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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eu te amo - Adalgisa Nery

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita do tempo
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
Em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

Adalgisa Nery

domingo, 16 de setembro de 2012

Os caminhos do pranto - Adalgisa Nery


Há prantos se abrindo em cada corpo
Em cada forma, em cada cor, em cada sono,
Em cada fonte e em cada porto.
Há prantos de sangue em cada estrela,
Em cada vento há prantos semeando
O ódio e a fome, constantes sentinelas
Das vidas nascidas por acaso.
Prantos nos arbustos florescendo vermes,
Nos rios sufocando peixes,
Nos ventres parindo raízes
De torturas selecionadas em feixes.
Há prantos de horror
Sob a roupagem dourada do astronauta
Que se move na placenta do infinito
Como feto no útero da fuga desejada,
Pranto fundo em cada anseio de amor,
Em cada alegria de vida,
Em cada esperança de paz prometida.
Há prantos se alongando
Sobre todas as coisas diferentes, iguais ou indiferentes,
Sobre todas as distâncias paradas
Na convulsão de todas as mentes.
Pranto violento substituindo o sangue
Nas veias do homem irmão,
Contagiando a seiva das árvores,
Resfriando o calor do sol,
Amputando a ternura espontânea da mão.
Há um pranto crescente e intenso
Anulando o direito de cada um
Morrer em paz no seu espaço vazio e imenso.
Adalgisa Nery In Erosão, 1973 

domingo, 19 de agosto de 2012

Poema simples - Adalgisa Nery


Deixa-me recolher as rosas que estão morrendo nos jardins da noite,
Deixa-me recolher o fruto antes que este volva as raízes da terra,
Deixa-me recolher a estrela úmida
Antes que sua luz desapareça na madrugada,
Deixa-me recolher a tristeza da alma
Antes que a lágrima banhe a pálpebra
Do órfão abandonado e faminto,
Deixa-me recolher a ternura parada
No coração da mulher que desejou ser mãe.
Deixa-me recolher a esperança dos que acreditam,
Recolher o que ainda não passou
E mais do que tudo dá-me a recolher
A palavra de amor e de doçura para que reparta
Com os ouvidos que esperam como uma gota de mel
Caindo na alma e no coração,
Como a única luz dentro de tanta escuridão.

Adalgisa Nery In Mundos Oscilantes

sábado, 21 de julho de 2012

Vivência - Adalgisa Nery


Começamos a viver
Quando saímos do sono da existência,
Quando as distâncias se alongam nas partículas do corpo.
Começamos a viver
Quando confusos e sem consolo
Não sentimos os traços do irmão perdido.
Quando antes da força
Surge a sombra do insignificante.
Quando o sono é transformado em sonhos superados,
Quando o existir não é contradição.
Começamos a viver
Quando percebemos a mutação das células,
Quando fugimos de dentro de nós mesmos
E escondemos a nossa carne num caramujo oco.
Quando o espírito falsificado esquece
As tortuosas estradas
E quando deixamos de ser escaravelhos laboriosos.
Começamos a viver
Quando velamos além do sono
A vida irreal dos nossos passos.
Adalgisa Nery In Erosão

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Frases e Citações - Adalgisa Nery

"Ouve-me com teus olhos
Porque minha queixa é muda.
Acaricia-me com teu pensamento
Porque meu corpo está imóvel.
Beija-me com tuas mãos
Porque minha boca te espera.
Fala-me com o silêncio dos momentos de amor
Porque os ouvidos da minha vida
Se abrirão como as flores
Na úmida e infinita madrugada. "


Adalgisa Nery 

domingo, 22 de abril de 2012

Poema ao silêncio - Adalgisa Nery

Silencio, cobre meu pensamento e o meu coração
Cobre o meu corpo do desejo dos homens
E a minha sombra da luz do sol
Cobre a te a lembrança dos meus passos
E o som da minha voz
Cobre a minha caridade e a minha fé
A vontade de morrer e também a de viver
Estende-te sobre o colorido das paisagens
Interpõe-te na minha respiração e no meu pestanejar
Cobre-me desde o início da minha concepção
Enrola-te no duplo de mim mesma
Transforma-me em fragmento de ti próprio,
Penetra no meu principio e no meu fim,
Cobre-me bem, com tanta amplitude e intensidade
Que possa eu ser esquecida
E me esquecer por toda a eternidade!

