domingo, 10 de junho de 2012

Brida - Paulo Coelho


O Mago estendeu a mão para Brida, e entregou-lhe uma flor.

- Quando nos conhecemos – e parece que eu sempre conheci você, porque não consigo lembrar como era o mundo antes – mostrei-lhe a Noite Escura. Queria ver como você enfrentava seus próprios limites. Já sabia que estava diante da minha Outra Parte, e esta Outra Parte ia me ensinar tudo que eu precisava aprender – foi para isto que DEUS dividiu o homem e a mulher.

Brida tocava a flor. Era a primeira flor que via em muitos meses. A primavera havia chegado.

- As pessoas dão flores de presente, porque nas flores está o verdadeiro sentido do Amor. Quem tentar possuir uma flor, verá a sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo permanecerá para sempre com ela. Porque ela combina com a tarde, com o pôr-do- sol cheiro de terra molhada e com as nuvens no horizonte.

Brida olhava a flor. O Mago tornou a pegá-la e devolveu para a floresta.

Os olhos de Brida encheram-se de lágrimas. Tinha orgulho de sua Outra Parte.

- Isto a floresta me ensinou. Que você nunca será minha, e por isso terei você para sempre. Você foi a esperança dos meus dias de solidão, a angústia dos meus momentos de dúvida, a certeza dos meus instantes de fé.

“Porque eu sabia que minha Outra Parte ia chegar um dia, me dediquei a aprender a Tradição do Sol. Apenas por ter a certeza de sua existência é que continuei existindo.”

Paulo Coelho, em "Brida".
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