quarta-feira, 17 de abril de 2013

Travessia - Vitorino Ventura


Amo-te — ela murmurou-lhe ao ouvido.
Ele acreditou.
E foram representar a palavra 
para um banco de jardim,
o rio morrendo-lhes nos olhos, 
quase no mar.
Ela deu-lhe a boca. 
Ele acreditou na travessia, 
no castelo do outro lado. 
Inventou um barco. 
Um remo para ele, outro para ela. 
Mas não atravessaram o sonho. 
Vagaram em círculo, sempre o mesmo círculo.

Ela não remou.

Vitorino Ventura
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