terça-feira, 27 de março de 2012

Teatro de sombras - Fernando Campanella

Façamos um acordo, sombra minha:
brindaremos a cada noite às mariposas
e sob o pálio das Três Marias tomaremos
porres de dracenas e jasmins;

terei assim a face que quiseres
- dos párias, dos deserdados,
dos medos que arquitetam a noite -
teu servo, e personagem, porei em cena
o fantasma que bem buscares.

Mas, atenta, ouve-me, quando a lua,
após a mais discreta vênia,
sonolenta de seu palco se afasta,
e tão logo os galos cantem,
ensaiando o dia, debulhando a madrugada,
já de ti me disperso, não mais te enxergo.

Recolherás tua cauda, então, saciada e quieta,
adormecerás nossa ressaca, sombra minha,
atrás, bem atrás de mim.

Fernando Campanella
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