Adalgisa Nery

sábado, 3 de março de 2012

Instante - Adalgisa Nery

O espanto abriu meu pensamento
Com idioma vindo do delírio,
Dos receios indefesos, dos louvores sem raízes,
No perdão oferecido sem razão.
O espanto abriu meu pensamento
Na noite carregada de lamentos
Em linguagem universal
Fluindo do eco perdido
Com passos de presságio amanhecendo.
Corpos florindo na pele da terra
Acendendo vida nas rosas e nos vermes,
Aumentando a potência do limo,
Preparando a primavera nos campos,
Ventres irrigando secas raízes,
Cogumelos róseos crescendo
Na umidade das faces.
Coagulação de prantos na semente
Das constelações adivinhadas.
E no faminto inconsciente, o tempo
Sorvendo com fúria o seu sustento
No insondável silêncio de mim mesma.

Adalgisa Nery 

sexta-feira, 2 de março de 2012

O país do poeta - Adalgisa Nery


A paisagem tem cores do avêsso
E as estrelas sobem pelas montanhas como veias
Aguando um seio de mulher.
As quatro línguas do vento
Conversam sobre o amor, o ódio, a vida e a morte.
Os arcanjos cruzam o firmamento de lado a lado,
Os pássaros soluçam como inconsoláveis viúvas.
Os peixes cantam como rouxinóis nas ramas floridas.
Um sirena lamenta-se no corte da noite
E o ruído de possantes motores trepidam o eixo universal
Como o nascimento de um vulcão.
As flores dos jardins cercados são orvalhadas como lágrimas inocentes

E da lua de São Jorge montado no seu cavalo branco
Para velar os mortos e os desesperados.
Um sentimento de pureza sobre o olhar dos arrependidos,
As mães alimentam seus filhos com flores,
Os amantes realizam a interpenetração das almas
E seus corações caem no chão como punhados de cinza.
A tragédia vive entre a boca dos velhos e o olhar do recém-nascido
E o choro do que um dia será assassino é ouvido ao ventre da noite.

O poeta escreve poemas no solo
E a terra grávida recompensa com flores, frutos e nascentes.
Na hora da penumbra abre-se uma grande boca no firmamento
Dizendo sobre o juízo final.
Sob a luz da lua o poeta colhe os lírios entreabertos
E sai guarnecendo sepulturas de noivas ignoradas.
Um resplandecente globo ocular
Desce sobre a paisagem
E procura encontra a Amada e a Morte.

Adalgisa Nery
In Mundos Oscilantes

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Poema Natural - Adalgisa Nery

Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.

Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar,
choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar,
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando,
à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.

Cansei do fundo do mar,
subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tomarei.
Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo,
parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva,
desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu.

Adalgisa Nery

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mistério - Adalgisa Nery



Há vozes dentro da noite que clamam por mim,
Há vozes nas fontes que gritam meu nome.
Minha alma distende seus ouvidos
E minha memória desce aos abismos escuros
Procurando quem chama.
Há vozes que correm nos ventos clamando por mim.
Há vozes debaixo das pedras que gemem meu nome
E eu olho para as árvores tranqüilas
E para as montanhas impassíveis
Procurando quem chama.
Há vozes na boca das rosas cantando meu nome
E as ondas batem nas praias
Deixando exaustas um grito por mim
E meus olhos caem na lembrança do paraíso
Para saber quem chama.
Há vozes nos corpos sem vida,
Há vozes no meu caminhar,
Há vozes no sono de meus filhos
E meu pensamento como um relâmpago risca
O limite da minha existência
Na ânsia de saber quem grita.

Adalgisa Nery

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Estigma - Adalgisa Nery



Não receio que partas para longe,
Que faças por fugir, por te livrares
Da força da minha voz
E da compreensão do meu olhar.

Não temo que os mares te levem
No bojo dos transatlânticos
Nem tampouco me amedronta
Que em possantes aviões
No céu e na terra,
Cortes espaços sem conta
Em todos os seres me encontrarás.

