terça-feira, 24 de março de 2015

Estilo ou conteúdo: o que é mais importante? - Rosana Braga

E aí? O que mais conta na hora da conquista: estilo ou conteúdo? O que você tem mais? Para o que dá mais importância? Muitas pessoas costumam dizer que não são desejadas porque não são bonitas. Outras ainda se sentem inseguras por duvidar de sua inteligência.

Já ouviu alguém repetindo ditados do tipo "beleza não se põe na mesa", "por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento", entre outros que julgam o que é mais importante entre beleza e inteligência? Já deve ter ouvido também algumas pessoas, especialmente as mulheres, sustentando que não se importam com aparência e sim com inteligência.

Resolvi trocar a palavra beleza por estilo, considerando que beleza é um adjetivo extremamente relativo e estilo tem a ver com personalidade, escolha, autenticidade. E como costumamos considerar inteligência um adjetivo derivado do raciocínio lógico, também troquei por conteúdo. Conteúdo vai muito além dos pensamentos ou conhecimentos formalmente adquiridos. Tem a ver com experiências vividas, coração aberto, humor, bom senso.

Se você está se sentindo inseguro ou em dúvida, saiba que uma pessoa pode não ter a beleza que gostaria ou que a ditam as regras da moda. Mas é essencial que ela descubra qual é o seu estilo. O que a torna interessante aos olhos alheios. O que transmite ao mundo sua verdadeira essência. E isso tem a ver com jeito de olhar, falar, sorrir, caminhar e até a simples forma de estar presente. Tem a ver com crenças, valores, humor, fé e gentileza.

E como ter? Acima de tudo, é preciso se conhecer, saber de si. Encontrar sua porção única. Reconhecer seus dons e talentos. Desenhar sua missão. Admitir seus enganos e dificuldades. É preciso ter coragem de ser. De se colocar. De pisar no chão com os dois pés, olhos adiante e assumir-­se no seu lugar.

E quanto à inteligência? Bem, tem muita gente com educação formal bastante precária e, ainda assim, repleta de conteúdo. Porque conteúdo é próprio de quem se joga na experiência. De quem não tem medo da vida. De quem arrisca. De quem cai e levanta. Perde e tenta de novo. Recomeça quantas vezes forem necessárias.

Talvez seja mais simples compreender a diferença entre beleza e estilo quando percebemos que beleza tem a ver com medidas padrões e estilo tem a ver com espontaneidade, verdade e leveza. E a diferença entre inteligência e conteúdo é basicamente a diferença entre teoria e prática. Tem inteligência quem sabe. E tem conteúdo quem faz.

E aí? No que você vai investir? O que precisa desenvolver em si mesmo e o que vai apreciar no outro? A escolha é sua. Apenas lembre-­se de que é sempre tempo de se refazer. De rever conceitos e crenças. De se reinventar. Não exatamente de se consertar, porque não estamos quebrados. Mas de começar a desenvolver novos hábitos, novos comportamentos.

 E é exatamente nessa hora que você se despede de uma vida cheia de limitações e tristeza e começa a viver uma vida repleta de possibilidades e realizações. Porque, no final das contas, bom mesmo é ter estilo e conteúdo

Rosana Braga

terça-feira, 17 de março de 2015

Repense - Lígia Guerra

Como palestrante entro em contato com um número imenso de mulheres em todo o Brasil. Tenho percebido que por mais que sejamos batalhadoras, bem resolvidas, grandes parceiras, excelentes profissionais ou mães dedicadas, sempre acabamos sendo rotuladas por algum motivo. Já reparou nisso? 

Se você é inteligente, é uma ameaça. 
Se é bem sucedida, é questão de sorte e não de competência. 
Se é gordinha, é uma baleia. 
Se é magra, é neurótica. 
Se é linda, é burra. 
Se for taxada de feia, é sobra. 
Se quiser casar, é desesperada. 
Se não quiser casar, é predadora. 
Se quiser ter filhos, é descomprometida com a carreira. 
Se não quiser ter filhos, é egoísta. 
Se gosta de sexo, é vagabunda. 
Se não tiver descoberto o prazer, é geladeira. 
Se tiver opinião, é mandona. 
Se for tímida, é insossa. 
Se tiver ambição, é interesseira. 
Se quiser adotar uma vida simples, é alienada. 
Se gosta de cuidar da casa e da família, é mulherzinha. 
Se não gosta das atividades do lar, é uma porca. 
Se for religiosa, é beata. 
Se for questionadora, é bruxa. 
Se rir alto, é escandalosa. 
Se não rir, é mal humorada. 
Se for solteira, é encalhada. 
Se for separada ou viúva, é concorrente. 
Se for alegre, é fingida. 
Se for discreta, é antipática. 

