quarta-feira, 17 de abril de 2013

Você insiste em fingir que está tudo bem enquanto seu amor desmorona? - Rosana Braga

Pode ter certeza: nada acontece da noite para o dia, ou seja, sem que nenhum evento explícito ou mesmo algum sinal anterior tenha indicado o rumo dos acontecimentos. Isto é, no amor e na vida em geral, vale ficar atento ao dito popular "cego é aquele que não quer ver!".

Gente cega, ou melhor, não querendo ver existe aos montes. E é até compreensível se considerarmos que ninguém, em sã consciência, fica esperando ansiosamente para que tudo dê errado em sua própria vida. Então, preferimos não acreditar, nem pensar, talvez disfarçar ou até tentar driblar o destino tal qual ele anda se mostrando.

Mas o fato é que a vida avisa, sim. Sempre manda sinais. E quanto mais a gente finge que não vê, quanto mais a gente insiste em agir como se estivesse tudo certo, ignorando dores, incômodos e irritações, mais desastrosas serão as consequências. Mais difícil vai se tornar o conserto. Mais distantes ficaremos do que é essencial.

A questão é: o que fazer diante da constatação de que algo precisa ser mudado? Como lidar com a percepção, intuição ou sensação de que seu relacionamento anda mal, estranho, desequilibrado, fragilizado ou adoecido? Bem, reconhecer esse quadro emocional já é um bom começo, mas nada de pânico ou ansiedade descontrolada, porque isso só serve para levá-lo a conclusões e ações precipitadas e, muito provavelmente, equivocadas.

Sendo assim, respire fundo e, neste exato momento, apenas relaxe os músculos e se dê um tempinho para refletir sobre qual a melhor atitude a tomar. Tome consciência do que é seu neste cenário. Quais são os seus sentimentos? O que você realmente quer? Quanto está disposto a tentar curar e salvar esse amor, de verdade? Não se deixe enganar pelo orgulho ou pelo medo. Encha-se de bom senso e de sua inteligência afetiva.

Lembre-se de que toda história, inclusive esta história que você está vivendo agora, tem dois lados: o seu e o da outra pessoa. Cada um enxerga o que está acontecendo a partir de suas crenças, de seus valores e do modo como aprendeu a validar cada um deles. Portanto, saiba que você terá de ouvir e considerar o que o outro está sentindo e pensando sobre o que estão vivendo. Sem isso, não há nem como começar qualquer boa intenção...

Depois, com os pensamentos e os sentimentos mais claros para si mesmo, tente ser o mais coerente possível. Não porque qualquer parte disso tudo tenha a ver com um estar certo e o outro estar errado ou quem tem mais razão ou mais certezas. Mas porque a felicidade só é possível no encontro íntegro e honesto entre o que você deseja, pensa, sente e faz.

Adoraria poder dizer que, ao se dispor a ouvir a versão do outro e ao se dispor também a falar sinceramente sobre o modo com que você enxerga esta situação, o que vai mal passaria a ir bem. Mas não é exatamente assim que os problemas se resolvem. Aliás, nem me atreveria a dizer que as questões do amor se tratam de problemas a serem resolvidos.

Amar é um exercício diário que tem muito mais a ver com flexibilidade, ajustes, crescimento e amadurecimento do que com posturas enrijecidas e inflexíveis ou decisões absolutas. Nada é absoluto no amor porque ele é vivo, pulsa, vibra e transforma - a si, ao outro e ao mundo!

Quanto mais você olhar de frente, quanto mais você se ver e reconhecer o que é seu, diferenciando-se do outro e admitindo que os dois estão implicados no rumo que esta relação tomou para que chegasse onde está, mais preparado para lidar com o que vier você estará.

Pode ser dor, aprendizado, culpa, raiva, medo, insegurança e tristeza. E tudo isso faz parte de um encontro verdadeiro. Mas pode ser também, e certamente será, uma humanidade linda, mais amor, perdão, alegria e compreensão. E, sobretudo, a percepção de que não existe nada mais incrível e mágico do que encarar o próprio coração e o coração do outro como a maior oportunidade de se descobrir fazendo tudo isso valer muito a pena!


Rosana Braga
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