Serena ficarei se disseres
Que na certa me olvidarás
No ventre da mata virgem,
Nas areias dos desertos
Ou no amor de outras mulheres que terás.

Não importa.
Nada temo e desejo mesmo que o faças
Para que saibas o quanto estou em teus sentidos
E que a minha forma, o meu espírito
Jamais da tua existência passa.

Se fugires pelos mares
Tu me veras na espuma leve da onda,
Me sentiras no colorido de um peixe
E a minha voz escutaras dentro de uma concha.

Se partires pelos ares,
Certamente na brancura de uma nuvem
Tu sentirás a maciez e a alvura
Das minhas carnes.

Se fores para a floresta
Hás de me ver
Na árvore mais florida e harmoniosa
Atravessando areias cálidas do deserto.
Sei que trocarias o lenitivo de um oásis
Pela certeza de me teres perto.

E nas mulheres que encontrares,
Dos seios o perfume, das nucas a palidez,
Das ancas as curvas
E das peles a cor e a tepidez,
Fica certo, não te evadirás.

Porque desde a tua sombra
Ao teu mais rápido pensamento
Não serás livre de mim
Num um momento.

Adalgisa Nery

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Escultura - Adalgisa Nery



Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.

Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.

Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.

E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!...

Adalgisa Nery

domingo, 11 de dezembro de 2011

Poema ao farol da Ilha Rasa - Adalgisa Nery



O aviso da vida
Passa a noite inteira dentro do meu quarto
Piscando o olho.
Diz que vigia o meu sono
Lá da escuridão dos mares
E que me pajeia até o sol chegar.
Por isso grita em cores
Sobre meu corpo adormecido ou
Dividindo em compassos coloridos
As minhas longas insônias.
Branco
Vermelho
Branco
Vermelho
O farol é como a vida
Nunca me disse: Verde.

Adalgisa Nery

domingo, 20 de novembro de 2011

Repouso - Adalgisa Nery



Dá-me tua mão
E eu te levarei aos campos musicados pela
canção das colheitas 
Cheguemos antes que os pássaros nos disputem
os frutos,
Antes que os insetos se alimentem das folhas
entreabertas.
Dá-me tua mão 
E eu te levarei a gozar a alegria do solo
agradecido,
Te darei por leito a terra amiga
E repousarei tua cabeça envelhecida
Na relva silenciosa dos campos.
Nada te perguntarei, 
Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
E as palavras do meu olhar sobre tua face muito
amada.



Adalgisa Nery

De As Fronteiras da Quarta Dimensão (1951)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Poesia marítima - Adalgisa Nery



O mar veio chegando, chegando
E esticou-se sobre a areia como um corpo que procura outro.
O cheiro das algas misturou-se com o calor das camadas
Aquecidas pelo sol da primeira madrugada
E invadiu todas as folhas das árvores
E a raiz das palmeiras agarradas nos penhascos.

Me senti a mulher transparente
Com olhos cor do ar,
Atirada na praia, coberta de conchas e espumas do mar,
Cirandei com as estrelas e ouvi os caramujos,
Chamei com os braços
Gaivotas que em meu corpo quisessem pousar.

Conheci a intimidade das conchas abertas,
Cantei preces que aprendi com os afogados
E gemi com o vento no mastro das galerias.

A mulher branca e transparente
Com os olhos cor do ar,
Que dorme na areia,
Sou eu, a filha do sol a das águas do mar.



Adalgisa Nery

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A espera - Adalgisa Nery



Amado... Por que tardas tanto?
As primeiras sombras se avizinham
E as estrelas iniciam a noite.
Vem...
Pois a esperança que se acolheu em meu coração
Vai deixá-lo como um ninho abandonado nos penhascos.
Vem... Amado...
desce a tua boca sobre a minha boca
Para a tua alma levar a minha alma
Pesada de sofrimento!
Vem...
Para que, beijando a minha boca
Eu receba a sensação de uma janela aberta.
Amado meu...
Por que tardas tanto?
Vem...
E serás como um ramo de rosas brancas
Pousando no túmulo da minha vida...
Vem amado meu.
Por que tardas tanto?



