quarta-feira, 24 de abril de 2013

A borboleta e a flor - Victor Hugo


A pobre flor disse à borboleta: não fujas!
Olha como os nossos destinos são
diferentes:
Eu fico, e tu vais embora!
E, todavia, amamo-nos,
Vivemos sem os homens, longe deles.
Somos parecidas:
Dizem que ambas somos flores!

Mas, infelizmente,
O ar leva-te e a terra prende-me.
Destino cruel!
Quisera eu perfumar o teu vôo,
Com aroma no céu.
Mas não, andas demasiado longe,
A esvoaçar por entre as flores.
Foges, e eu fico sozinha
A ver a minha própria sombra
Girar aos meus pés.

Foges, depois voltas,
Vais-te embora outra vez,
E brilhas algures!
Por isso me encontras sempre,
Em cada madrugada,
Orvalhada em lágrimas!
Ah! Afim que o nosso amor possa
Viver dias de felicidade,
Raínha minha,
Ganha raízes como eu,
Ou dá-me asas como tu!

Victor Hugo

Frases e Citações - Martha Medeiros

"A beleza e a tristeza da vida podem estar em situações como esta: descobrir, tarde demais, que se ama uma pessoa. Pode acontecer até com quem está ao nosso lado neste instante. Parece que é um amor morno e sem graça, e que se acabar, tanto faz, e só daqui a muitos anos descobrir que nada era mais forte e raro do que este sentimento. Tarde demais é uma expressão cruel. Tarde demais é uma hora morta. Tarde demais é longe à beça. Não é lá que devemos deixar florescer nossas descobertas."

Martha Medeiros

Amores imortais - Letícia Thompson


Talvez Romeu e Julieta tenham imortalizado o amor por que ela só tinha 13 anos e ele um pouco mais e nessa idade todas as coisas tomam proporções imensas.
 Grandes e infinitos são os amores dos adolescentes que descobrem no outro um pedaço de si mesmo e entregam-se inteiramente a esse sentimento. Entregam-se até tornarem-se doentes e irracionais, até acreditarem que aquele será o único amor, o maior e o mais bonito de todos.
Os amores que param no tempo tornam-se eternos sim. Eternos e dolorosamente belos para a história.

E nós, adolescentes de primeiro amor a cada amor que renasce, pouco importando nossa idade, imortalizamos o amor fazendo dele a razão do nosso dia-a-dia.
Há os que amam uma vez e amam para sempre, mas esses são raros. A maioria das pessoas ama intensamente uma vez e ama intensamente a cada vez, cada amor, segundo as oportunidades que recebe e aproveita da vida.

E cada amor dói igual, faz feliz igual, cada um dá o sentimento de ser único e eterno e quando parte carrega um pouco da nossa vida junto, sai arrastando nossas esperanças como as enchentes repentinas, nos deixando sós e desamparados.
 E só depois de alguns sóis e muitas luas é que descobrimos que nosso coração é, felizmente, mais forte do que pensávamos e que tem a grande capacidade de se reconstruir quando encontra um outro que, por razões que desconheço, fazem com que ele se agite e reviva. Maravilhosa é a vida assim, nesses amores que carregamos em nós.

