domingo, 15 de julho de 2012

Derretendo o gelo - Letícia Thompson


As palavras morrem na porta da garganta e não saem. A mão caminha à procura de um afago ou de uma outra mão, mas não chega a lugar nenhum. Pensamos em  tomar uma atitude, mas não tomamos. Medo de rejeição. Medo do não, que doeria mais que uma bofetada.
A barreira invisível que nos separa das pessoas que mais amamos se transforma em gelo com o passar dos anos. Geralmente começa na infância, onde as manifestações de carinho são dadas através de outras coisas que beijos abraços e eu te amo. O amor existe, ele está lá, indubitavelmente, mas ele se apresenta de outras maneiras. Quem nunca teve um tio, pai, mãe ou parente que sabe que ama, mas que não consegue dar um abraço caloroso porque alguma coisa impede essa aproximação? Isso acontece mesmo entre irmãos.
O pior é quando tomamos a atitude de romper essa barreira e a outra pessoa se torna uma estátua de gelo nos nossos braços, sem saber o que fazer. O sentimento de rejeição que sentimos, ainda que rejeição não seja, pode desmoronar nossa decisão de ter dado um passo à frente. É necessário muito amor para olhar nos olhos dessa pessoa e dizer que você gosta dela, mesmo se esse sentimento é claro e evidente. É necessário dar à outra pessoa o tempo necessário para se acostumar e se moldar a esse novo modo de vida, essa nova maneira de ser.
É simples! Para se derreter o gelo, nada melhor que o calor. Não, talvez seja óbvio, mas simples não é. Não na vida, não com os sentimentos. Não existe fósforo e nem isqueiro emocional. Há um coração e é dele que precisa surgir a primeira chama. Só dele pode emanar calor suficiente para derreter o gelo da indiferença, para derrubar a barreira que nos impede de estar mais próximos das pessoas, principalmente daquelas que amamos e sabemos que nos amam, mesmo se não expressam isso com gestos e palavras carinhosas.
É sabido de todos que o calor derrete gelo,certo, mas da maneira certa. E se nõ derreter, é porque não era gelo, era pedra mesmo.
Quando você estiver com alguém que você ama e que te ama e seu coração acelerado te disser para transformar em gestos o que você sente por essa pessoa, não tenha medo. E não espere receber retorno imediato, não fique decepcionado se a pessoa ficar "em estado de choque." Dê a ela o tempo de se acostumar, olhe em seus olhos e em outras oportunidades, tente novamente.
Com o tempo você vai sentir que o gelo começa a derreter-se e que a pessoa se abandona, talvez ainda seus braços te cerquem e te apertem. Talvez até lágrimas surjam, mas serão lágrimas de felicidade.
E se depois de ler tudo isso, você perceber que é a pessoa que está do outro lado, não pense que é anormal. Somos todos a conseqüência de uma educação. Deixa-te envolver pelo calor que te invade e você vai perceber que de você mesmo vai emanar o carinho que poderá mudar tudo ao seu redor.

Letícia Thompson
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