse em apuros e tenho certeza que ela sairia de casa e me ajudaria. Eu não estou falando disso. Falo de algo mais profundo, que conecta as pessoas, que une e não separa por nenhuma força. Falo de um sentimento genuíno, de amor, de gratidão, de respeito, de carinho, de amizade. Muita gente fala que fulano é amigo, mas não sabe o significado disso. Ser amigo é chorar o teu choro e rir, com o coração, o teu riso. E isso é coisa rara hoje em dia.

Clarissa Corrêa

terça-feira, 3 de julho de 2012

Em busca do corpo perfeito - Clarissa Corrêa

Sempre achei mais fácil ser homem. Eles fazem xixi em pé, se ficam com uma mulher num dia e outra no outro os amigos batem palmas e acham legal, não carregam nove meses um filho na barriga, não sentem dor de parto, não ficam menstruados uma vez por mês, não sofrem com ataques de gula e TPM, não têm cólica todo santo mês e não gastam dinheiro com escova progressiva, sapato, bolsa e drenagem linfática.
 Fora isso, não compram (feito loucos) revistas que prometem deixar a barriga chapada em uma semana.

As mulheres são massacradas pela mídia. Você tem que ser super boa em tudo. Boa mãe, boa filha, boa profissional, boa de cama, boa amiga, boa irmã, boa ouvinte. Tem que se virar nos 30, afinal de contas, o mundo hoje é mais igual. Será que é, minha gente? Não vejo nenhuma revista ensinando o homem a seduzir sua mulher na cama. Em compensação, todo mês está nas bancas: "seduza seu gato", "incremente sua vida sexual", "apimente o sexo com essas dicas".
A mulher precisa seduzir, encantar, ser boa cozinheira, usar lingerie sexy, preparar jantar à luz de velas, se perfumar, deixar a bunda dura e estar com a depilação em dia. E o homem? O que os homens fazem? Por que é permitido pela sociedade que o homem tenha cabelo grisalho e uma barriga saliente? Ninguém fica comentando "olha como ele tá velho, olha aquela barriga". Experimente andar na rua com alguns fios brancos e uma barriga de 4 meses de gravidez. Nossa, ela está acabada. Que desleixo, meu Deus. O que aconteceu, era tão bonita e virou uma baranga!
É claro que a gente tem que se preocupar com a aparência. Arrumar o cabelo, fazer as unhas, se depilar, se perfumar, se cuidar. Mas sem obsessão. Sem neurose. Sem loucura. Sem fazer a dieta da sopa, a dieta da lua, a dieta da fruta, a dieta da proteína, a dieta do suco, a dieta do cocô de cavalo. Sem comprometer a saúde. Quer emagrecer? Vale aquela máxima: tem que gastar mais do que consome. Quer emagrecer? Vale a velha dica: comer mais salada e menos carboidrato, caminhar, caminhar, caminhar. Mexer o corpo, sacudir a alma. Faz bem e libera endorfina. Faz bem e te deixa mais feliz. Faz bem para o coração, para a pele, para tudo.
Você não pode mudar por causa de um homem. Quem está com você têm que gostar de cada celulite, estria e pé de galinha. Você nunca vai ser igual a gostosona da novela das oito. Ela vive para o corpo. Além do mais, você não é apenas uma bunda, um par de peitos, coxas e cintura. Você é uma pessoa. Se você não está feliz com o seu corpo, tudo bem. Busque ajuda profissional, consulte um nutricionista e se matricule na academia mais próxima da sua casa. Mas não dá pra mudar por causa de alguém. Não dá para se esquecer disso. E se ele estiver muito insatisfeito, que vá procurar a mulher da capa de revista.
Clarissa Corrêa In Vila Mulher

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O resto é só o resto - Clarissa Corrêa


Não adianta brigar, se invocar, bater o pé, fazer beiço, cara feia e levar tudo ao pé da letra. A vida da gente precisa ter leveza. Fácil falar, difícil fazer (eu bem sei). Mas, sabe, andei pensando sobre as pequenices. A gente briga por coisas tão pequenas e insignificantes. Deixa passar, deixa pra lá. Azar se o cara meteu o carro na sua frente, deixa ele. E daí se aquela mulher furou a fila? Deixa ela ser mal educada. Não sou eu que tenho que meter o dedo na cara dela e dizer que ela não tem educação. A gente não é professor nem juiz nem nada disso. 

