domingo, 23 de fevereiro de 2014

É possível ser generoso sem ser lesado pelo outro? - Patricia Gebrim

Eu sonho com um momento planetário onde exista mais amor. Onde as pessoas se lembrem que possuem taças douradas que transbordam de seus peitos.

Hoje em dia estamos todos doentes. Doentes de alma. Doentes de esquecimento. Nos esquecemos daquilo que é fundamental. Nos esquecemos que somos todos divinos e que dentro de nós existe algo que vale mais do que o maior diamante do mundo, maior do que o que quer que exista de mais valioso no mundo... 

Dentro de nós existe o nosso próprio Ser... belo, dourado e infinito.
Dentro de nosso peito existe uma taça de onde brota um rio de interminável vida, acreditem. Nós poderíamos alimentar infinitos planetas com essa energia, somos prósperos e ricos em nossa essência, todos nós. Mas como não sabemos disso, tudo o que somos capazes de sentir é um vazio assustador no peito, e para preencher esse vazio que tanto nos angustia, como se fôssemos viciados em drogas, fazemos qualquer coisa. Usamos e lesamos as outras pessoas ... como se pudéssemos preencher o buraco dessa forma. 
No fundo as pessoas se sentem vazias e acreditam que a única forma de obter algo é retirando isso de outro alguém.
Olho ao redor e cada mais vejo que se tornaram comuns as relações baseadas no uso, movidas por intenções meramente egoístas, onde o tratamento que as pessoas oferecem ao outro depende do que esse outro possa lhes oferecer. Hoje é comum que as pessoas tratem bem a quem pode lhes trazer algum tipo de ganho, seja o acesso a pessoas influentes, a cargos, ingressos VIP, ou o que quer que seja. 
Vejo o tempo todo que as pessoas riem para quem não querem, adulam quem não merece, permitem quem deveria ser impedido; tudo em troca de ganhos pessoais. E assim se dissemina uma rede nociva de sangue-sugas profissionais, validados por cada um de nós, que lhes oferecemos de bom grado um bom tanto de nosso sangue em troca de ... sei lá o quê? 
_ Fui generoso e acabei sendo usado!_ eu já ouvi isso tantas vezes. Se aconteceu a você não se sinta mal. Às vezes acontece, mesmo aos mais atentos. Os nobres de coração têm a frágil ilusão de que todos são como eles, tornando-se presas fáceis aos predadores, sugadores profissionais. E generosamente permitem que suas riquezas sejam roubadas, suas casas invadidas, suas vidas profanadas. Quando se dão conta do ocorrido resta ainda a vergonha por ter-se deixado enganar.
Ouçam generosos: Sejam inocentes, sim; mas é urgente que percam a ingenuidade!
Se você é uma dessas pessoas generosas que vivem sendo lesadas, compreenda de uma vez por todas: nem todas as pessoas merecem aquilo que você tem para dar. Aprenda a diferenciar os verdadeiramente necessitados dos vampiros profissionais. Aprenda a observar um pouco mais as pessoas antes de lhes oferecer seu melhor, antes de abrir o peito em suave entrega. Dê de si mesmo sim, mas “apenas a quem lhe merecer”. Repito, pois é urgente que você compreenda: NEM TODOS MERECEM O SEU MELHOR. Alguns merecerão só um pouquinho, outros nada merecerão.
Aprenda que neste planeta existe tanto o bem quanto o mal. Você precisa estar atento e saber diferenciá-los. Não espere que o mal apareça vestindo roupa vermelhas, adornado com tridentes e chifres, segurando uma plaquinha com a palavra “diabo”! Muitas vezes o mal se veste de gentil cordeirinho. Muitas vezes o mal nem mesmo é consciente de sua maldade, nem por isso deixando de ser maldoso. Muitas vezes uma pessoa lhe faz mal por pura inconsciência, mas até mesmo dessas pessoas é preciso que você aprenda a se defender. (Você ficaria na frente de uma criancinha de 2 anos de idade que estivesse com uma arma carregada nas mãos querendo brincar de mocinho e bandido com você?)
De seu peito verte o néctar da vida, a cada instante, num fluir ininterrupto que pode instantaneamente trazer calor e nutrição. Mas saiba a quem oferecer desse néctar. Saiba cuidar de si mesmo em primeiro lugar. Não permita mais que as pessoas lhe roubem o que existe para ser doado de bom grado. 
Você não ajudará a ninguém permitindo que isso aconteça! 
Pelo contrário, ao se permitir ser lesado ou profanado você ajuda aquela pessoa a acreditar que você tem algo que ela não tem. Isso não é verdade.
Todos nós possuímos essa riqueza dentro de nós. 
Quando compreendermos isso, não fará mais sentido algum tentarmos roubar nada de outro alguém.
Quando compreendermos isso os jogos do “egoísta que lesa” e do “generoso que se permite ser lesado” deixarão de fazer sentido e todos estaremos livres para viver relações mais sadias, que incluirão trocas equilibradas, respeito e amor.


Patricia Gebrim
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