Letícia Thompson

Mensagem do dia - Tudo na vida vale a pena


Arrisque-se, ficar em casa com a cabeça no travesseiro só irá aumentar o sentimento de fraqueza, vazio e tristeza dentro do seu coração.
Lave o rosto, ponha uma roupa e bote a cara para apanhar.
Não há nenhuma experiência na vida que não deixará um rastro permanente em você.
Não há nenhuma decepção na vida que não trará a superação e a experiência.
Quem vence não sai ganhando tanto quanto o vencido.
Talvez, só passar pela vida não seja de todo mal e sim o melhor que possamos fazer.
Isto não faz de nós fracassados e piores do que aqueles que escreveram suas biografias.
Aceite as coisas que a vida lhe traz.
A vida muda porque tem que mudar.
E por mais que você tente, certas coisas nunca voltarão a serem as mesmas, aceite isso e conviva com isso.
Não leve a vida como um trem que segue seu caminho pré-determinado por um trilho, mas sim como um avião que não tem limite assim como o horizonte não conhece seu fim.
Faça do infinito sua meta, como aquele que por não saber que era impossível, foi lá e fez.
Acredite nas pessoas, todos erram, inclusive você.
O importante na vida não é que você se enganou sobre as pessoas, mas que você pode mudar sua opinião sobre elas.
Acima de tudo, acredite no amor. Acredite que ele muda sim, tudo a sua volta para melhor.
O universo conspira para que as coisas dêem certo pra você, acredite nisso.
Não perca as oportunidades únicas na sua vida, agarre-as com vontade, mesmo que o medo fale mais forte.
Não deixe o medo ser o dono de tua vida, ele poderá te salvar de algumas, mas poderá te impedir de muitas.
Tenha sempre, isso é importante, "atitude".
Tome a iniciativa, de o primeiro passo, largue antes da partida. Quem sai na frente tem mais chance de chegar na frente.
Não use filtro solar, use bronzeador. Exponha-se para a vida e absorva tudo que de bom ela te ensinar.
Não se proteja das decepções, enfrente-as e às vença. Saiba que sempre após as tormentas vem a calmaria.
Ame sua família, ela é seu refúgio e seu pilar de sustentação. Mas não a procure somente nas horas ruins.
Partilhe suas felicidades, seus medos e suas tristezas com aqueles que são responsáveis pela sua passagem pela vida.
Mesmo que não seja de sangue, sua família são aqueles que você tem para toda a vida. Seus país, seus avôs, seus irmãos, um amigo, um cachorro ou um papagaio.
Acredite no valor da amizade. Ela existe, pode acreditar. Confie, ame, chore, brinque e lute por seus amigos.
Entre na frente de balas de canhão por eles, eles entrariam na frente por você.
Curta sua vida, se divirta, mas tenha responsabilidade.
Ninguém admira pessoas com idade elevada que curtam a vida com irresponsabilidade como se tivessem 18 anos.
Beba, se quiser. Fume, se quiser. Mas lembre-se do que aquilo lhe fará a longo prazo e talvez a curto prazo.
Não se lamente caso um cigarro lhe traga a doença e não fale que você não precisava daquilo. Você achava que precisava quando o fez.
Assuma seus erros, conserte-os. Se não conseguiu, peça desculpas e levante a cabeça.
Seus erros serão admirados conforme a atitude que irá tomar para lhes superar.
Lembre-se daqueles que se foram não como um adeus, mas como um até logo. Acredite, você os reencontrará.
As pessoas vêm e vão, aceite, mas não as esqueça.
Seja feliz, e faça os outros felizes.
Ser feliz não é ter tudo perfeito na vida, é ver a felicidade nas pequenas coisas, no sorriso de uma criança que lhe sorriu na fila do supermercado sem ao menos ter porquê; em um simples beijo entre dois velhinhos em uma praça; ou até mesmo na televisão fora do ar, saia de casa, dê uma volta e encontre-se com quem te faça feliz.
A felicidade não se esconde, ela se mostra, da bandeira, e quer ficar ao seu lado. Não vire as costas para ela.
Chame-a aos poucos que ela te visitará. Trate-a bem para que ela venha morar em sua casa.
E acima de tudo, não viva sozinho. Encontre o amor e compartilhe-o. As pessoas são mais felizes quando tem alguém em quem deitar a cabeça nos ombros, fechar os olhos e suspirar ate brotar nos lábios um doce "Eu Te Amo".
Afinal de contas, viver vale a pena. Se vale!
Mateus Henrique

Frase do dia

"Os diamantes são polidos e levados ao fogo para chegar ao seu formato ideal.
Assim somos nós nas mãos de Deus,Ele nos molda muitas vezes de forma dolorosa, mas o resultado é uma jóia de alto valor."

Autoria desconhecida

Bom dia !!!

"O segredo do sucesso é aprender como usar a dor e o prazer, em vez de deixar que usem você. Se fizer isso, estará no controle de sua vida. Se não fizer, é a vida que controla você."
Anthony Robbins

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mistério - Florbela Espanca


Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
 Dizendo coisas que ninguém entende!
 Da tua cantilena se desprende
 Um sonho de magia e de pecados.

 Dos teus pálidos dedos delicados
 Uma alada canção palpita e ascende,
 Frases que a nossa boca não aprende,
 Murmúrios por caminhos desolados.

 Pelo meu rosto branco, sempre frio,
 Fazes passar o lúgubre arrepio
 Das sensações estranhas, dolorosas…

 Talvez um dia entenda o teu mistério…
 Quando, inerte, na paz do cemitério,
 O meu corpo matar a fome às rosas!

Florbela Espanca

E, ó vento vago - Fernando Pessoa

E, ó vento vago
Das solidões,
Minha alma é um lago
De indecisões.

Ergue-a em ondas
De iras ou de ais,
Vento que rondas
Os pinheirais!

                            Fernando Pessoa

Nossos velhos - Martha Medeiros

Pais heróis e mães rainhas do lar.
Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça. 
A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá prá implicar com a empregada.
O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra?
Fizeram 80 anos. Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso.
Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas.
Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam.
Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. 
Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina.
Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.
Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.


Martha Medeiros

Cobradores de nós mesmos - Paulo Roberto Gaefke

Tem gente que não se toca mesmo...