Falta de educação e delicadeza me tiram do sério. Mas eu já fui mal educada e indelicada tantas vezes (quem nunca foi?). A gente não é uma pintura perfeita, uma escultura sem falhas. Não somos arte, somos impuros e precisamos de retoque a todo instante. E ninguém tem o direito de invadir o espaço do outro, a vida alheia. Ninguém tem o direito de dizer pra você o que você deve fazer, a não ser que seja seu amigo e te conheça bem. Porque amigo pode, amigo tem direito, amigo tem carta branca.

Quando a gente tem trinta anos começa a pensar que não adianta se estressar por pouca coisa. O único incomodado da história toda vai ser você. Além disso, tem o gasto em terapia, cosméticos, tinta pra cabelo, vodca e tarja preta. Será que vale mesmo a pena? Deixa pra lá, deixa passar, deixa rolar, deixa rodar. A vida da gente vale mais do que qualquer chatice diária.

É claro que ninguém é Dalai Lama all the time. É impossível ser sereno, contido e paciente vinte e quatro horas por dia. Mas é preciso fazer algumas escolhas. Agora, eu penso assim: isso vale uma marquinha de expressão? Isso vale uma noite de insônia? Isso vale a minha paz? Não, então tchau. Entende? A gente que escolhe o que vai ficar na cabeça. O que está ao meu alcance, o que depende de mim eu posso fazer. Mas o que depende dos outros, bom, aí é com eles. Não posso me estressar por outra pessoa. Mesmo porque já tenho minhas preocupações constantes. Bem que eu queria ter o poder de esvaziar a mente. Se algum dia isso acontecer, pode deixar, te explico direitinho como funciona. Por enquanto, vamos tentar desperdiçar energia no que realmente vale a pena. O resto é só o resto.

Clarissa Correa

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Frases e Citações - Clarissa Corrêa

"A gente precisa, com urgência, deixar o egoísmo de lado.
Olhar para a vida e enxergar o que está ao nosso redor de
fato. Sem véu, sem máscara, sem make up. Olhar nu, olhar
cru, olhar limpo. E entender que a luta é diária. Que nem
sempre é fácil viver. Que tropeços virão, sim. Que apesar de
tudo vale a pena. E que a gente não precisa aprender da forma
mais difícil e dolorosa."

Clarissa Corrêa

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Frases e Citações - Clarissa Corrêa


"A nossa salvação é aquela paz com gosto doce, alguma alegria e uma sinceridade no sentir. Porque não adianta você se esforçar, se a tua bondade é da boca pra fora, se teu sentimento é da boca pra fora, me desculpa, não resolve. Sentimento vem de dentro. Bondade vem do peito. Sem esforço, sem gasto de energia. Tem que ser natural. 
Simples como respirar!..." 

clarissa corrêa

domingo, 1 de abril de 2012

Frases e Citações - Clarissa Corrêa


"Para mim, o amor é mais ou menos como o sol.
Nasce de manhã cedinho, entra pelas frestinhas da janela iluminando o quarto e o coração, deixa a vida e os dias mais bonitos.
Aquece as tardes e o peito.
O amor nos livra do escuro, melhora o humor e faz a gente lançar olhares abobalhados para o horizonte e para o céu.
Faz a gente se despir e seca as roupas no varal.
Se engana quem pensa que ele é constante. 
O amor às vezes queima e muda de cor.
Ele pode até enfraquecer em alguns momentos do dia, mas normalmente ele é forte.
O amor está sempre se pondo. Mas, sabe, eu boto fé nisso: o amor de verdade é igualzinho ao sol. 
Ele sempre renasce, mesmo que alguns dias tenham nuvens ou chuva forte.
E brilha até o infinito."

Clarissa Corrêa

Pra não acabar sozinho - Clarissa Corrêa


Sei que a gente vive em um mundo onde as pessoas estão cada vez mais ocupadas. É trabalho, casa, conta pra pagar, família, amigos, filhos. Temos que dar conta de tudo, dar atenção para todos e ainda cuidar para ninguém sair magoado, afinal, sua amiga reclama que você anda atarefada demais, sua mãe diz que você antes ligava mais vezes, sua irmã fala que você nunca tem tempo para um almoço no meio da semana.

