domingo, 23 de fevereiro de 2014

Boda espiritual - Manuel Bandeira

Tu não estás comigo em momentos escassos:
No pensamento meu, amor, tu vives nua
- Toda nua, pudica e bela, nos meus braços.

O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende a tua cabeça. Eu amacio-a...afago-a
Ah, como a minha mão treme...Como ela é tua...

Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra nágua.

Gemes quase a chorar. Súplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso...

Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo...

E te amo como se ama um passarinho morto.

Manuel Bandeira

Boa noite !!!

A cada dia, permita morrer dentro de você tudo que não lhe deixe viver plenamente. No silencio da noite que irrompe dentro de si, entre no seu interior. Silencie tudo que faz barulho e escute a voz do Sagrado, da sua consciência e da retidão. 
Rompa com as amarras, com as amarguras e com os desejos insanos e os pensamentos insensatos. Respire mais fundo e renuncie a opressão da alma, da mente e do cativeiro dos sentimentos. Corte os laços com vingança, com o ressentimento , com o rancor e com toda espécie de raiva e de ódio.
Liberte se das paixões enganadoras e dos afetos desordenados. Aspire superar os fracassos e busque luz para as situações mal resolvidas dentro de você. Não insista em alimentar pensamentos de vingança a quem te feriu e nem prepare respostas ou palavras agressivas para serem ditas a ninguém. O melhor remédio para o coração é esvazia lo de sentimentos indignos e repugnantes e enche lo de ternura, paz e harmonia interior.


Roger Araujo

De Urubu a Pombo-Correio - Fabrício Carpinejar

Fofoqueiro não tem cura.

Fofoqueiro não tem conversão.

Fofoqueiro não tem saída.

Se um amigo cria uma fofoca, é perda de tempo tentar convencê-lo de que é errado, que prejudica a confiança, que estraga a convivência, que ele não desfruta do direito de sair revelando indiscriminadamente aquilo que é absolutamente confidencial.

Não desperdice sua lábia. Não gaste seu sotaque.

Ao dar um sermão ao fofoqueiro, é bem capaz dele inventar fofoca do sermão. E ainda propagar aos colegas e familiares que você cometeu uma grande injustiça e quebrou a lealdade.

Todo fofoqueiro se faz de vítima, não assume seu problema e joga a culpa no colo dos outros.

Seu tipinho é facilmente reconhecível. Usa expressões como “nunca”, “jamais”, “imagina”. Jura por Deus e pela sua mãe sem nenhum pudor, sem nenhum receio das consequências. Responde uma pergunta com nova pergunta. Costuma se mostrar surpreso e fingir desconcerto quando questionado: “Eu?”.

Aviso aos persistentes e esperançosos: o fofoqueiro não tem conserto.

É pedir segredo que o fofoqueiro abre o bico. Parece gostar de viver perigosamente. Confia apenas em sua impunidade, desprezas as evidências e pistas.

Mesmo calado, espalhará confidências de algum jeito: por indiretas, código morse, telepatia. Arrumará um jeito de contar. Sua incontinência verbal é criativa. Sofre de incompetência para manter a palavra quieta, debaixo das pedras. Pois acredita no tráfico de informações. Atua como um lobista amador, um falso conselheiro. Cria sua importância por aquilo que ficou sabendo.

Eu desisti da salvação de fofoqueiros. É uma igreja infernal.

O que faço é me aproveitar deles. Eu direciono o fofoqueiro para meus objetivos. Profissionalizo o fofoqueiro. Treino o fofoqueiro. Faço do urubu um pombo-correio.

Como não posso dissuadi-lo a abandonar sua natureza, repasso o que desejo que seja conhecido. Ofereço um alvo. Exponho algo com minha clara intenção que vire fofoca, suplicando por reserva e para que não fale para ninguém. Ele não resiste a um cochicho, a uma conversa no pé do ouvido, e logo dissemina a história.

Em vez de trabalhar de graça para a fama do fofoqueiro, o fofoqueiro passa a trabalhar para mim.

Fabrício Carpinejar

É possível ser generoso sem ser lesado pelo outro? - Patricia Gebrim

Eu sonho com um momento planetário onde exista mais amor. Onde as pessoas se lembrem que possuem taças douradas que transbordam de seus peitos.