Claro que não to falando de você, to falando dos outros.
Aliás, já reparou como é fácil falar dos outros?
E mais fácil ainda, é os outros falarem de você.

Claro, não vestem o seu sapato, não sabem das suas dores, problemas.
Não sabem do seu emocional e nem do tanto que tem que lutar.

Pois é, mas como eu ia falando "dos outros", 
já notou como tem gente apegada ao passado?
O que eu vejo de gente falar que no passado aquilo era melhor,
que não se fazem mais coisas como antigamente.
Que os romances do passado eram mais firmes, sinceros...
Hoje em dia...ah! hoje em dia é tudo porcaria...

Será?
Não será a fuga das pessoas da realidade que cobra tanto?
E por fim, não será essa realidade a nossa própria cobrança?

Antigamente, vivíamos para procriar e durávamos no máximo 40 anos.
Hoje, tem muita gente querendo casar aos 40 e programar filhos para depois.

Hoje queremos mais! 
Sim queremos felicidade, amor, reciprocidade.
Queremos votar em quem queremos e amar quem o nosso coração escolher.

Estamos mais exigentes e por isso, sofremos.
Somos nossos maiores cobradores e não nos perdoamos.

Por isso, quando você encontrar uma dessas pessoas (os outros é claro).
Diga sem medo: 
Relaxe e aproveite a vida.
Não reclame tanto, não se cobre, não se questione. Perdoe-se.

Assim, todos nós vamos começar a perceber que somos super legais.
Que temos condições de amar, viver, trabalhar, crescer, ter e ser sem pisar em ninguém.

Por fim, esse novo tempo que tanto desejamos,
vai começar agora mesmo, nesse instante em que nos perdoamos.
E percebemos o quanto nos amamos.

Hoje é sempre o melhor dia para se perceber o quanto você vale.
Relaxe e aproveite a vida, alma querida.

Paulo Roberto Gaefke

Frase do dia

"Quando não compreendemos a dor, ela nos dilacera. Quando entendemos seus fins, ela nos aperfeiçoa."
Provérbio Chinês

Bom dia !!!

Aposte nos seus inícios.
Invista nos seus meios.
Não tenha pressa de chegar aos seus fins.
A viagem da vida já é rápida o suficiente.
Aproveite a oportunidade.
Desfrute a paisagem.


Ligia Guerra

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Amém - Cecília Meireles

Hoje acabou-se-me a palavra, 
e nenhuma lágrima vem.
Ai, se a vida se me acabara
também.

A profusão do mundo, imensa,
tem tudo, tudo - e nada tem.
Onde repousar a cabeça?
No além?

Fala-se com os homens, com os santos,
consigo, com Deus...E ninguém
entende o que está contando
e a quem...

Mas terra e sol, luas e estrelas
giram de tal maneira bem
que a alma desanima de queixas.
Amém.

Cecília Meireles

Travessia - Vitorino Ventura


Amo-te — ela murmurou-lhe ao ouvido.
Ele acreditou.
E foram representar a palavra 
para um banco de jardim,
o rio morrendo-lhes nos olhos, 
quase no mar.
Ela deu-lhe a boca. 
Ele acreditou na travessia, 
no castelo do outro lado. 
Inventou um barco. 
Um remo para ele, outro para ela. 
Mas não atravessaram o sonho. 
Vagaram em círculo, sempre o mesmo círculo.

Ela não remou.

Vitorino Ventura

Vida que se revela - Paulo Roberto Gaefke

Não dá para dizer que você se ama, se nem ao espelho você confessa essa amor. Não dá para dizer que você se respeita, se até os gatos não ligam para o que você diz. Não dá para dizer que você é feliz, se você só fala de coisas negativas. Nem dá para os anjos se aproximarem com algo bom, se você só reclama da vida.

Não dá para viver um grande amor, se você se sente tão pequeno.

Faça o seguinte: suba no prédio mais alto da sua cidade, ou da sua rua. Lá de cima observe as pessoas andando, elas estão do mesmo tamanho dos seus problemas. Visto do alto, tudo é pequeno, tudo é tão bobo.

Viva a vida que pede para você valorizar o que você tem de melhor. A vida adora recompensar os que se respeitam, se amam e seguem viagem. Por isso pergunta todos os dias: onde é que você quer chegar hoje? Pense, reflita e siga o seu projeto de felicidade. Sem se importar com a condição atual, tempo ou idade. 

Paulo Roberto Gaefke

Admitir o fracasso - Martha Medeiros

Eu estava dentro do carro em frente à escola da minha filha, aguardando a aula dela terminar. A rua é bastante congestionada no final da manhã. Foi então que uma mulher chegou e começou a manobrar para estacionar o seu carro numa vaga ainda livre. Reparei que seu carro era grande para o tamanho da vaga, mas, vá saber, talvez ela fosse craque em baliza. 