Recebemos muita informação, a mídia te cobra, o espelho te cobra, o marido te cobra, o filho te cobra. Cobranças mil, stress no trabalho, preguiça de arrumar o guarda-roupa, a obra no andar de cima que nunca termina, o cachorro que está com alergia, seu sapato preferido que quebrou o salto. Além disso, a famosa TPM, que faz coisas pequenas virarem enormes. Que muda o humor e até o amor. Que faz você ver o mundo de forma difícil, sensível e esquisito.

É tanta coisa na cabeça que de vez em quando a gente se belisca e se pergunta: é isso mesmo que quero? Afinal, quem sou eu? O que estou fazendo da minha vida? Estou dando atenção para as coisas certas? Estou gastando energia no que realmente importa? Estou jogado em um trabalho chato, sendo infeliz diariamente? Estou dando a devida atenção para quem gosta de mim? A gente fica nesse mar de perguntas e nada até encontrar uma resposta.

Por mais ocupado que você seja, por mais complicada que seja sua vida, por mais trabalho que você tenha, acho que a gente nunca deve descontar as frustrações em cima do outro. Mais: acho que a gente deve cuidar com o que diz. Mais: acho que a gente deve cuidar com o que faz. Quer mais? Te dou mais: a gente tem que arrumar um tempo. Pra um abraço, pra um sorriso, pra um bom dia, pra responder emails, pra responder mensagens, pra olhar no olho de quem você ama. Porque a vida corre, o mundo gira rápido demais. Só que a gente deve cuidar das relações, senão acaba sozinho.
Clarissa Corrêa

quinta-feira, 22 de março de 2012

Rosas Silvestres - Clarice Lispector

Só esta expressão rosas silvestres já me faz aspirar o ar como se o mundo fosse uma rosa crua. Tenho uma grande amiga que me manda de quando em quando rosas silvestres. E o perfume delas, meu Deus, me dá ânimo para respirar e viver.
    As rosas silvestres tem um mistério dos mais estranhos e delicados: à medida que vão envelhecendo vão perfumando mais. Quando estão à morte, já amarelando, o perfume fica mais forte e adocicado, e lembra as perfumadas noites de lua de Recife. Quando finalmente morrem, quando estão mortas, mortas - aí então, como uma flor renascida no berço da terra, é que o perfume que se exala delas me embriaga. Estão mortas, feias, em vez de brancas ficam amarronadas. Mas como jogá-las fora se, mortas, elas tem a alma viva? Resolvi a situação das rosas silvestres mortas, despetalando-as e espalhando as pétalas perfumadas na minha gaveta de roupa.
    Da última vez que minha amiga me mandou rosas silvestres, quando estavam morrendo e ficando mais perfumadas ainda, eu disse para meus filhos:
    Era assim que eu queria morrer: perfumando de amor. Morta de exalando a alma viva.
    Esqueci de dizer que as rosas silvestres são de planta trepadeira e nascem várias no mesmo galho. Rosas silvestres, eu vos amo.Diariamente morro por vosso perfume.


Clarice Lispector In  Aprendendo a viver 

domingo, 18 de março de 2012

O coração nunca para - Clarissa Corrêa


Depois que chega o fim, a primeira coisa que você faz é dançar com as tantas interrogações que te chamam para a pista. Dança com uma, dança com outra. E quando vai sentar para descansar os pés, chega mais uma com um sorriso cheio de convite e você acaba aceitando. Dança e dança e dança. Com dor, com dúvida, com o gosto azedo da falta na boca.

Terminar o que a gente começa não é fácil. Eu e você sabemos como é difícil terminar uma dieta, como é difícil vencer o sono e terminar mais um capítulo, como é difícil terminar uma série de abdominais, como é difícil terminar de engolir aquele sapo gordo e desgraçado. Não deixe que zombem do seu amor. Tem gente que acha que terminar casamento é complicado, mas que acabar um namoro é facinho. Bobos. Não sabem de nada. As coisas não precisam ter nome para serem sentidas. Um casamento não é mais importante que um namoro. Tudo depende da intensidade que a coisa tem. Da importância que você dá. Do quanto seu coração se entrega.