Hoje em dia estamos todos doentes. Doentes de alma. Doentes de esquecimento. Nos esquecemos daquilo que é fundamental. Nos esquecemos que somos todos divinos e que dentro de nós existe algo que vale mais do que o maior diamante do mundo, maior do que o que quer que exista de mais valioso no mundo... 

Dentro de nós existe o nosso próprio Ser... belo, dourado e infinito.
Dentro de nosso peito existe uma taça de onde brota um rio de interminável vida, acreditem. Nós poderíamos alimentar infinitos planetas com essa energia, somos prósperos e ricos em nossa essência, todos nós. Mas como não sabemos disso, tudo o que somos capazes de sentir é um vazio assustador no peito, e para preencher esse vazio que tanto nos angustia, como se fôssemos viciados em drogas, fazemos qualquer coisa. Usamos e lesamos as outras pessoas ... como se pudéssemos preencher o buraco dessa forma. 
No fundo as pessoas se sentem vazias e acreditam que a única forma de obter algo é retirando isso de outro alguém.
Olho ao redor e cada mais vejo que se tornaram comuns as relações baseadas no uso, movidas por intenções meramente egoístas, onde o tratamento que as pessoas oferecem ao outro depende do que esse outro possa lhes oferecer. Hoje é comum que as pessoas tratem bem a quem pode lhes trazer algum tipo de ganho, seja o acesso a pessoas influentes, a cargos, ingressos VIP, ou o que quer que seja. 
Vejo o tempo todo que as pessoas riem para quem não querem, adulam quem não merece, permitem quem deveria ser impedido; tudo em troca de ganhos pessoais. E assim se dissemina uma rede nociva de sangue-sugas profissionais, validados por cada um de nós, que lhes oferecemos de bom grado um bom tanto de nosso sangue em troca de ... sei lá o quê? 
_ Fui generoso e acabei sendo usado!_ eu já ouvi isso tantas vezes. Se aconteceu a você não se sinta mal. Às vezes acontece, mesmo aos mais atentos. Os nobres de coração têm a frágil ilusão de que todos são como eles, tornando-se presas fáceis aos predadores, sugadores profissionais. E generosamente permitem que suas riquezas sejam roubadas, suas casas invadidas, suas vidas profanadas. Quando se dão conta do ocorrido resta ainda a vergonha por ter-se deixado enganar.
Ouçam generosos: Sejam inocentes, sim; mas é urgente que percam a ingenuidade!
Se você é uma dessas pessoas generosas que vivem sendo lesadas, compreenda de uma vez por todas: nem todas as pessoas merecem aquilo que você tem para dar. Aprenda a diferenciar os verdadeiramente necessitados dos vampiros profissionais. Aprenda a observar um pouco mais as pessoas antes de lhes oferecer seu melhor, antes de abrir o peito em suave entrega. Dê de si mesmo sim, mas “apenas a quem lhe merecer”. Repito, pois é urgente que você compreenda: NEM TODOS MERECEM O SEU MELHOR. Alguns merecerão só um pouquinho, outros nada merecerão.
Aprenda que neste planeta existe tanto o bem quanto o mal. Você precisa estar atento e saber diferenciá-los. Não espere que o mal apareça vestindo roupa vermelhas, adornado com tridentes e chifres, segurando uma plaquinha com a palavra “diabo”! Muitas vezes o mal se veste de gentil cordeirinho. Muitas vezes o mal nem mesmo é consciente de sua maldade, nem por isso deixando de ser maldoso. Muitas vezes uma pessoa lhe faz mal por pura inconsciência, mas até mesmo dessas pessoas é preciso que você aprenda a se defender. (Você ficaria na frente de uma criancinha de 2 anos de idade que estivesse com uma arma carregada nas mãos querendo brincar de mocinho e bandido com você?)
De seu peito verte o néctar da vida, a cada instante, num fluir ininterrupto que pode instantaneamente trazer calor e nutrição. Mas saiba a quem oferecer desse néctar. Saiba cuidar de si mesmo em primeiro lugar. Não permita mais que as pessoas lhe roubem o que existe para ser doado de bom grado. 
Você não ajudará a ninguém permitindo que isso aconteça! 
Pelo contrário, ao se permitir ser lesado ou profanado você ajuda aquela pessoa a acreditar que você tem algo que ela não tem. Isso não é verdade.
Todos nós possuímos essa riqueza dentro de nós. 
Quando compreendermos isso, não fará mais sentido algum tentarmos roubar nada de outro alguém.
Quando compreendermos isso os jogos do “egoísta que lesa” e do “generoso que se permite ser lesado” deixarão de fazer sentido e todos estaremos livres para viver relações mais sadias, que incluirão trocas equilibradas, respeito e amor.