Tentou entrar de ré, não conseguiu. Tentou de novo, e de novo não conseguiu. E de novo. E de novo. Por pouco não raspou a lataria do carro da frente, e deu umas batidinhas no de trás que eu vi. Não fazia calor, mas ela suava, passava a mão na testa, ou seja, estava entregando a alma para tentar acomodar sua caminhonete numa vaga que, visivelmente, não servia. Ou, se servisse, haveria de deixá-la entalada e com muita dificuldade de sair dali depois. Pensei: como é difícil admitir um fracasso e partir para outra. 

Para quem está de fora, é mais fácil perceber quando uma insistência vai dar em nada – e já não estou falando apenas em estacionar carros em vagas minúsculas, mas em situações variadas em que o “de novo, de novo, de novo” só consegue fazer com que a pessoa perca tempo. Tudo conspira contra, mas a criatura teima na perseguição do seu intento, pois não é do seu feitio fracassar. 

Ora, seria do feitio de quem? 

Todas as nossas iniciativas pressupõem um resultado favorável. Ninguém entra de antemão numa fria: acreditamos que nossas atitudes serão compreendidas, que nosso trabalho trará bom resultado, que nossos esforços serão valorizados. Só que às vezes não são. E nem é por maldade alheia, simplesmente a gente dimensionou mal o tamanho do desafio. Achamos que daríamos conta, e não demos. Tentamos, e não rolou. “De novo!”, ordenamos a nós mesmos – e, ok, até vale insistir um pouquinho. 

Só que nada. Outra vez, e nada. Até quando perseverar? No fundo, intuímos rapidinho que algo não vai dar certo, mas é incômodo reconhecer um fracasso, ainda mais hoje em dia, em que o sucesso anda sendo superfaturado por todo mundo. Só eu vou me dar mal? Nada disso. De novo! 

De-sis-ta. É a melhor coisa que se pode fazer quando não se consegue encaixar um sonho em um lugar determinado. Se nada de positivo vem desse empenho todo, reconheça: você fez uma escolha errada. Aprender alemão talvez não seja para sua cachola. Entrar naquela saia vai ser impossível. Seu namorado não vai deixar de ser mulherengo, está no genoma dele. Você irá partir para a oitava tentativa de fertilização? 

Adote. E em vez de alemão, tente aprender espanhol. Troque a saia apertada por um vestido soltinho. Invista em alguém que enxergue a vida do seu mesmo modo, que tenha afinidades com seu jeito de ser. Admitir um fracasso não é o fim do mundo. É apenas a oportunidade que você se dá de estacionar seu carro numa vaga mais fácil e que está logo ali em frente, disponível.


Martha Medeiros - Jornal Zero Hora

Você insiste em fingir que está tudo bem enquanto seu amor desmorona? - Rosana Braga

Pode ter certeza: nada acontece da noite para o dia, ou seja, sem que nenhum evento explícito ou mesmo algum sinal anterior tenha indicado o rumo dos acontecimentos. Isto é, no amor e na vida em geral, vale ficar atento ao dito popular "cego é aquele que não quer ver!".

Gente cega, ou melhor, não querendo ver existe aos montes. E é até compreensível se considerarmos que ninguém, em sã consciência, fica esperando ansiosamente para que tudo dê errado em sua própria vida. Então, preferimos não acreditar, nem pensar, talvez disfarçar ou até tentar driblar o destino tal qual ele anda se mostrando.

Mas o fato é que a vida avisa, sim. Sempre manda sinais. E quanto mais a gente finge que não vê, quanto mais a gente insiste em agir como se estivesse tudo certo, ignorando dores, incômodos e irritações, mais desastrosas serão as consequências. Mais difícil vai se tornar o conserto. Mais distantes ficaremos do que é essencial.

A questão é: o que fazer diante da constatação de que algo precisa ser mudado? Como lidar com a percepção, intuição ou sensação de que seu relacionamento anda mal, estranho, desequilibrado, fragilizado ou adoecido? Bem, reconhecer esse quadro emocional já é um bom começo, mas nada de pânico ou ansiedade descontrolada, porque isso só serve para levá-lo a conclusões e ações precipitadas e, muito provavelmente, equivocadas.

Sendo assim, respire fundo e, neste exato momento, apenas relaxe os músculos e se dê um tempinho para refletir sobre qual a melhor atitude a tomar. Tome consciência do que é seu neste cenário. Quais são os seus sentimentos? O que você realmente quer? Quanto está disposto a tentar curar e salvar esse amor, de verdade? Não se deixe enganar pelo orgulho ou pelo medo. Encha-se de bom senso e de sua inteligência afetiva.

