sábado, 25 de fevereiro de 2012

Soneto LXXXVII - William Shakespeare


Adeus! És muito cara para que eu te tenha,
E bem conheces o teu próprio valor:
O privilégio de teu peso te liberta;
Minha devoção a ti é toda determinada.
Como posso ter-te, senão por teu favor?
E, diante de tanta riqueza, que fiz por merecê-la?
A causa do presente que me é dado é meu desejo,
E, assim, meu direito me é subtraído.
Tu mesma marcaste teu valor sem o saber,
Ou a mim, a quem o deste, por engano;
Pois tua grande dádiva, de mim arrancada,
Retorna à tua casa, melhor considerada.
Assim, tive a ti, como um sonho demasiado:
Um rei ao dormir e, ao despertar, um exilado.

William Shakespeare

Tradução : Thereza Christina Motta

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