Patricia Gebrim

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Esvazie a mala - Roberto Shinyashiki

Pessoas que não conseguem desapegar-se das coisas que acumulam na vida, deixam de aproveita-la, porque não conseguem livrar-se de suas pesadas bagagens.
Em minhas viagens, costumo encontrar muitas pessoas que não curtem a jornada porque estão preocupadas demais com sua imensa bagagem. O mesmo acontece com as pessoas que não conseguem desapegar-se das coisas que acumulam na vida: bens, cargos, posições e até mesmo relacionamentos. Elas, com freqüência, deixam de aproveitar a vida porque não conseguem livrar-se de suas pesadas bagagens.
A ruptura de um relacionamento, por exemplo, não é nada fácil, embora em geral, no começo da relação, tudo seja muito simples e gostoso. Estamos, normalmente, tomados pelo delicioso anestésico da paixão. Lidar com o fim de uma relação, porém, é coisa que poucos sabem – embora todos nós possamos aprender.
A melhor história de desapego que conheço aconteceu com um casal de amigos meus. Certo dia, eles me convidaram para uma festa. Ao chegar, vi que se tratava de uma ocasião especial: decoração caprichada, banda de música, todos os amigos e familiares presentes. Lá pelas tantas, para surpresa geral, o casal anunciou que a festa era em comemoração de sua despedida. Estavam celebrando o fim de um ciclo de sua vida após dezessete anos de união. Em um discurso, explicaram:
– Para que a planta nasça, é preciso matar a semente. Para que o fruto exista, é preciso morrer a florada. A borboleta só surge com o desaparecimento da lagarta. O ser humano não existe sem o embrião e só vinga com a transformação do óvulo. Estamos morrendo para esse relacionamento, porém sinceramente preocupados e comprometidos em nascer para outros muito melhores, em que possamos doar o máximo de cada um de nós! Por favor, não fiquem tristes com nossa separação porque os amigos do coração nunca se separam.
Eles decidiram separar-se quando perceberam que estavam mais preocupados em anular a alegria um do outro do que em ser felizes. Se, para serem felizes, era importante transformar essa relação, eles dariam esse passo. Até mesmo para manter a amizade.
Que coragem, não?
É muito raro que alguém admita diante do parceiro que está casado por causa do conforto e não tem mais coragem de enfrentar a própria vida.
Se meu casal de amigos insistisse em seu relacionamento, provavelmente acumularia infelicidades e não poderia aproveitar os diversos passarinhos do amor que ainda surgiriam.
Por isso, não tema deixar para trás as coisas que já morreram. Elas são como uma bagagem que não é mais necessária.
Somente nossa experiência de vida e nosso desejo de criar uma existência cheia de significado são tesouros leves para carregar.

Roberto Shinyashiki

Do que você é capaz quando está com ciúme? - Rosana Braga

Há quem garanta que o ciúme é o tempero do amor. Outros
justificam esse sentimento afirmando que quem ama, cuida. As duas assertivas fazem algum sentido, especialmente se considerarmos a dose. Ou seja, ciúme excessivo em vez de temperar, envenena as relações. E quem ama, cuida sim, mas também se lembra de que monstros e situações mal resolvidas minam qualquer intenção, por melhor que seja.