Lembre-se de que toda história, inclusive esta história que você está vivendo agora, tem dois lados: o seu e o da outra pessoa. Cada um enxerga o que está acontecendo a partir de suas crenças, de seus valores e do modo como aprendeu a validar cada um deles. Portanto, saiba que você terá de ouvir e considerar o que o outro está sentindo e pensando sobre o que estão vivendo. Sem isso, não há nem como começar qualquer boa intenção...

Depois, com os pensamentos e os sentimentos mais claros para si mesmo, tente ser o mais coerente possível. Não porque qualquer parte disso tudo tenha a ver com um estar certo e o outro estar errado ou quem tem mais razão ou mais certezas. Mas porque a felicidade só é possível no encontro íntegro e honesto entre o que você deseja, pensa, sente e faz.

Adoraria poder dizer que, ao se dispor a ouvir a versão do outro e ao se dispor também a falar sinceramente sobre o modo com que você enxerga esta situação, o que vai mal passaria a ir bem. Mas não é exatamente assim que os problemas se resolvem. Aliás, nem me atreveria a dizer que as questões do amor se tratam de problemas a serem resolvidos.

Amar é um exercício diário que tem muito mais a ver com flexibilidade, ajustes, crescimento e amadurecimento do que com posturas enrijecidas e inflexíveis ou decisões absolutas. Nada é absoluto no amor porque ele é vivo, pulsa, vibra e transforma - a si, ao outro e ao mundo!

Quanto mais você olhar de frente, quanto mais você se ver e reconhecer o que é seu, diferenciando-se do outro e admitindo que os dois estão implicados no rumo que esta relação tomou para que chegasse onde está, mais preparado para lidar com o que vier você estará.

Pode ser dor, aprendizado, culpa, raiva, medo, insegurança e tristeza. E tudo isso faz parte de um encontro verdadeiro. Mas pode ser também, e certamente será, uma humanidade linda, mais amor, perdão, alegria e compreensão. E, sobretudo, a percepção de que não existe nada mais incrível e mágico do que encarar o próprio coração e o coração do outro como a maior oportunidade de se descobrir fazendo tudo isso valer muito a pena!


Rosana Braga

Viver com o coração - Osho

A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração.

E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica.

Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido.

É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa.

E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido.

O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador.

A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta.

O coração nunca calcula nada.

Osho

Mensagem do dia - Voar sobre o pântano

Um pássaro vivia resignado, em uma árvore apodrecida, no meio do pântano.
Havia se acostumado a estar ali, comia larvas da lama e estava sempre sujo.

Suas asas estavam inutilizadas pelo peso da sujeira.
Certo dia um vendaval derrubou sua morada.

A árvore apodrecida foi tragada pelo pântano e ele se deu conta de que ia morrer.
Para salvar-se, começou a agitar suas asas com força, tentando voar.

Era muito difícil, pois havia esquecido como voar.
Mas enfrentou a dor, conseguiu alçar voo e cruzou o amplo céu...
Chegando finalmente, a um bosque fértil e formoso!
Os problemas são como um vendaval que destrói sua vida e o obrigam a ‘levantar voo ou morrer’.


Nunca é tarde para ser FELIZ.
Não importa o que se viveu, não importa os erros cometidos, não importa as oportunidades que se deixou passar, não importa a idade.
Sempre é tempo de dizer BASTA, entender que é preciso melhorar, sacudir a lama e voar ALTO, para bem longe do pântano.

Abandone sua comodidade, enfrente seus medos e inseguranças e, só assim, começará a voar...
Deus o acompanhará e mostrará qual caminho tomar.
Eu tenho certeza, que você chegará até o bosque do seu merecimento.

Carlos Cuauhtémoc Sánchez

Frase do dia

"Aqueles que vivem pensando que felicidade é ter dinheiro, jamais acreditarão que felicidade não tem preço."
Augusto Simões

Bom dia !!!

"A vida é curta..
Quebre as regras, perdoe rapidamente, beba lentamente, ame verdadeiramente, ria incontrolavelmente e nunca se arrependa de nada que te faça sorrir."


Autoria desconhecida

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Geração Big Brother - Padre Léo

Na medida em que acredita que existem soluções fáceis e rápidas para os problemas, o ser humano vai se acomodando e não se prepara mais para a batalha da vida. Torna-se um ser humano enfraquecido. Apequenado. Que não acredita mais na capacidade de auto-superação.

Quanto menos luta menos a pessoa tem vontade de lutar. Apequenado, o ser humano moderno é alguém vazio, sem conteúdo e sem ideal, dominado pelos ídolos do ter, do poder e do prazer. É o ser humano big brother, capaz de fazer de tudo para conseguir sucesso e poder gozar a vida sem limites, sem restrições.

Quando uma pessoa causa problemas ao homem big brother, ele aprende a eliminar a pessoa e não os problemas. Se o outro é obstáculo para meus sonhos, devo dar um jeito de tirá-lo do meu caminho. Não importa que instrumentais eu vou usar. O importante é eliminar a concorrência.

O big brother é um individuo que só pensa em si, não tem referenciais e vive mergulhado num vazio ético. Ele é capaz de fazer sacrifícios horríveis, até comer coisa estragada, desde que seja em função de um objetivo claro e definido: poder ir eliminando todas as pessoas, até chegar ao topo, e saborear a vitória.

Essa pessoa pode até conseguir algum dinheiro, mas não é uma pessoa feliz. Se a felicidade tivesse relação direta com o dinheiro, jamais encontraríamos um rico infeliz. E é praticamente o contrário. Nunca conheci uma família rica que fosse verdadeiramente feliz. No máximo, consegue esconder suas frustrações e problemas.

Para se dar bem nessa geração big brother é preciso ser muito prático, ter coragem para fazer qualquer coisa, ser relativamente bem informado, não se prender aos valores humanos, ser capaz de se interessar por tudo, mas sempre de modo superficial. Além disso, é preciso ser alguém que tenha a cara de pau suficiente para ser trivial e frívolo, para aceitar tudo. A permissividade é uma das suas marcas registradas. Temos assim uma pessoa com fraqueza de pensamentos, sem nenhuma firmeza em suas convicções e completamente indiferente aos problemas das outras pessoas.

A cultura big brother se faz de pessoas lights. Infelizmente, para ser feliz nessa cultura a pessoa precisa pautar sua vida pela mediocridade. Do mesmo jeito que a pessoa come sem correr nenhum risco de engordar, já que o alimento é mágico, a pessoa vai vivendo de modo superficial e medíocre.

Essa cultura gera uma pessoa fria, sem fé verdadeira e sem convicções profundas. É uma pessoa que muda de opinião, conforme muda o vento, já que vive para agradar os outros e para se satisfazer com o outro.

A pessoa big brother vive de modismos. É uma pessoa descartável. Do mesmo jeito que os canais de televisão dão um jeito de descartar as pessoas que não atingem determinados índices de audiência, a pessoa big brother também elimina quem não satisfaz seus interesses imediatos. Nesse sentido é importante eliminar os vínculos, os valores que me prendem às pessoas. Igreja e família são dois grandes obstáculos na vida do ser humano light.

Quem não têm referenciais, acaba também perdendo seu objetivo, sua meta de vida. A pessoa passa a viver unicamente para si mesma e para o seu prazer. Quanto mais irrestrito, melhor.

O big brother vive em busca do prazer. O prazer está acima de tudo e de todos. Sem nenhuma restrição, a qualquer preço. Para se viver bem, deve-se evitar a luta e, especialmente, o sofrimento.

A única coisa que vale é o prazer, não importa seu preço. Não se questiona se é um prazer lícito, salutar, abençoado por Deus. O prazer tem um valor em si mesmo. Para consegui-lo vale qualquer caminho. Ele é o bem maior, diante do qual tudo e todos devem ser sacrificados.

Como a pessoa vive para o prazer, sem limites, quanto mais possui coisas, mais se sente feliz, porque o ter virou sinônimo de liberdade. Quanto mais tenho, mais livre sou. Faço o que quero, quando e como quero. Só é livre quem tem bens materiais em abundância, de preferência, da última moda.

Por isso essa pessoa light não pode criar vínculos com nada e nem com ninguém, pois o consumismo se fundamenta na capacidade de substituir. O melhor é sempre o novo. Ninguém troca algo que tem valor afetivo. Então, o melhor é não se apegar às coisas. O melhor é sempre aquilo que ainda não tenho. Minha felicidade está escondida naquilo que não possuo.

Para sustentar e solidificar tudo isso é preciso viver a doutrina prática do materialismo, onde o valor da pessoa está naquilo que tem. Mas não se trata de simplesmente possuir um bem que satisfaça minhas necessidades fundamentais de moradia e locomoção, por exemplo.

Nesse materialismo a pessoa nunca poderá se contentar com o que tem. É preciso sempre querer algo novo. Não se trata mais de suprir uma necessidade, mas de criar novas e até falsas necessidades, que possam nutrir o consumismo. Se a liberdade da pessoa é definida a partir do que possui, ser livre é possuir cada vez mais. Também aqui não existe uma preocupação com os aspectos éticos. Tudo é permitido. Importa ter cada vez mais.