Adalgisa Nery

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Fantasmas - Adalgisa Nery



Lívidos fantasmas deslizam nas horas perdidas
Chegam à minha alma
E como sombras da noite
Levantam os meus ímpetos mortos
Desatando as ligaduras do tempo.
O luar da madrugada fria cai no meu rosto
E ilumina com branda amargura
O meu espírito que espera a hora insolúvel.
Os caminhos cobrem-se de homens que dormem na morte
E cresce no meu coração um desejo incontido
Para uma união mais forte, mais intensa e mais perfeita.
A minha pupila é banhada pela enorme lágrima
Que umedecerá o solo castigado.
A lágrima que levará ternura às existências sofridas,
A lágrima que se mudará em sangue,
Que levantará a vida morta do universo!


Nova York, 1944
Adalgisa Nery
in: Cantos da Angústia

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ternura - Adalgisa Nery



Antes que eu me transforme em água
E corra com os rios
Cantando para as florestas escuras
A canção sublime
Deixa-me contemplar tua face amada
Para que a canção se eternize.
Antes que os meus olhos se transformem
nos minúsculos vermes
Que movimentam o solo
Deixa-me receber a luz de tua boca
Para que eu me ilumine como as estrelas
No infinito da noite.
Antes que minhas mãos se mudem nas pedras das montanhas
Por onde caminharão os jovens pastores
Deixa-me afagar teus cabelos
Para que meu carinho se transforme na brisa
Que beija os grandes trigais.
Antes que minha forma sirva junto às raízes 
Para amadurecer os frutos
Guarda-me na música de teu corpo
Para que o mistério do amor
Baixe sobre o universo
E banhe os espíritos perturbados.

Adalgisa Nery
In Mundos Oscilantes

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pensamentos que reúnem um tema - Adalgisa Nery



Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar,
Na tranqüilidade dos que esqueceram a memória
E nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar. 
Estou pensando nos que vivem a vida
Na previsão do impossível
E nos que esperam o céu
Quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível. 
Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões 
E nos poetas que correm indefinidamente
Em busca da lucidez dos que possam atingir
A festa dos sentidos nas simples emoções.
Estou pensando num olhar profundo
Que me revelou uma doce e estranha presença,
Estou pensando no pensamento das pedras das estradas sem fim
Pela qual pés de todas as raças, com todas as dores e alegrias
Não sentiram o seu mistério impenetrável,
Meu pensamento está nos corpos apodrecidos durante as batalhas
Sem a companhia de um silêncio e de uma oração,
Nas crianças abandonadas e cegas para a alegria de brincar,
Nas mulheres que correm mundo
Distribuindo o sexo desligadas do pensamento de amor, 
Nos homens cujo sentimento de adeus
Se repete em todos os segundos de suas existências,
Nos que a velhice fez brotar em seus sentidos
A impiedade do raciocínio ou a inutilidade dos gestos. 
Estou pensando um pensamento constante e doloroso
E uma lágrima de fogo desce pela minha face:
De que nada sou para o que fui criada
E como um número ficarei
Até que minha vida passe.



Adalgisa Nery

domingo, 18 de setembro de 2011

Poesia entre o cais e o hospital - Adalgisa Nery



Geme no cais o navio cargueiro 
No hospital ao lado, o homem enfermo. 
O vento da noite recolhe gemidos 
Une angústias do mundo ermo. 
Maresia transborda do mar em cansaço, 
Odor de remédios inunda o espaço. 
Máquina e homem, ambos exaustos 
Um, pela carga que pesa em seu bojo 
Outro, na dor tomando o seu corpo. 
Cais, hospital: Portos de espera 
E começo de fim da longa viagem. 
Chaminés de cargueiros gritando no mar, 
Garganta do homem em gemidos no ar. 
No fundo, o universo, 
O mar infinito, 
O céu infinito, 
O espírito infinito. 
Neblinados em tristezas e medos 
Surgem silêncios entre os rochedos. 
Chaminés de cargueiros gritando no mar 
E a garganta do homem em gemidos no ar.



Adalgisa Nery