Não somos produtos. Não somos embalagem. Não somos objetos. Não precisamos de rótulos. Repense nos preconceitos que você sofre. Repense nos preconceitos que você nutre e reproduz sobre si mesma e em relação a outras mulheres. Todos eles, de uma forma ou de outra, respingam em todas nós. 

Preconceitos oprimem e adoecem a alma feminina. Cada estigma que aceitamos, torna-se um fardo pesado que acabamos carregando por uma boa parte das nossas jornadas e que sabota profundamente a nossa alma e os nossos talentos. Repense. 


Lígia Guerra

Frase do dia

Existe muita gente no mundo que é capaz de morrer por um pedaço de pão, mas existe muito mais gente que é capaz de dar a vida por uma migalha de amor...
Autoria desconhecida

Bom dia !!!

Que as dificuldades nos façam ser fortes; que não tenhamos medo de ir adiante; que enfrentar a vida de frente não nos cause fobia de novas aventuras. Que não sejamos espelho da ignorância, que não tenhamos tempo pra maldade. Que nos sobre sonhos e coragem para desenhar novos horizontes quando a rotina insistir em nos cegar a liberdade de sentir e recomeçar. Que não tenhamos desculpas quando a vida bater a nossa porta e nos convidar para um novo passeio, quem sabe uma nova história. Que não tenhamos pressa em descobrir o que vem depois; que o amanhã não nos cause angústia e sim brilho nos olhos...

Marcely Pieroni Gastaldi

domingo, 15 de março de 2015

Bom dia !!!

Discutir não alimenta. Reclamar não resolve. Revolta não auxilia. Desespero não ilumina. Tristeza não leva a nada. Lágrima não substitui suor. Irritação intoxica. Deserção agrava. Calúnia responde sempre com o pior. Para todos os males, só existe um medicamento de eficiência comprovada. Continuar na paz, compreendendo, ajudando, aguardando o concurso sábio do Tempo, na certeza de que o que não for bom para os outros não será bom para nós...


Chico Xavier

quinta-feira, 5 de março de 2015

Autocrítica - Martha Medeiros

Nunca fui fã ardorosa do Brasil. Suas lindas praias, sua música, sua irreverência, nada disso jamais foi suficiente para superar meu desgosto profundo por ter gente morrendo em corredor de hospital, por professores ganharem uma merreca de salário, por não podermos andar com segurança pelas ruas e demais indignidades com que convivemos dia sim, outro também. 

Desde que passei a ter o mínimo de consciência política, entendi que ética não era o nosso forte. Quando o PT apareceu, simpatizei, mas não cheguei a acreditar em salvadores da pátria porque a minha descrença estava bem sedimentada. Ainda assim, dei meu voto lá no início, era uma possibilidade. Que se cumpriu até certo ponto, mas o partido se revelou vulnerável como qualquer outro e o resto da história está aí. A roubalheira, que sempre existiu, tomou conta da maior empresa estatal do país e o vexame ganhou proporções monumentais.
O quadro geral é de tristeza. Porém, o que tenho visto é uma alegria perversa entre os caçadores de bruxas. Parece que as pessoas estão salivando diante dos escândalos, satisfeitas por poderem satanizar à vontade os dirigentes do país. Não acho que corruptos mereçam absolvição, estamos sob o comando de maus gestores e péssimos exemplos de cidadania, e torço pela punição de todos aqueles que saquearam o Brasil. Estarei nas ruas no dia 15 de março porque acredito que o povo precisa se expressar, mostrar que está vigilante, mas a raiva contida em muitas declarações contra os petistas não me representa.
Uma coisa é se manifestar – inclusive com humor – a fim de pressionar pelo fim da impunidade. Demonstra amadurecimento da população. Mas, no momento em que chamamos a presidente de vaca, fazemos brincadeiras sórdidas alusivas ao rosto de Cerveró ou culpamos o PT pelo espirro do cachorro do vizinho, trocamos a maturidade da nossa indignação por um bullying coletivo que mais revela nossa pobreza de espírito do que grandeza como nação.
Faço parte da elite e me sinto à vontade para fazer uma autocrítica: sim, os elitistas talvez estejam, consciente ou inconscientemente, vingando-se de uma suposta perda que imaginaram que teriam com a ascensão de um partido popular ao poder. No fundo, torceram para que desse errado e, agora que o castelo de cartas ruiu de fato, há uma comemoração evidente. Uma desforra. Um clima de final de campeonato, como se o gol da vitória tivesse finalmente sido marcado.
No entanto, só vejo perdedores nesse jogo. Uma grande nação de perdedores. Nada de engraçado está acontecendo. A única vitória possível se confirmará caso, num futuro próximo, a impunidade já não for dada como favas contadas e uma nova classe política nascer dos escombros e reinventar o país.
E se a ética vier a ser o nosso forte, em todas as camadas da sociedade.

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora