quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Soneto LXII - William Shakespeare


O pecado do amor-próprio toma meus olhos,
E toda a minha alma, e todo o meu corpo;
E para este pecado não há qualquer remédio,
Tão entranhado está em meu coração.
Penso que nenhum rosto seja tão belo quanto o meu,
Não há forma mais verdadeira, nem jamais vista,
E por mim meu próprio valor se define,
Por superar qualquer outro.
Mas quando o espelho me revela quem sou,
Abatido e carcomido pelos anos,
Meu amor-próprio se contraria;
Ser tão autocentrado seria uma iniquidade.
Tu és (eu mesmo) aquele que em meu nome elogio,
Pintando meus anos com a beleza de teus dias.

William Shakespeare

Tradução : Thereza Christina Motta


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