terça-feira, 1 de maio de 2012

Não pode tirar-me as esperanças - Luís Vaz de Camões

Busque Amor novas artes, novo engenho 

Para matar-me, e novas esquivanças; 
Que não pode tirar-me as esperanças, 
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho! 

Vede que perigosas seguranças! 
Pois não temo contrastes nem mudanças, 
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas conquanto não pode haver desgosto 

Onde esperança falta, lá me esconde 
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que na alma me tem posto 

Um não sei quê, que nasce não sei onde; 
Vem não sei como; e dói não sei porquê.


Luís Vaz de Camões In "Sonetos"
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