quinta-feira, 14 de junho de 2018

Poema - Carlos Drummond de Andrade

Ausência

Mulher em um balanço na praia
Por muito tempo achei que Ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na Ausência.
A Ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a Ausência, esta Ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

1902-1987 

Nenhum comentário:

Postar um comentário