A ideia não é brigar com os sentimentos - sejam eles quais forem. Sentimentos são humanos e podem nos ensinar muito sobre quem somos. São chaves para o autoconhecimento e para a conquista da maturidade. Portanto, a ideia é aprender a percebê-los e a lidar com eles. No caso do ciúme, o aprendizado é experimentá-lo com bom senso e equilíbrio. Sei que muitos não conseguem sequer imaginar essa combinação. Ciúme, em muitos casos, não tem absolutamente nada a ver com bom senso e equilíbrio - e é aí que está o problema.

Vale esclarecer que este sentimento não tem, necessariamente, a ver com os fatos. Explico: tem gente que acredita que o outro só pode se sentir enciumado se tiver, de fato, um motivo. Ou seja, se seu par estiver olhando pros lados, paquerando ou traindo. Não é bem assim. Claro que o ciúme pode ser motivado pela realidade, mas em muitos casos, tem a ver bem mais com a dinâmica de quem o sente do que com o que o outro faz. 

Uma pessoa pode sentir ciúme por estar insegura, por não confiar nos outros, por conta da atitude de um terceiro, por ter medo de ser enganado, entre várias outras razões que não refletem a concretização de um fato. E vale lembrar também que chamar o ciumento de "maluco", "lunático" ou qualquer adjetivo pejorativo não ajuda em nada. É provável que ele só queira ser acolhido. Na maioria das vezes, basta ouvi-lo e se colocar no lugar dele para que se acalme. Aí, sim, a situação se torna motivo para esquentar a relação, podendo até render uma picante noite de amor.

Por outro lado, é muito importante que o ciumento se observe e reflita sobre seu comportamento. Sentir ciúme é aceitável e até compreensível, mas criar constrangimentos ao seu redor, reagir sem ponderar, "fazer barraco" e "descer do salto", acusando os outros de serem os únicos responsáveis por seus próprios sentimentos é sinal de imaturidade e falta de noção. E isso é realmente muito desgastante! Quase impossível render algo de sedutor e prazeroso.

Creio que a questão essencial seja: do que você é capaz quando está com ciúme? Se considerarmos que existem pessoas que choram, outras que gritam, as que se fecham, que ficam sem falar com o outro, que fazem escândalo, que rompem a relação ou a tornam o centro de toda a sua vida, e ainda aquelas que são capazes de matar, literalmente, a quem julgam culpado pelo que sentem, já dá para perceber que o ciúme tem sido justificativa para as mais variáveis decisões.

Assim sendo, se você tem se dado conta de que o ciúme é um problema e até um obstáculo para o seu sucesso no amor, saiba que descobrir a resposta para esta pergunta - do que você é capaz quando está com ciúme? - vai revelar muito a seu respeito. E vai possibilitar que você se empenhe em encontrar maneiras mais criativas e coerentes de lidar com o que sente. Porque esta é a única diferença entre quem é feliz e quem não é: não o que sente, mas como lida com seus sentimentos!


Rosana Braga

Se eu sei o que devo fazer, por que não faço? - Patricia Gebrim

"Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente do que foi lá atrás"Muitas vezes em nossas vidas sabemos exatamente como deveríamos agir ou nos comportar, e ainda assim nos sentimos incapazes de fazer o que deve ser feito. 

Como se fios invisíveis nos amarrassem e aprisionassem, limitando nossos movimentos, só nos resta a sensação de impotência, um gosto amargo de frustração e a repetição de cenas já conhecidas que nos impedem de ir em direção à felicidade.
Como se fôssemos prisioneiros de nós mesmos, ficamos lá, paralisados, embora tudo em nós grite:

- Mova-se!

Quem já se sentiu assim sabe o quanto é difícil.

- Se sabemos que devemos nos mover, por que não seguimos adiante?

É a pergunta que não nos deixa dormir em paz.

É claro que se fôssemos seres puramente racionais, nada disso aconteceria. É facil resolver as coisas no campo da teoria e daquilo que é meramente racional:

- Esse relacionamento lhe faz mal? Então deixe-o e busque algo mais saudável... Parece simples não?

Mas o fato é que não somos só uma cabeça que pensa e analisa. Somos também seres emocionais, como se dentro de nós existisse um lago feito das mais diversas emoções. A nossa cabeça pensante é como uma pedra lá no meio do lago, muitas vezes parcialmente submersa, outras vezes totalmente coberta pelas emoções, a ponto de nem mesmo conseguirmos enxergá-la.