Nada é proibido ou imoral. O importante é não ser descoberto. Não interessa os meios que uso para adquirir as coisas, interessa é possuí-las conforme manda a moda.

Padre Léo, SCJ


Trecho do livro Saborear a Vida

Canção da indiferença - Alfredo de Cumplido de Sant'Anna

A vida passa,
leve
como a fumaça,
sem que possa
ao menos compreendê-la.

É um perfume sutil de magnólia,
cintilância indecisa de uma estrela,
um zumbido de vespa que esvoaça
em torno de uma flor
ou junto a um fruto.
É como um nome escrito sobre a areia
para viver o espaço de um minuto.

Aceitemo-la com indiferença,
como se olha a fumaça que se evola
ou se aspira o perfume de uma flor;
tal se escreve na areia um nome amado
porque se sente o amor.

Vivamo-la, pois, serenamente,
trazendo sempre a alma contente
e alegre o coração,
na certeza de que ela é transitória
e que sua glória
é como a glória
de uma bolha de sabão.

Não vale sentir tanta amargura
tanta tristeza
e quanta desventura
a vida possa nos causar.

O que vale na vida indiferente
é o pouco que o acaso nos concede
nesse inclemente
desfiar das horas,
nessa fuga do tempo
que nos mata
lentamente...

imperceptivelmente...

imperceptivelmente...

Alfredo de Cumplido de Sant'Anna In Poemas e Legendas

Expectativas - Flora Figueiredo


O vento anda ficando mentiroso.
Prometeu trazer você, não trouxe.
Ficou de dizer o porquê, não disse.
Esperou que eu me distraísse,
passou depressa, rumo ao horizonte.

Já não tem importância
que cometa outra vez,
um ato de inconstância.

Aprendi a esperar...
Se ventos são capazes de levar embora,
a qualquer hora, também,
são capazes de fazer voltar

Flora Figueiredo

Como observar o voo da flecha - Paulo Coelho

A flecha é a intenção que se projeta no espaço. 
Uma vez que foi disparada, já não há mais nada que o arqueiro possa fazer, a não ser acompanhar o seu percurso em direção ao alvo. A partir desse momento, a tensão necessária para o tiro já não tem mais razão para existir. 
Portanto, o arqueiro mantém os olhos fixos no vôo da flecha, mas seu coração repousa, e ele sorri. 
Nesse momento, se treinou o bastante, se conseguiu desenvolver seu instinto, se manteve a elegância e a concentração durante todo o processo do disparo, ele sentirá a presença do universo, e verá que sua ação foi justa e merecida. 
A técnica faz com que as duas mãos estejam prontas, que a respiração seja precisa, e que os olhos possam fixar o alvo. O instinto faz com que o momento do disparo seja perfeito. 
Quem passar por perto e ver o arqueiro de braços abertos, com os olhos acompanhando a flecha, irá achar que está parado. Mas os aliados sabem que a mente de quem fez o disparo mudou de dimensão, está agora em contacto com todo o universo: ela continua trabalhando, aprendendo tudo o que aquele disparo trouxe de positivo, corrigindo os eventuais erros, aceitando suas qualidades, esperando para ver como o alvo reage ao ser atingido. 
Quando o arqueiro estica a corda, pode ver o mundo inteiro dentro do seu arco. Quando acompanha o vôo da flecha, este mundo se aproxima dele, o acaricia, e faz com que tenha a sensação perfeita do dever cumprido. 
Um guerreiro da luz, depois que cumpre seu dever e transforma sua intenção em gesto, não precisa temer mais nada: ele fez o que devia. Não se deixou paralisar pelo medo – mesmo que a flecha não atinja o alvo, ele terá outra oportunidade, porque não foi covarde.