É difícil a gente se dar um ultimato. É difícil dizer chega, não quero mais isso pra mim. É difícil a gente falar deu, é hora de encerrar essa história. É difícil a gente terminar um sentimento dentro da gente mesmo. Não existe um botão que delete uma emoção. Seja ela amor, paixão, afeto, carinho.

As dúvidas sempre rondam a nossa cabeça. Será que foi a coisa certa? Será que não vou me arrepender amanhã? Será que vou sentir saudade? Por que ele fez isso comigo? Por que ele não me ama mais? Será que arrumou outra? Será que ela é melhor que eu? O que eu fiz de errado? Será que ele vai voltar atrás e me ligar amanhã? Será que ele vai esquecer tudo que passamos juntos? Será que eu vou conseguir amar de novo? Será que vou superar?

O ser humano adora procurar um motivo para sofrer. Adora arrumar uma infelicidade para contar para o outro. É assim comigo, é assim com você. Acho que quando a gente amadurece emocionalmente se dá conta do seguinte: fazemos o possível, o que está ao nosso alcance. Se não deu certo, paciência. Isso não vai te fazer melhor ou pior que ninguém. Você não vai ser rotulada de fracassada. Você não vai ficar solteira até o fim da vida. Você vai, sim, amar de novo. Porque o coração nunca para.

Clarissa Corrêa

quarta-feira, 7 de março de 2012

Frases e Citações - Clarissa Corrêa

"A vida da gente é a coisa mais bonita que existe. Mesmo que nem sempre seja doce. Mesmo que nem sempre tenha cor. Mesmo porque quem dá o sabor e o tom somos nós mesmos. Diariamente. "
Clarissa Corrêa

terça-feira, 6 de março de 2012

Frases e Citações - Clarissa Corrêa


"O medo de ficar só não pode ser maior do que o amor que você tem por você mesmo. Desculpe, mas você é obrigado a se amar. Ninguém ensina isso pra gente na escola, mas é a mais pura verdade. A vida acaba te mostrando isso dia após dia. A gente tem é que se amar muito, se respeitar muito pra chegar para o outro e dizer: se é isso que você me oferece, agradeço, mas recuso. Não quero esse pouco. Não quero essas partes. Não quero a sua metade. Vem inteiro, completo. Ou não vem. Ou nem te apresenta. Ou pega teus brinquedos e sai logo daqui."
Clarissa Corrêa

domingo, 4 de março de 2012

Frases e Citações - Clarissa Corrêa

"Parabéns para você, que tem um sonho. Que não desiste, apesar do que falam. Que não se abala, apesar do medo. Que sente uma fraqueza interna, mas caminha com passos firmes. Que fica tonta, mas não desmaia. Que apesar de cada pedra no caminho, corre. Que reclama dos problemas, mas entende que a vida é feita deles. Que tenta entender o defeito alheio – e procura perceber os seus."
Clarissa Corrêa

As surpresas da vida - Clarissa Corrêa


É impossível a gente buscar um esconderijo para fugir de algumas verdades. Elas são espertas, sabem direitinho onde nos procurar. E nos acham, para nos colocar frente a frente com aquilo que queremos fingir que não existe. Em outras palavras: não dá pra deixar pra lá. A vida acontece desde que a gente deu o primeiro choro. E todo tempo é precioso demais, já que o amanhã é uma incógnita.

Tenho alguma dificuldade em aceitar mudanças. Resistente, custo a me adaptar. Quero adivinhar a vida, programar os dias, guardar as certezas entre os dedos. Engano meu, a gente não domina o futuro. E deve ser essa a graça de viver: simplesmente não saber. Não saber o que o futuro reserva. Nunca fui muito chegada a surpresas, gosto de saber cada passo.

Quando era pequena, não aguentava esperar até receber os presentes de Natal. Na calada da noite, ia até a árvore e espiava dentro dos pacotes. Só assim dormia feliz, descansada e com a certeza do que viria dias depois. Essa ansiedade toda de saber o que está acontecendo e o que vai acontecer vem da infância. Mas não pode mais me acompanhar na vida adulta. Preciso aprender a aceitar que nem tudo a gente sabe. A vida nos dá uma resposta por dia, não adianta a gente querer colocar o filme pra frente. Ele empaca, não vai.

