segunda-feira, 5 de março de 2012

A minha Princesa Branca - Cecília Meireles

Estendo os olhos aos mares: 
ela anda pelas espumas... 
- Serenidades lunares, 
tristezas suaves de brumas... 

Ela anda nos céus vazios, 
em brancas noites morosas: 
mira-se na água dos rios, 
dorme na seda das rosas... 

Passa em tudo, grave e mansa... 
E, do seu gesto profundo, 
solta-se a grande esperança 
de coisas fora do mundo... 

Por sobra as almas vagueia: 
almas santas... Almas boas... 
É um palor de lua cheia, 
na água morta das lagoas... 

Quando contemplo as encostas, 
de alma ansiosa por vencê-las, 
vejo-a no alto de mãos postas, 
muda e coroada de estrelas... 

E vou sofrendo degredos, 
a dominar os espaços... 
Só quero beijar-lhe os dedos 
e adormecer-lhe nos braços!

Cecília Meireles
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