Paulo Coelho

Vai rever as rosas... - Letícia Thompson


Quando o amor bate às portas do nosso coração nos sentimos importantes. Amar e saber-se amado da mesma pessoa é o sonho de todo mundo. Ser único, sentir-se único e ter para si o tesouro único que a terra tinha escondido.
Quando amamos sempre somos únicos, pois ninguém sente como nós, ninguém espera, deseja, sonha e dói como nós. Ninguém se alegra tanto, se desepera tanto, comete tantos erros e tantos acertos. O amor nos torna seres extraordinários.
Ah! E a pessoa amada, essa então!!! O coração apaixonado possui essa capacidade extraordinária de ignorar os pequenos defeitos (e até apreciá-los!), moldar carinhosamente as pequenas diferenças e fazer de conta que não está vendo, não está sentindo, não está doendo. Ele perdoa sem que perdão seja carecido e continua o eterno caminho das promessas dos que amam para sempre.
E de tanto amar, tanto aperfeiçoar e fechar os olhos, ele se esquece que o ser perfeito não existe. Então, quando amanhece o dia do dia-a-dia, os defeitos, ou o que a pessoa é, em si, realmente, aponta e desaponta. Já não parece no fim da tarde da convivência que a pessoa de antes e a de depois são a mesma. Já não parece assim tão única e tão especial. Já tudo parece tão igual, tão simples e tão normal. Tanto, que causa desencanto.
E é então que vem a lição de um principezinho que teve a ousadia de amar uma rosa. Foi preciso caminhos e encontros para que alguém lhe dissesse, enfim: "vai rever as rosas!... tu compreenderás que a tua é única no mundo!..."
Ah! Como as rosas se parecem e como cada qual é sem igual! Como tantos se parecem com o que amamos e como são diferentes! Única é aquela pessoa que fez vibrar nosso coração um dia, aquela pela qual sofremos, lutamos, jogamos tudo pro ar e nossos olhos viram estrelas até nas noites mais escuras.
Sim... quando o coração achar-se demasiado descontente e desencantado, que ele passeie pelo jardim do passado, onde reinava a magia e a esperança, onde o amor tinha cheiro da pessoa amada e transformava tudo o mais no mundo em nada!
Que ele redescubra que entre tantas e tantas pessoas iguais, a que amamos é e sempre será única na vida da gente!

Letícia Thompson

Cada Momento é uma Morte e um Nascimento - Osho

O ser humano está sempre em crise. Ele é crise... constante, que não é acidental, mas essencial. O próprio ser das pessoas consiste de crise, daí a ansiedade, a tensão e a angústia.

O ser humano é o único animal que se desenvolve, que se move, que se transforma, que não nasce completo, fechado ou como uma coisa, mas como um processo.

Ele está em aberto, seu ser consiste em tornar-se, e esta é a crise. Quanto mais ele se torna, mais ele é.

O ser humano não pode tomar a si mesmo como algo garantido, do contrário, a pessoa se estagna e vegeta, e a vida desaparece. A vida somente permanece quando a pessoa está se movendo de um lugar a outro; a vida é este movimento entre dois lugares.

Não se pode ficar vivo num só lugar — esta é a diferença entre algo morto e um fenômeno vivo. Uma coisa morta permanece num lugar; ela é estática.

A coisa viva se move — não apenas se move, mas salta, pula. A coisa morta permanece sempre no conhecido, e o fenômeno vivo segue se movendo do conhecido em direção ao desconhecido, do familiar em direção ao não-familiar; esta é a crise. O ser humano é o mais vivo.

Você precisa continuar a se mover. O movimento cria problemas, pois ele significa que você precisa seguir morrendo para aquilo que você conhece, para o passado, que é familiar, confortável e aconchegante. Você o viveu, ganhou experiência, aprendeu muito com ele; agora não há perigo nele; ele se ajusta a você e você se ajusta a ele.

Mas o ser humano precisa se mover, precisa continuar a aventura. Você é uma pessoa somente quando continuamente prossegue nesta aventura — do conhecido ao desconhecido.

A mente se apega ao passado, pois ela é o passado. Mas seu ser deseja ir além do passado, deseja investigar. Seu ser tem um descontentamento intrínseco que eu chamo de descontentamento divino. Tudo que você tem, você consumou isso; tudo que você é, você consumou isso. Você deseja ter aquilo que você não tem e ser aquilo que você não é. O ser humano tateia no escuro à procura de mais ser, de um novo ser, de um ser mais rico.

Não é correto dizer que o ser humano nasce num dia e morre num outro. Isso é verdadeiro em relação aos outros animais, mas não em relação ao ser humano. Animais nascem um dia — eles têm um nascimento — e então um dia morrem. O ser humano está constantemente morrendo e constantemente nascendo.

Cada momento é uma morte e um nascimento. Nele, a morte e o nascimento não são opostos, mas são como duas asas de um pássaro, complementares, uma ajudando a outra.

A morte simplesmente ajuda o nascimento a acontecer. A morte segue limpando o terreno, de tal modo que o passado possa cessar e o futuro possa ser; a morte está a serviço do nascimento.

Na verdade, não está correto chamá-los de dois momentos. Trata-se de um processo visto de dois ângulos diferentes.

É como um portão, de um lado é a entrada e do outro é a saída; ou como a respiração: a mesma respiração entrando é chamada de inspiração e a mesma respiração saindo é chamada de expiração; trata-se da mesma respiração.

A morte é expiração, o nascimento é inspiração. O nascimento é a entrada, a morte é a saída, mas é a mesma energia de vida, a mesma onda.

Osho, em "A Sabedoria das Areias"