Li uma entrevista na revista Época com o ator Reynaldo Gianecchini. Vou resumir em uma palavra: amor. Fiquei impressionada com a força, determinação, calma e amor que aquele homem tem dentro dele. É lindo, impressionante, real. E uma prova bonita de que a gente deve viver o hoje com toda a intensidade do mundo. Porque o amanhã é uma surpresa.
Clarissa Corrêa

sexta-feira, 2 de março de 2012

No fim das contas quem sofre é você - Clarissa Corrêa


Se tem uma coisa que me irrita é gente carente. A carência cega as pessoas. É claro que todo mundo tem um lado carente. Quando estou na TPM fico toda cheia de manha, de dengo, querendo atenção. Fico meio mala, meio chata, meio magoadinha com qualquer resposta mais firme. Mas a gente pode culpar os hormônios.

Só que uma tensão pré-menstrual dura sete dias. E tem gente que tem esse comportamento desde que veio ao mundo. Quer um exemplo? A Renata, do Big Brother. Eu achava ela ingênua no começo. Que nada. É uma chata de galocha. A carência impede que ela use os poucos loirônios que tem. E de quebra ela ainda leva a fama de "fácil", digamos assim, pois se envolve com qualquer um que dê mais de cinco minutinhos de atenção.

Não entendo quem entra em qualquer tipo de relação sabendo que é furada. O medo de ficar só não pode ser maior do que o amor que você tem por você mesmo. Desculpe, mas você é obrigado a se amar. Ninguém ensina isso pra gente na escola, mas é a mais pura verdade. A vida acaba te mostrando isso dia após dia. A gente tem é que se amar muito, se respeitar muito pra chegar para o outro e dizer: se é isso que você me oferece, agradeço, mas recuso. Não quero esse pouco. Não quero essas partes. Não quero a sua metade. Vem inteiro, completo. Ou não vem. Ou nem te apresenta. Ou pega teus brinquedos e sai logo daqui.

Uma amiga conheceu um cara. Depois de uns beijos, soube que ele era casado. Aquele velho papo estou-me-separando rolou, mas ela deu uma prensa e descobriu que os dois estavam inclusive construindo uma casa juntos. Ela podia ter sido clara e direta: não quero mais nada contigo, isso não vai pra frente, não vai dar certo. Mas não. O cara é bonito, querido e ela ainda não se sente segura pra dar um chega pra lá no moço. Conclusão? Ele vai continuar enrolando ela, pois é super fácil ficar com duas pessoas ao mesmo tempo. É só inventar de vez em quando uma reunião, algum compromisso de trabalho ou uma cervejinha no fim da tarde com os amigos. Mas é com a esposa que ele vai ao cinema. É ao lado dela que ele vai deitar todas as noites. É o olhar dela que ele vai encontrar todas as manhãs. E a minha amiga? É uma mulher bonita que ele beija, abraça, transa, conversa banalidades, ri um pouco e se diverte. Se pra ela fosse só isso, tudo bem. Mas ela está realmente curtindo o cara e se envolvendo. Preciso mesmo dizer pra você como essa história vai acabar?

Já muitos casos assim acontecerem. E fico com uma certa raiva de quem não se dá conta. A gente sempre percebe o que o outro quer. É só prestar atenção no que ele diz. Honestamente, se você quer só dar uns beijos e curtir uns momentos com um cara que é casado com cinco mulheres e tem um filho em cada canto do mundo, vai em frente. Se é diversão, entra na onda, aproveita, te diverte. Só que normalmente não é. Normalmente todo mundo quer uma continuidade, uma historinha, um amor. E a história termina com lágrimas. Sempre. É por isso que a gente tem que ligar o desconfiômetro e pensar: se está escrito encrenca, bye bye. O bom é evitar tudo isso desde o começo. Mandar a carência para o quinto dos infernos. Olhar para o espelho, ter uma conversa honesta e amiga com você mesma e dizer: vem cá, essa pessoa vale tudo isso? Vale tanto esforço? Me envolvi ou é só carência? Essa pergunta é essencial. Porque no fim das contas quem sofre é você.

Clarissa Corrêa

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