Lago das emoções 

O lago das emoções começa a surgir muito cedo na vida, a partir de nossas primeiras interações com o mundo que nos cerca. Esse lago é formado por tudo o que sentimos, desde a infância até hoje. Assim, diferentemente do lado racional que se baseia em analisar a compreensão dos fatos, num entendimento lógico do mundo; o nosso lado emocional é feito de uma mistura confusa de sentimentos. Lá no seu lago está o que você sentiu quando alguém brigou com você pela primeira vez na vida, está o seu medo do escuro, a raiva do coleguinha que grudou chiclete no seu cabelo, a tristeza que sentiu quando seu gatinho morreu, a alegria de andar na sua bicicleta nova e tantos outros sentimentos. A partir desses sentimentos, sem se dar conta, você foi aprendendo a reagir ao mundo.

O saudável seria que razão e emoção conversassem entre si e que ambas tivessem espaço em nossas vidas, em nossas decisões. Mas se o lago transborda, se a sua razão se torna uma pedra submersa, lá no fundo, tão no fundo que você mal consegue ver... então a emoção se tornará a condutora de sua vida. E a sua emoção irá sempre pelo caminho já demarcado anteriormente. Como um rio, que segue sempre pelo leito escavado na terra, a água flui por onde já passou muitas vezes, instituindo a repetição como regra em nossas vidas. E assim ficamos lá, repetindo, repetindo, repetindo.

Para que você entenda de forma prática, imagine que quando criança você sempre tenha se sentido menosprezado por seus coleguinhas na escola. Você aprendeu lá atrás a sentir-se frágil, pequeno, indefeso e inferior. A sua emoção continuará fazendo com que você se "sinta" assim. Mesmo que hoje você tenha crescido, se tornado muito forte, capaz e mais poderoso do que qualquer um de seus ex-coleguinhas; se você se deixar guiar pela emoção, talvez evite entrar em situações de confronto, esperando perder, como acontecia no passado.

MEDO (BASEADO EM EXPERIÊNCIAS PASSADAS) + GENERALIZAÇÃO = PARALISIA

Em geral ficamos paralisados porque somos prisioneiros de um passado, de uma visão distorcida de nós mesmos que nega a verdade de nosso ser.

Ficamos paralisados porque sentimos medo. Pense por um instante:

- O que você teme?

Fora alguns medos que são inatos (presentes desde o nosso nascimento e que tem a função de preservar a nossa integridade física), a maioria de nossos medos relaciona-se às nossas experiências passadas (por exemplo, um dia você foi rejeitado ao tentar brincar com um grupo de coleguinhas, e a partir daí se retraiu e passou a temer se expor em relações sociais).

Nossas emoções tendem a generalizar indevidamente as experiências que vivemos. Assim, o medo somado às generalizações acabam nos aprisionando.

- "Um dia foi assim , logo... acontecerá assim novamente!"

Para sair dessa prisão precisamos correr o risco de testar a vida novamente. Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente do que foi lá atrás.

É o seu racional que pode lhe ajudar a enxergar quem você é hoje. O seu racional poderá lhe fazer raciocinar, perceber que hoje você é um adulto bem diferente daquela criança que foi. O seu racional pode lhe mostrar fatos que comprovem sua capacidade e pode instigar você a testar o mundo com base no presente, e não no passado.

Assim, se você se encontra paralisado em alguma situação da sua vida, faça uma lista prática de todos os medos que consegue associar a essa questão, e depois, racionalmente, perceba se existem experiências passadas associadas a eles. Avalie se esses medos são reais ou são generalizações de experiências passadas. E enfrente-os! Comece pelos mais fáceis, até que vá se sentindo mais seguro e confiante. 

Você é capaz de mudar sua vida. Não desista. Mova-se!


Patricia Gebrim

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Para Sempre - Simone Arrojo

Ouvimos essa frase em contos de fadas: ... E foram felizes para sempre.
Ouvimos o padre nos fazer jurar... para sempre.
Casamos para sempre.
Temos filhos para sempre.
Queremos juventude para sempre.
Dinheiro para sempre.
Enfim, eu SEMPRE fui assim e não vou mudar.

