Mostrando postagens com marcador Alphonsus de Guimaraens Filho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alphonsus de Guimaraens Filho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Entre teus caminhos - Alphonsus de Guimaraens Filho

Entre teus caminhos vaguei, meio incerto.E ainda hoje incerto
busco-me em teus caminhos.Sei que estás, não alheio, apenas
no teu silêncio que me povoa de estranhas claridades.

Nem digo teu nome; não o invoco em vão; prefiro aprender
no fundo de não sei que noite as centelhas dos teus passos.
E a súbita fulgurância que deve ser a tua voz.

Alphonsus de Guimaraens Filho
In Discurso no Deserto

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ninguém - Alphonsus de Guimaraens Filho




Ninguém se engane se soar a hora,
se todos os relógios, de repente,
gaguejarem nem sei que dor fremente
que nunca veio e não se foi embora.

Ninguém se engane se souber quem chora,
que um grande choro convulsivo e quente
virá das coisas como espada ardente
atravessando a carne ontem, agora.

Ninguém se engane se dos seus papéis,
dos seus livros inertes, um lamento
terrível se levante como um vento

De maldição e de intenções cruéis.
Tudo, a este instante, é como um grande grito
quase a romper as cercas do infinito.

Alphonsus de Guimaraens Filho