quinta-feira, 12 de abril de 2012

Depois do sol - Cecília Meireles


Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério

Tudo imóvel . . . Serenidades
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!

Oh! Paisagens minhas de antanho
Velhas, velhas . . . Nem vivem mais
— As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho

Seres e coisas vão-se embora
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora

Pelos silêncios a sonhar

Cecília Meireles
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