Enfim, será que o para sempre existe? E quando termina o para sempre?

Ficamos amarrados em casamentos, empregos, profissões, filhos e crenças pois acreditamos que era para sempre, o que é que mudou? Por que mudou? Não era para sempre?

Já dizia uma frase: que a única coisa que é para sempre é a mudança. Ai como dói sair da ilusão de que as coisas não mudariam. E, quando elas mudam então, não sabemos o que fazer. As vezes, as mudanças são impostas, outras nós escolhemos a hora e local de mudarmos.

Quando nos prendemos a idéia do para sempre, não nos damos conta que as coisas já mudaram. Quantos casais se separam e um deles diz que acabou o amor e o outro se assusta pois não havia percebido nada. A gente acha que a idéia de para sempre vai se encarregar de manter o amor vivo.

As leis de evolução funcionam assim. Não sei ao certo porque são assim mas sinto que é para melhor, mesmo que no momento, não acreditemos nisso.

Acredito também que a única coisa que é para sempre é a nossa Alma (Vida Eterna). Acredito que podemos cultivar amor para sempre, compaixão, fé e tudo o que há de mais nobre, para sempre.

Quando nos elevamos sentimos que o para sempre já está contido no presente que é o nosso presente. 

MUITA LUZ A TODOS NÓS.


Simone Arrojo

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Acordei !!! - Paulo Roberto Gaefke

Quando eu me cobrei demais, não resisti.
Cai diante de tantas exigências e me perdi.
E diante do fracasso dos sonhos malucos que criei,
me vi sentado no desespero e não me achei.

Somos nossos maiores inimigos quando sonhamos.
Quando não colocamos freios na nossa imaginação.
Quando mentimos tanto para nós mesmos, que acreditamos na mentira e nos frustramos.

Nos deixamos levar pela ilusão que cega,
e nos ferimos além do corpo,
bem no fundo da alma, que se entrega.

Eis o fundo do poço:
alguém que já não acredita em si mesmo.
Alguém que se machucou tanto que tem medo do amor.
Alguém que não consegue ver nada além da dor.
Alguém que até mesmo a fé debandou,
e do pouco que restou, ficou o ar que insiste em utilizar,
é viver por viver, caminhar por caminhar.

Alma querida, corte agora os laços com a ilusão.
Acorde para a Vida que é tão bonita e te espera.
Não para viver o sonho da Cinderela
ou do "príncipe adormecido".
Mas o da realidade que pede paciência, trabalho, resignação, e aquela mistura dosada de medo, incerteza e desejo de acertar.

Descobrir que somos falíveis, que erramos, acertamos e temos que seguir adiante.
Não se cobre além dos erros de hoje para procurar acertar amanhã.
E se não der, se errar de novo, sorria, a vida é aprendizado.
E se repetirmos o ano, resta a certeza de que no ano que vem,
já começaremos sabendo mais que os outros.

Sorria e seja feliz! 


Paulo Roberto Gaefke

Cavalgada - Cecília Meireles

Meu sangue corre como um rio
num grande galope,
num ritmo bravio,
para onde acena a tua mão.

Pelas suas ondas revoltas,
seguem desesperadamente
todas as minhas estrelas soltas,
com a máxima cintilação.

Ouve, no tumulto sombrio,
passar a torrente fantástica!
E, na luta da luz com as trevas,
todos os sonhos que me levas,
dize, ao menos, para onde vão!

Cecilia Meireles, In Viagem

Frase do dia

O saber é como um jardim: se não for cultivado, não pode ser colhido.

Provérbio Africano

Bom dia !!!

Aceite seu passado como ele aconteceu; aceite todos os seus erros, tudo o que existe sobre você de mais difícil e "feio". Aceite todas as suas sombras - mas entenda: o seu passado não te define. O que te define são as suas atitudes de HOJE. Se você não pode mudar o passado, mude suas atitudes de hoje. A cada dia a Criação nos dá uma página em branco para escrevermos o que quisermos no livro da vida: escolha as palavras mais belas e construa, no hoje, um amanhã bem melhor.


Flávia Melissa