sexta-feira, 6 de abril de 2012

As grades da nossa prisão - Roque Schneider


Admitamos ou não, esta é a verdade: uma profunda ruptura situa-se no âmago do ser humano.
Sonhamos com a unidade interna e vemo-nos retalhados.
Quiséramos ser um, e somos dois, quatro, legião.
Suplicamos amor e sentimos a solidão.
Drama existencial, de vida inteira: embora suspirando pela unidade, recaímos constantemente em nossa prisão individualista, onde tudo é desconexo e decepcionante. Pedimos plenitude e patinamos na fragmentação.
Jiddu Krishnamurti, um dos mestres indus mais afamados da atualidade, declarou ao jornalista brasileiro Carlos Marques, em recente entrevista:
- A vida está fragmentada, dividida. Somos engenheiros, cientistas, operários etc. Somos bons técnicos, mas pessoas intimamente divididas. Esta fragmentação pessoal causa divisão e dor. Dentro de nós, agem indivíduos vários, separadamente. Resultado? Nossa existência se torna contraditória, destrutiva. Só nos resta um único caminho: a unidade que liberta e salva.
Tendências antagônicas brincam e brigam no mais íntimo do nosso ser. Aquela ruptura que todos conhecem, mesmo aqueles que vivem na superfície, ancorados no transitório, embevecidos no acidental.
Aquela ruptura existencial complexa, de raízes fundas, que os psicólogos apontam como fonte primeira das nossas angústias e desesperos, traumas e neuroses. Mas enquanto a psicanálise se debruça sobre seus pacientes, tentando oferecer terapias salvadoras, séculos e milênios descobrem que somente a luz da fé clareia um pouco as sombras desta ruptura-mistério.
Foi a queda original que desmantelou nosso equilíbrio interno. O diálogo com Deus foi rompido. E a liberdade primeira, fonte de equilíbrio, perdeu-se a partir de então. Por livre escolha, num gesto de desatino, os homens construíram sua prisão individualista, rompendo com o Criador, afundando-se nas trevas do pecado, da rebelião.
Eu disse prisão. Exatamente. O homem que se fecha sobre si mesmo, o homem que segue apenas os ditames do seu egoísmo, voltando as costas a Deus e ao próximo, este homem termina invariavelmente construindo as grades da própria prisão.
Ser escravo, podendo ser livre, é terrível.
E este inglório cativeiro tem uma única saída: a abertura generosa para o outro. E, através do outro, O retorno a Deus.
Ser livre, quem não o deseja?
Não esqueça, porém:
a liberdade exige um preço, um duro
quinhão...
A capacidade de renúncia é a chave
que abre as portas do sonhado país
da LIBERTAÇÃO.

Pe. Roque Schneider - Pausa para meditação 
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